O círculo vicioso de Carille

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Vinicius #793 @vinicius.reboucas1 em 12/08/2019 às 06:04

Primeiro é preciso deixar claro que empate na casa do adversário é sempre bom resultado. Indiscutível. Contudo, o desempenho do Corinthians é passível de críticas e precisa melhorar. Para isso Carille precisa revisar alguns pontos nesse esquema dele.

Nem é preciso ser um expert para notar que é uma ideia ruim forçar o 4-2-3-1 ou o 4-1-4-1 com as peças que o Corinthians dispõe hoje. Do jeito que são usados, são formações que parecem irmãs gêmeas. Nem dá para saber onde uma começa e outra termina. Exigem do elenco uma preparação física absurda para correr de uma grande área a outra, graças à mentalidade defensiva (lê-se retranca). Algo que resulta em três pontos: SOBRECARGA DOS PONTAS, a responsável geração da BAIXA PRODUTIVIDADE OFENSIVA, que é mãe da ESCASSEZ DE GOLS.

Um círculo vicioso digno da espiral da OGX, que foi da ascensão astronômica à queda vertiginosa graças à teimosia do próprio CEO, Eike Batista. Mas será que Carille entende de gestão empresarial?

Provavelmente não. E vamos a outros três pontos que exemplificam isso.

1- É IMPORTANTE OUVIR E ENTENDER O AMBIENTE

Coisa que nosso técnico provou por A + B que nunca esteve disponível em fazer. Defende suas peças preferidas e mantém sua estratégia que se resume em defender no primeiro terço do campo a qualquer custo. Não é novidade e não entraremos nesse mérito. No entanto, essa retranca passa a falsa sensação de solidez defensiva. Como é possível notar na imagem a seguir, há furos nesse queijo.

Nove jogadores do Timão estão dispostos, como sempre, em duas linhas de marcação dentro de uma faixa de 12 a 13 metros a frente da grande área.

Por sua vez, quatro jogadores colorados participam ativamente do lance. Três deles como opções viáveis de passe. Outros três apoiadores estão posicionados um pouco atrás, completamente livres de marcação. Na continuidade, Nico López recebe o passe de D'Alessandro e mete um peito de pé para fora. Se ele 'chapa' a bola no canto direito de Cássio era caixão e vela. Azar o dele, sorte nossa.

Não foi a primeira vez que vimos isso. Nem será a última nesta temporada. Quando não falta qualidade no arremate, sobra qualidade em (São) Cássio. Mas ele é humano. Passível de falhas, como contra o Flamengo. Assim como Gil, que resolveu muita coisa na zaga mas um certo Michael (que não nenhuma Brastemp) já mostrou o caminho para anulá-lo.

2- RECONHEÇA LIMITES DA EQUIPE E PROPONHA DESAFIOS QUE POSSAM SER CUMPRIDOS

A principal opção ofensiva do esquema de Carille é partir em um contra-ataque pelos flancos. Com a bola no pé, o time toca de lado e para trás à exaustão. Pragmatismo puro.

A causa está na ausência de armadores no meio-campo, que é povoado por dois pontas (sofredores), um cabeça de área, um segundo volante e um central. Os dois últimos utilizados como distribuidores de jogo. Caras que estão lá para entregar a bola aos pontas durante a transição. Nada além. Não possuem o necessário para encarar defesas adversárias armadas e abrir espaços pelo meio. Qualidades existentes nos meias de ofício (Jadson, Matheus Vital e, até mesmo, Régis).

Não é à toa que se espera dos pontas velocidade, habilidade, improviso, profundidade, infiltração, assistência e arremate. Tudo executado com perfeição. É muito. Sobrecarrega Pedrinho e Clayson. Ocasionalmente Everaldo e Ramiro. Eles jogam, cada um, em uma extremidade do campo. Não se comunicam a menos que haja um evento muito extraordinário em campo que os leve a trocar dois passes suficientes para uma mísera tabela. Sem contar que precisam marcar o lateral adversário até a linha de fundo do próprio campo, como Clayson fez no lance destacado acima.

Com uma bigorna nas costas, os pontas precisam do apoio dos laterais. É por isso que Fagner está para o Corinthians tal qual Arrascaeta está para o Flamengo e Messi está para o Barcelona. Algo que não deveria acontecer, já que Fagner é defensor.

...não esqueçamos que Avelar está para o Corinthians tal qual um tumor está para um enfermo.

3- ANTECIPE-SE AO PROBLEMA COM SOLUÇÕES VIÁVEIS

Nesse esquema é impossível ser (e ter) um centravante no Corinthians. Quem está nessa função transforma-se em uma ilha, geralmente de costas para o gol, que precisa armar a jogada para ele mesmo finalizar ou quem sabe tentar um passe (espírita) para quem chega de trás. Não dá. Presa fácil, como mostra a imagem abaixo.

É preciso notar que os três apoiadores se apresentam ao ataque ainda em linha. Ou seja, atacam exatamente como defendem. Ombro-a-ombro. Love fica sem opções de passe próximas a ele. Motivo para Junior Urso (!) avançar além da conta e preencher um espaço que não lhe compreende. Espaço que deveria ser povoado por Clayson, Pedrinho ou Sornoza.

Identificado o problema, a solução para haver o mínimo de articulação é um falso 9 centralizado que faça o pêndulo na entrada da área. O elo entre os pontas de pés trocados (ainda por cima), que avance junto e recue com o bloco ofensivo, evitando isolamentos e impedimentos.

