Postura de barriga cheia após grande vitória — e a torcida também precisa acordar
Sabe o que mais me irrita nesse momento do Corinthians? É ver um time que mostrou do que é capaz contra o Internacional, um adversário fortíssimo, e poucos dias depois entrega uma atuação vergonhosa contra o América de Cali, que é tecnicamente muito inferior. Contra o Inter, o time teve raça, vontade, concentração. Contra o América, entrou em campo como se a missão já estivesse cumprida. Time de barriga cheia.
Mas não é só o elenco que está devendo. A torcida também. E eu falo como corinthiano que vai ao estádio, que paga caro, que já deixou conta importante atrasar pra poder ver o time de perto duas ou três vezes por ano. E o que eu vejo lá? Uma torcida calada, que não cobra, que não protesta, que parece ter virado refém desse rótulo de “fiel” como se isso significasse aceitar tudo de cabeça baixa. Isso é um erro.
Nos anos 90 e começo dos 2000, a torcida do Corinthians vaiava sim quando o time merecia. Levava faixa cobrando reforço, protestava contra o Dualib, mostrava que não aceitava apatia em campo. Isso era ser torcedor. Hoje, se você reclama no estádio, corre o risco de ouvir um mimizento dizendo que não pode, que temos que apoiar incondicionalmente, que 'não se vaia o time'. Me desculpa, mas isso é papo de quem nunca viu o que é cobrança de verdade vinda da arquibancada.
Ser fiel não é ser otário. A gente ama o clube, não esses jogadores ou dirigentes passageiros. Se o time entra em campo sem alma, a gente tem o direito — aliás, o dever — de cobrar. Chega de passar pano. A torcida precisa voltar a ser parte ativa do clube, cobrar, pressionar, exigir respeito. Porque enquanto a gente estiver aplaudindo apatia, eles vão continuar jogando com a barriga cheia. E quem sai perdendo somos nós, que sacrificamos tanto pra estar lá.
107 pessoas visualizaram esse tópico - Denunciar tópico



