Corinthians vive novo 'Dia D' para quitar dívida milionária pela contratação de Garro com o Talleres
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Por Felipe Sales
O Corinthians tem até o fim desta terça-feira para acertar a dívida com o Talleres, da Argentina, pela contratação de Rodrigo Garro
Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Em meio a uma dívida superior a R$ 2,7 bilhões, esta terça-feira marca o prazo final para o Corinthians quitar o débito com o Talleres, da Argentina, pela contratação de Rodrigo Garro em 2024, e evitar um novo transfer ban da Fifa. Como revelou Andrés Fassi, presidente do clube argentino, as partes chegaram a um novo acordo para prorrogar o vencimento e evitar que o caso seja levado à Corte Arbitral do Esporte (CAS).
Segundo a ESPN, a diretoria alvinegra e o Talleres assinaram na última quinta-feira um termo de compromisso para quitação dos US$ 7 milhões líquidos (cerca de R$ 35,7 milhões na cotação atual) devidos ao clube argentino. O entendimento foi alcançado após esforço conjunto das diretorias para destravar as negociações.
O débito está relacionado à condenação imposta pela Fifa em fevereiro de 2025, no valor de US$ 3,6 milhões (cerca de R$ 18,7 milhões na cotação da época). Desde então, o Corinthians recorreu à Corte Arbitral do Esporte para evitar um novo transfer ban. As tratativas para um acordo permaneceram travadas durante meses em razão do desgaste na relação entre o presidente destituído Augusto Melo, responsável pela contratação de Garro em 2024, e a diretoria do Talleres.
Diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube do Parque São Jorge, o Corinthians precisou recorrer a uma operação para que a Outfield, empresa especializada em investimentos e negócios, assumisse a dívida com os argentinos. A manobra foi aprovada pelo Conselho de Orientação (Cori) do Conselho Deliberativo (CD) do clube.
Com isso, devido aos juros e demais custos da operação, a equipe alvinegra passará a dever US$ 8,5 milhões (cerca de R$ 44 milhões na cotação atual) à empresa, valor que será quitado em 26 parcelas mensais. Além disso, foi negociada uma taxa de juros equivalente ao CDI mais 1% ao ano, o que atualmente representa aproximadamente 15,4% anuais. Como garantia do acordo, contratos de direitos de televisão e de placas de publicidade foram incluídos na operação.
Apesar do avanço nas negociações, como apurou o Meu Timão, a diretoria alvinegra enfrentou dificuldades para captar os recursos necessários e atribui os atrasos à sequência de problemas extracampo vivida nas últimas semanas. Houve um entrave na conclusão da operação junto à Outfield, embora a situação tenha avançado significativamente na última semana.
Vale lembrar que, anteriormente, Andrés Fassi havia estabelecido a última sexta-feira, dia 12 de junho, como prazo final para o pagamento, sob a ameaça de levar o caso à CAS. No entanto, o dirigente resolveu conceder uma nova extensão diante da relação construída nos últimos meses.
“Aceitamos uma última prorrogação para demonstrar toda nossa disposição em chegar a um acordo. O Talleres tem sido excelente nos últimos três meses! E vemos que o Corinthians quer colaborar”, comentou o dirigente em contato com a ESPN.
Inicialmente, o clube argentino havia estabelecido o fim de maio como prazo para receber os valores. No entanto, atrasos na troca e validação das minutas contratuais, iniciadas ainda em abril, fizeram com que a data fosse adiada.
Desde o início de 2026, o Corinthians conseguiu reabrir o diálogo com os argentinos até costurar o acordo. Fassi demonstrava resistência em negociar por causa da relação desgastada com Augusto Melo, que, segundo relatos, não respondia às tentativas de contato do dirigente durante seu mandato.
Com a chegada de Osmar Stabile à presidência, porém, as conversas avançaram. O mandatário corinthiano esteve pessoalmente em Córdoba para se reunir com Andrés Fassi, gesto que foi bem recebido pela diretoria do Talleres. Em abril, Stabile afirmou que o Cori havia dado aval ao plano financeiro elaborado para a quitação da dívida.
Além disso, o presidente estruturou um grupo interno voltado à reorganização financeira do clube, que acabou sendo dissolvido no início de maio após as saídas dos coordenadores André Recoder e Gabriel Diniz Abrão. O departamento teve participação importante na resolução das pendências com o Santos Laguna, do México, pela contratação de Félix Torres — situação que encerrou o último transfer ban imposto pela Fifa —, além das negociações envolvendo Matías Rojas. O mesmo grupo também participou das tratativas com o Talleres.
Enquanto o impasse segue nos bastidores, Rodrigo Garro continua sendo uma das principais peças do elenco alvinegro. Em 2026, o meia soma 33 partidas, com dois gols marcados e 11 assistências, liderando o ranking de passes para gol na temporada. Atualmente, a equipe vive um período de férias até o dia 25 de junho durante a pausa no calendário para a Copa do Mundo.
Transfer ban ativo e salários atrasados

José Martínez deixou o Corinthians no início de 2026
Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Em 21 de maio, o Corinthians voltou a aparecer na lista de clubes impedidos de registrar novos jogadores pela Fifa. A punição foi aplicada em razão de uma dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez, que teve o contrato rescindido no início deste ano após se atrasar para a reapresentação do elenco e se apresentar com uma lesão no ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho.
A condenação foi imposta pela Fifa ainda em setembro de 2025. Na ocasião, o clube do Parque São Jorge foi obrigado a pagar 1,425 milhão de dólares (cerca de R$ 7,4 milhões na cotação atual), valor acrescido de juros de 15% ao ano. O Timão recorreu à Corte Arbitral do Esporte, mas não efetuou o pagamento e segue sob transfer ban até a regularização da pendência.
Além da restrição para registrar novos atletas nas próximas três janelas de transferências, o Corinthians também enfrenta dificuldades para manter em dia os compromissos com o elenco profissional.
Pelo segundo mês consecutivo, a diretoria alvinegra atrasou o pagamento dos salários dos jogadores e da comissão técnica comandada por Fernando Diniz. Conforme soube a reportagem do Meu Timão, os vencimentos referentes a maio deveriam ter sido depositados no quinto dia útil de junho, mas ainda não foram quitados.
A situação repete o cenário do mês anterior, quando os salários de abril também foram pagos com atraso. Na ocasião, jogadores e comissão técnica receberam os valores cinco dias depois do prazo, enquanto os demais funcionários tiveram os vencimentos quitados normalmente.
Neste momento, não há previsão oficial para a regularização dos pagamentos entre os atletas. Internamente, porém, a diretoria trabalha para evitar que o atraso se prolongue. Em contrapartida, na última segunda-feira, o Corinthians pagou os vencimentos de maio aos funcionários do clube. Os valores foram depositados somente aos profissionais contratados como Pessoa Jurídica (PJ), e não aos jogadores.
Agora, além de administrar uma dívida que supera os R$ 2,7 bilhões, o Timão também precisa resolver a pendência com o Philadelphia Union, colocar os salários em dia e solucionar o imbróglio com o Talleres.
