Marcelino Lima
A arrogância, a certeza em seus argumentos e o ranço de autoridade que a maioria das pessoas que comenta aqui tem quando julga é de cair o cobre do traseiro! Como gostam de apontar o dedo e detonar uma pessoa, reduzindo-a a 'cérebro de ervilha', 'maçã podre', 'um idi0ta mesmo', 'kbça de amendoim', '[email protected].'! E tem uns que ainda aproveitam a maré para atacar outros que, bem ou mal, estão cumprindo com suas obrigações, mas deram o azar de não serem Gamarra ou Franz Beckenbauer! Galera que precisa, urgentemente, de um divã ou, pelo menos, de um bom espelho e que me faz lembrar Jesus Cristo e Fernando Pessoa! O Nazareno em João 8:7, o poeta português em 'Poema em linha reta', cuja íntegra, para quem nunca o leu ou ouviu dele falar, segue abaixo!
Nunca conheci quem tivesse levado sicda
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita
Indesculpavelmente sujo
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, absurdo
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante
Que tenho sofrido enxovalhos e calado
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar
Eu, que quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Pra fora da possibilidade do soco
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia
Não, são todos o ideal, se os oiço e me falam
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil
Ó príncipes, meus irmãos
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado
Poderão ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza
Argh! Estou farto de semideuses
Argh! Onde é que há gente? Onde é que há gente no mundo?
em Notícia > Corinthians encaminha acordo para rescisão de José Martínez
