Ricardo Müller
Que a torcida do Corinthians é diferenciada e não existe nada igual todo mundo está cansado de saber, já está batido ficar falando disso.
Mas até quando o clube vai ficar fazendo apologia à pobreza como se fosse algo bom e cultural?
Chega de hipocrisia barata somente para deixar as hienas de plantão batendo palmas. O Corinthians tem o estádio mais moderno e luxuoso da América do Sul, como chamam, Palácio de Mármore.
Então porque insiste nessa hipocrisia de romantizar a favela. Óbvio que existem pessoas excelentes que moram em favelas, assim como em todos os lugares, e o inverso também é tão verdadeiro quanto.
Mas o termo favela remete a pobreza e tantas coisas ruins que ninguém gostaria de viver e certamente sairia ou sairá na primeira oportunidade que tiver.
Isso é buscar engajamento barato, é se aproveitar de uma situação menos favorecida que infelizmente limita, muitas vezes, o discernimento das pessoas.
Ora, o Corinthians é um time popular em todas classes sociais, não é exclusivo de A, B ou C. Tão pouco favela é realidade apenas de corinthianos, mas também de torcedores de todas as outras equipes.
Romantizar a favela, que em última análise é o último lugar que alguém gostaria de viver, mas ter um estádio de elite, com preços de elite, uma camisa original que custa quase meio salário mínimo, é no mínimo muito hipócrita.
Inclusive jogadores ou técnicos e dirigentes que fazem esse tipo de alusão mas recebem milhões, moram em condomínios de luxo e desfilam de carrões.
Será que alguém em sã consciência realmente teria coragem de romantizar a pobreza? É somente oportunismo barato buscando engajamento justamente com uma parcela sofrida da população.
O termo favela deveria ser utilizado para cobrar governos, estrutura básica, saneamento básico, segurança, etc, ao invés de ser usado para exploração de uma paixão nacional que não é e nunca foi exclusiva da favela, mas é onde engaja por um custo infinitamente menor.
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