SAFIEL: Tem que ser muito otimista pra acreditar que vai dar certo

Fala, Fiel!

O projeto SAFIEL, proposto por torcedores como uma alternativa à tradicional SAF, voltou a ser debatido entre a torcida. A ideia parece boa no papel: transformar o futebol do Corinthians em uma empresa, levantar dinheiro com a torcida e investidores, e usar essa grana pra pagar dívidas e melhorar a gestão do time.

Mas será que funciona na prática? (leia tudo antes de vir deixar seu elogio nos comentários)

O que é o SAFIEL?

O SAFIEL propõe criar uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol) com base popular. Ao invés de vender o controle do futebol para uma empresa estrangeira, o projeto quer que a torcida vire sócia. Como? Comprando cotas de R$ 50 até R$ 10 milhões.

Com isso, a meta seria arrecadar até R$ 1,5 bilhão. Esse dinheiro seria usado para pagar as dívidas do clube, especialmente a da Neo Química Arena, e para tornar o futebol do Corinthians financeiramente saudável.

Mas esse dinheiro vem de onde?

Essa é a primeira dúvida séria.

A proposta parte do princípio de que a torcida e alguns investidores “fiéis” vão colocar o dinheiro. Só que a realidade não é tão simples, como a vaquinha para a quitação da arena está demonstrando.

Vamos ser sinceros: tem que ser MUITO otimista pra acreditar que isso vai acontecer.

Fiz uma simulação usando a IA com números reais (o site não aceita tabela, então resumi aqui):

Considerei as receitas médias do futebol do Corinthians: bilheteria, patrocínio, TV, venda de jogadores. Projetei três cenários para os próximos 5 anos:

No cenário conservador (time mal, gestão fraca, pouco crescimento), o investidor perde mais de 60% do dinheiro investido.
No cenário intermediário (crescimento moderado, gestão razoável), o investidor praticamente empata. Fica 5 anos com o dinheiro parado pra ganhar quase nada.
No cenário otimista (gestão profissional, bom desempenho, valorização), o investidor pode até dobrar o que colocou.
Resumindo: só vale a pena do ponto de vista de investimento se tudo der MUITO certo. E a gente sabe que, no Corinthians, as coisas costumam ser bem mais difíceis.

Pontos positivos da ideia:

Permite que a torcida participe diretamente da reconstrução do clube.
Evita entregar tudo pra investidores estrangeiros, como aconteceu em outros clubes.
Pode trazer uma gestão mais profissional, se for bem organizada.

Problemas sérios:

Arrecadar R$ 1,5 bilhão com a torcida e investidores é improvável.
Exige mudança no estatuto do clube, e isso depende de jogo político e lá nem todo mundo quer o bem do Corinthians.
Sem garantias de transparência, a SAF pode cair nas mesmas práticas ruins de hoje, só com um nome bonito.
Pode causar divisão entre torcedores que podem investir e os que não podem.

Ou seja...

A SAFIEL é uma ideia inovadora, mas extremamente difícil de colocar em prática. Não basta boa vontade. É preciso dinheiro, governança, competência e uma torcida organizada e unida num nível que raramente vemos quando o assunto é política do clube.

Se nem conseguimos arrecadar dinheiro suficiente pra ajudar a pagar a Arena, como vamos levantar R$ 1,5 bilhão pra salvar o futebol?

Se você pensa em apoiar esse projeto, faça isso com os olhos abertos. Ele só dá certo com organização impecável, gestão profissional e apoio massivo. Sem isso, vira mais uma ideia boa que morre na praia.

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