Autor de gol histórico avisa: 'corintiano preferia Paulista de 77 a Libertadores'

Autor de gol histórico avisa: 'corintiano preferia Paulista de 77 a Libertadores'

Gol histórico, público recorde, jejum de títulos e importância do Campeonato Paulista. Foi sobre tudo isso que falou o simpático Zé Maria a respeito do inesquecível jogo de 1977 contra o Internacional (primeiro do Corinthians na história na Copa Libertadores). No sofá de sua casa, localizada na Zona Norte de São Paulo, o ex-lateral direito se esparramou, vestiu uma camisa corintiana de 2005 - "não tenho mais nenhuma das antigas, dei todas" -, reviu um vídeo de seu gol histórico, falou sobre a "sina" corintiana na Libertadores, disse que a "maldição" começou no gol de Vacaria e narrou passo a passo daquela tarde no Morumbi.

Quase 100 mil pessoas estiveram no estádio para assistir ao Corinthians entrar em campo com: Jairo; Zé Maria, Moisés, Zé Eduardo e Vladimir; Givanildo e Basílio; Palhinha, Vaguinho, Geraldão e Edu. Era a base do time vice-campeão brasileiro no ano anterior, derrotado justamente pelo Internacional. O time paulista enfrentava, na época, o maior jejum de títulos de sua história, além do poderoso rival gaúcho, comandado por Falcão e companhia.

"Foi um negócio estrondoso, a expectativa que se abriu no torcedor foi algo muito grande. Entramos no embalo, e achávamos que conseguiríamos pelo menos passar a primeira fase. E tínhamos a disputa interna com o Internacional, o grande time da época. Como vínhamos daquele resultado de 76 sabíamos que poderíamos ter uma participação melhor ao longo do ano seguinte", definiu Zé.

Mesmo na fila, o time alvinegro era o grande campeão paulista, com 15 títulos (o Santos tinha 13, contra 10 de Palmeiras e São Paulo), e a competição regional era o grande desejo dos clubes. Mais até que os torneios nacionais, pois as disputas internas eram mais valorizadas, e os Estaduais maiores. Para se ter uma ideia, o Corinthians triunfou em 77 após atuar em 48 partidas - em 2012, o máximo são 23 jogos.

"Participar da Libertadores era um sonho, mas não era a menina dos olhos. A menina dos olhos era o Paulista, e o próprio torcedor queria o Paulista e o preferia", explicou Zé Maria. "Mas não tinha a obrigação de priorizar o Campeonato Paulista. Queríamos ganhar a Libertadores também, era a primeira do clube e queríamos desempenhar nosso papel. O Santos já tinha ganhado, o Cruzeiro também. E o Corinthians não era um time de fazer jogos internacionais, isso era muito difícil".

Embalado pelo público gigantesco, o Corinthians partiu para cima do rival. Vivia-se nos anos 70 o auge do "corintianismo": para se ter uma ideia, apenas nos anos de 76 e 77 o time teve 10 de seus 40 maiores públicos, e o duelo contra o Internacional é o único desta lista que representa um jogo de Libertadores. Dessa forma, a equipe acuou o adversário com um desejo especial de vingança pela derrota na final do Brasileiro no ano anterior. E não demorou para sair o gol: aos 16min da etapa inicial.

"Eu dividi com o Caçapava, derrubei, dividi de novo, ganhei, quase caí, corri, tabelei com o Palhinha, entrei na bola com o Manga, ele quis dar um tapinha, quase que perdi, mas fiz o gol", narrou Zé Maria, que atravessou com a bola desde seu campo de defesa até chegar à meta colorada. "Acho que foi o primeiro gol do Corinthians na história da Libertadores", pensou, antes de sorrir ao descobrir que, de fato, foi.

"Fizemos um gol logo no começo, e o Corinthians jogou bem, era um jogo muito difícil, mas esperávamos o resultado, sonhávamos com isso. Foi um jogo bem disputado, lembrou a final de 76, mas tínhamos o apoio da torcida, o time entrou diferente, sabíamos que buscaríamos o resultado e esse seria um jogo-chave na nossa caminhada", contou Zé, aos poucos relembrando de cada detalhe da partida.

O jogo parecia até uma reedição da final de 76. Com Manga; Cláudio Duarte, Marião, Hermínio e Vacaria; Caçapava, Falcão, Valdomiro e Batista; Dadá Maravilha e Pedrinho, o Inter tinha um time mais técnico em campo, mas encarava a raça e disposição corintiana, orquestrada pela massa alvinegra nas arquibancadas. Dessa forma, o Corinthians levou a vantagem no placar até o final do primeiro tempo, indo com o triunfo parcial aos vestiários.

"O grande resultado nosso seria contra o Internacional. Era começo do ano, vínhamos da euforia de 76, da invasão do Maracanã. Perdemos em 76 contra o Inter, e a Libertadores vinha como esperança, sonho. Nessa Libertadores achávamos que nosso grande resultado tinha que ser contra o Internacional. Ainda tínhamos o Cuenca depois, mas sabíamos, tínhamos certeza que seria contra o Internacional", definiu Zé Maria sobre o clima no intervalo. "Estávamos animados". Mal sabia ele que duraria pouco...

Autor de gol histórico avisa: "corintiano preferia Paulista a Libertadores"

Fonte: Terra.com

Enviado por: Genilson de Guarulhos

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