Carille sabe disso (pasme) e tenta com Vagner Love resolver essa falta de compactação no ataque. Love também tenta ser 'o cara' para isso mesmo ciente de que lhe falta o necessário para tal. Velocidade, qualidade técnica e fôlego, principalmente. A realidade é dura.

Como o time defende em duas linhas, não existe compactação ofensiva quando a bola é roubada. Só correria mesmo. O 'frente' do ataque não passa de uma figura decorativa à espera de um milagroso passe. Errando ao tentar acertar, errando ainda mais quando tenta se redimir.

Para completar o quadro bizarro, já que está sem ter o que fazer em sua função, o cara tenta colaborar em outra. Quase sempre dá em m*. A exemplo do próprio Love, que acabou como último homem de marcação na jogada que resultou no gol sofrido contra o Palmeiras. Ou das inúmeras vezes em que Boselli foi expectador de luxo. Não diferente de Gustavo, apesar do abismo de aproveitamento entre eles.

Passa a régua e saudações corintianas!

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Digão Pereira #7.276 @digao994 em 12/08/2019 às 21:55

Campeão brasileiro e tricampeão paulista, daqui a pouco se pá ganha até a sulamericana, mas nãããão... Péssimo técnico esse Carille! Bão é o Gabriel, né Bielzão? Cê é O CARA mano!

Gabriel #1566 @gabriel.ribeiro.de.c em 12/08/2019 às 19:01

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'um empate fora de casa em padrão de jogo'

Na verdade são 8 meses de trabalho e esse padrão de jogo com medo de vencer, as vezes trás resultado, mas com a qualidade do elenco poderia apresentar mais futebol, aliás, muito mais.

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Mario Campos @maroin em 12/08/2019 às 21:13

Excelente!

Existe uma palavra só para explicar Carille: conviccção.

O problema é que ele é tão convicto das coisas que vira pragmatismo. Ele botou na cabeça dele algumas premissas:

1- Solidez defensiva: Mesmo que tenha que afundar os pontas até a linha de fundo. E ainda desejar que o time chegue inteiro no ataque.

2- O tal papo de 'recuperar jogador': Uma verdadeira obsessão dele é pegar jogador em má fase e acreditar até dar merda.

3- Insistir em mudar o jogador para funções que não se sente confortável: Foi assim jogando o Love pra ponta, jogando o Pedrinho pra Ponta e dizer que Matheus Jesus não disputa posição com Urso.

E no fim conviccção vira teimosia. Que trava a evolução.

É só ver o pós copa: tá claro que Sornoza, Urso e Love estão em má fase e os empates que sofremos vem muito dessa insistência.

Por outro lado quando estiveram Vital, Boselli e Matheus Jesus o time fluiu nas triangulações, não sobrecarregou os pontas e criou oportunidades, tudo isso sem sofrer lá atrás.

E ainda acho que ele vai piorar essa teimosia ainda mais, quando Ralf se recuperar ele vai manter o Gabriel? (que voltou a jogar e deu outra saída de bola que não tínhamos). Acho que não.

O pós copa nos deu a sensação que esse time pode ganhar as duas competições, mas a conviccção de Carille já nos fez perder 4 pontos em casa e mais 2 extras domingo. Com certeza já estariamos ali em cima próximo dos líderes.

Nobody From Nowhere @nobody.from.nowhere em 12/08/2019 às 21:11

E ganhávamos de 1x0 e todo mundo reclamava... E quase perdemos o campeonato por causa desse mesmo pessoal que parou de jogar 'o fino da bola'...
Comparação? Não... Ser humano com vontade de ganhar.

Mas o esquema de jogo era o mesmíssimo!

David #9402 @corinthinaspenta em 12/08/2019 às 16:42

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Só que tínhamos Rodriguinho e Jô jogando o fino da bola além de Arana e Maycon sem comparação meu jovem...

Kleysson S #5.934 @kleysson.s em 12/08/2019 às 20:58

Legal cara

Geraldo Martins Riera Filho #9.195 @griera em 12/08/2019 às 20:49

Parabéns pelo texto. Vinicius, o que complica ainda mais é que Love e Clayson estão em má fase técnica, a bola bate lá e volta, aí eles tem de correr mais ainda para recuperar. Do pouco que vi do Everaldo, pareceu-me ser bem mais objetivo do que Clayson, enquanto que Boselli dá mais opções para quem vem de trás. Talvez fossem uma opção melhor.

Carlos Augusto Lima Pereira #637 @carlos.augusto.lima. em 12/08/2019 às 20:46

Eu sou cego, só enchergo títulos, não time que parece estar bem e na hora h morre na praia, sou resultados!

Gabriel #1566 @gabriel.ribeiro.de.c em 12/08/2019 às 19:02

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Criticar um não significa elogiar o outro, qual a dificuldade?

Carille tem peças de qualidade e tempo consideravel de trabalho para apresentar mais do que vem apresentando, simples assim, só um cego não vê

Mizael Senhorinho #3.411 @mizael.senhorinho1 em 12/08/2019 às 20:36

Colocar o nome dele de professor paredão

Lazaro Oliveira Gomes @lazaro.oliveira.gom2 em 12/08/2019 às 20:32

Puta que obpariu até que fim uma leitura doque é o atual Corinthians...

O Timão é grande e não só isso o que o Carille faz...

Anisio Molim #94 @amoamolim em 12/08/2019 às 20:32

Ninguém aguenta mais, somente o gado.

amanda #384 @amandsilv em 12/08/2019 às 20:21

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Tudo o que não aguento mais é retranca

"ale" Alexandre A. Justino S.c.c.p. #1.587 @alexandre.sccp1 em 12/08/2019 às 20:28

Difícil esse panorama.

Muita coisa tem que mudar