Exigentes, mães esperam gols, vitórias e muitos títulos como presente

Exigentes, mães esperam gols, vitórias e muitos títulos como presente

Mãe de Paulinho é um das maiores fãs do filho, imprescindível no Timão

Mãe de Paulinho é um das maiores fãs do filho, imprescindível no Timão

Foto: Reprodução L!TV

Naquele sábado, tudo o que Rosângela Cortez Cardoso queria era não voltar para casa. Chamou a mãe e lá foram as duas para a Igreja. Depois da missa, ela esperou mais um pouco. Era dia de casamento, quem sabe não poderia esperar por ali até o retorno? Não deu certo. Nenhum casal se prontificou a ajudá-la.

Ela voltou, a passos lentos, e, quando chegou na sala, lá estava o que mais temia: o clássico na Vila Belmiro entre Santos e Palmeiras havia ido para os pênaltis. Dia de decisão das quartas de final do Paulista. Emoção grande para qualquer torcedor palestrino. Para Rosângela, porém, era mais do que isso. "Eu pensei: se o Bruno tiver alguma falha, a torcida vai execrá-lo. Mãe de goleiro é um sofrimento, não tem jeito", conta a matriarca, que jura já ter superado a fase de nervosismo ao ver o filho mais velho, goleiro do clube alviverde, entrar em campo.

O Palmeiras não se classificou para a decisão. Com boas defesas de Bruno, mas dois pênaltis perdidos, a vaga ficou nas mãos dos santistas, que neste domingo fazem o primeiro jogo da final do Estadual com o Corinthians no Pacaembu. Por isso, Rosângela terá alguns dias de descanso antes de ver o filho e o time disputarem as oitavas de final da Copa Libertadores, nesta terça-feira.

Se as matriarcas palmeirenses estarão mais tranquilas neste fim de semana, as corintianas já preparam o coração. É o caso de Maria de Lourdes Ramos, que assim como Rosângela, sabe o quanto é difícil lidar com a pressão da torcida quando o filho erra na defesa. Coruja, porém, ela diz ser pouco cobrada. "É só elogio! Mesmo quando ele falha no gol, que são poucas vezes, né?", garante a mãe do goleiro Cássio, do Corinthians.

E quando a mãe é torcedora quase que fanática as coisas ficam ainda mais complicadas. Erica Lima do Nascimento cobra atitude de Paulinho. Ela sabe que ele é o "elemento surpresa" do Corinthians, seu time do coração, e que pode fazer a diferença neste domingo. "O que aconteceu que você estava meio devagar?", diz ao volante quando não está lá muito satisfeita. Sem titubear, ele explica todas as suas ações dentro de campo para a (sua) mais fiel torcedora. Pudera. Aos 58 anos, é ela quem conhece melhor as qualidades e defeitos do filho caçula.

Mãe de dois meninos, Erick e José Paulo, a "baixinha" sempre incentivou os dois filhos a se tornarem profissionais. "Eu acordava todos os dias às 5 horas e já batia na porta, metia o pé mesmo, para ele levantar e ir treinar", conta.

Na cola do filho, Neuza de Souza, mãe do zagueiro santista Edu Dracena, também é exigente. "Sou crítica. Tenho de falar se eu vejo que está errado. Desde as categorias de base conversamos, sempre foi assim."

E a marcação não era só para alavancar a carreira dos filhos dentro de campo. A vida escolar não podia ser deixada de lado. Bruno entendeu bem o recado da mãe Rosângela e hoje agradece pelos conselhos. "Uma das coisas que ela sempre me cobrou muito foi o estudo. Se hoje eu sou formado é graças a ela", afirma o goleiro palmeirense, que sonhava em ser dentista, mas se graduou em Educação Física.

Mesmo com trajetórias diferentes, a dedicação e o apoio de cada uma delas foram essenciais para que os sonhos de seus jovens atletas fossem além das 'peladas' no chão da cozinha e da sala de casa. Puxado pelas mãos da mãe, muitas vezes com o dinheiro emprestado de amigos, Paulinho teve de driblar a origem pobre e experimentar o mundo nos clubes de bairro e, mais tarde, com 17 anos, na Lituânia e na Polônia, até chegar à seleção brasileira.

Para muitos, a vontade de se tornar profissional custou caro. No mesmo barco alvinegro, a história da dupla Erica e Paulinho se confunde com a de Ivone Mazzochi Bachi e de seu filho Adenor, o Ade, ou o Tite, como se costuma dizer. "Eu trabalhava em casa e guardava dinheiro pra ele poder ir fazer os trabalhos dele no campo e fazer a merenda. Quando não tinha dinheiro, ele passava fome. Mas ele sempre se virou", conta emocionada a mãe do técnico do Corinthians.

Com 78 anos, Dona Ivone não esconde a saudade que sente do filho, que saiu de Caxias, no Rio Grande do Sul, para ser campeão do mundo no Japão. "O Grêmio veio em casa, pegou meu guri e levou. Quando ele chegou lá, ele começou a se lembrar da mãe e disse: 'Não, eu quero ir pra casa'. Ele voltou. Mas logo depois ele resolveu que ia, foi caminhando, o ratinho, e está aí", conta orgulhosa, entre uma história e outra.

Do outro lado da torcida, Iolane Aparecida Arouca, a mãe do volante santista Arouca, conhece bem a dor causada pela ausência do filho por causa da profissão. "O Arouca saiu de casa pela primeira vez aos 11 anos. Depois, com 13, ele foi para o Fluminense. Mas toda vez era aquela choradeira."

Para diminuir a distância e a saudade, Iolane deixa a casa onde mora em Duas Barras, no Rio de Janeiro, e visita a Vila Belmiro sempre que pode. Neste domingo ela não estará presente no jogo - vai passar o dia das mães com o resto da família - mas, segundo Arouca, a torcida da mãe carioca traz sorte ao Santos. "Ela é pé quente", garante o volante.

Se a presença da matriarca no estádio é sinônimo de bons resultados, então Cássio está fazendo o seu papel. Em São Paulo há um mês, Maria de Lourdes vai passar ao lado dos dois filhos na arquibancada, torcendo para que o caçula faça boas defesas. "Eu vou para o jogo agora e levo uma velinha de Santa Rita de Cássia. O pessoal na torcida já me conhece."

Dona Neuza, mãe de Dracena, adiou o Dia das Mães para o próximo domingo, quando estará na Vila com a família para, ela espera, receber o presente: o título paulista. Longe ou perto, uma coisa é certa: todas estarão contendo a emoção, mais uma vez, para dar força aos filhos.

A imagem gigante de Paulinho na parede da casa de Erica deixa claro o que todas elas têm em comum. Pouco importam as noites mal dormidas, a bagunça que eles cismavam em fazer jogando bola dentro de casa, as incontáveis dificuldades até verem os filhos alcançarem o reconhecimento. Tudo isso é pequeno para o orgulho que elas sentem. Orgulho que é mútuo e que o volante corintiano deu um jeito de tornar sempre visível. Quando entrar em campo hoje, sob os gritos do bando de loucos, lá estará o nome da mãe gravado no braço direito.

Fonte: msn esportes

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