Paixão nas Américas: a vida de um corinthiano fanático que vive há 20 anos nos EUA

Paixão nas Américas: a vida de um corinthiano fanático que vive há 20 anos nos EUA

Por Mayara Munhoz e Vinícius Silva

O amor do corinthiano pelo clube do Parque São Jorge é algo inexplicável. Sentimento esse capaz de lotar o Maracanã com mais de 70 mil “loucos”, como em 1976, ou invadir o Japão, feito ocorrido há dois anos. A história do funcionário público Leonardo Carvalho, 38 anos, é uma entre milhares que comprovam: a lealdade da torcida do Timão é sem igual.

Nascido na zona leste de São Paulo, Leonardo sempre “respirou” Corinthians. Da idas ao estádio do Pacaembu durante a adolescência, surgiu a oportunidade de juntar-se a uma das maiores torcidas organizadas do clube. Contudo, após o divórcio de seus pais, o fanático corinthiano teve de deixar o bairro de Itaquera, onde morava até então, e mudar-se para a cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

O início da experiência em solo americano não foi dos mais simples. “Em 1995, era muito difícil acompanhar o futebol brasileiro fora do país. Até que, aos poucos, a tecnologia encolheu o mundo e agora me sinto como se morasse em São Paulo”, explica Leonardo.

A distância entre as Américas não diminuíram sua paixão pelo Alvinegro. Há 20 anos no exterior, o corinthiano continua acompanhando de perto todas as notícias relacionadas ao seu clube do coração. Em uma de suas redes sociais, compartilha histórias e experiências, como a que teve durante a vinda do Timão aos Estados Unidos, no início de 2015.

“Nem pensei duas vezes, comprei o ingresso no exato segundo que abriram as vendas na internet. Não fui até a Disney para o jogo contra o Colônia-ALE, somente no segundo jogo da pré-temporada contra o Bayern Leverkusen-ALE. Estava muito ansioso, muito nervoso, muito feliz em reencontrar o Coringão”, conta.

Em entrevista exclusiva ao Meu Timão, o corinthiano relembra o início de sua rotina nos Estados Unidos, as dificuldades em acompanhar o Timão fora do país e a conquista do Mundial de Clubes no Japão.

Confira a entrevista na íntegra

O que te fez mudar para fora do Brasil? O que fazia aqui antes da mudança?

Em 1984, meu pai recebeu uma proposta de trabalho em Nova Iorque, veio e ficou. Depois de conseguir o green card e a naturalização, as portas se abriram pra mim como seu dependente direto. Depois de muita pressão familiar eu vim pra cá, em setembro de 1995, pra fazer os dois últimos anos do colegial. Antes da mudança, eu morava em Itaquera, trabalhava de dia em uma empresa de RH, na Praça da Republica, e estudava em uma escola estadual a noite. Com essa vida corrida e maluca, muitos achavam loucura que eu não quisesse vir para Nova Iorque. Mas eu sempre amei nossa cidade de São Paulo, nosso lindo país e esse doce mistério da vida chamado Corinthians.

Como é a sua rotina nos Estados Unidos?

Ao contrário do que muitos pensam: ‘Ah, esse aí (sic) mora em NY, vida fácil, é coxinha...’, tenho um dia a dia bastante puxado. Estudei bastante e trabalho muito, lutei pra caramba e hoje sou funcionário publico federal há 11 anos.

Como era a sua rotina em relação ao Corinthians aqui no Brasil? Você ia aos estádios?

Minha rotina era: Corinthians no café da manhã, almoço, janta e também na sobremesa (risos). Me apaixonei cedo, me associei aos Gaviões da Fiel e vivia nos estádios, além dos jogos na capital. Sempre que dava eu viajava também, fui a Santo André, Campinas, Bragança Paulista, Ribeirão Preto entre outras. Também gostava muito de ir aos treinos nos sábados pela manhã no Parque São Jorge. Morei na Penha quando bem jovem e ainda tenho família na Vila Carrão e no Tatuapé.

Como você faz para assistir aos jogos? Consegue ver todos?

No início, eu era o torcedor corinthiano que mais sofreu no mundo pois tive uma mudança de vida muito radical. Em 1995 era muito difícil acompanhar o futebol brasileiro fora do país. Até que, aos poucos, a tecnologia encolheu o mundo e agora me sinto como se morasse em São Paulo. Canais de televisão por assinatura, aplicativos das rádios paulistanas e as redes sociais me colocam no meio de tudo, acompanho todos os passos do Timão sem maiores problemas. Obvio que a emoção de estar dentro do estádio, no meio da Fiel cantando por 90 minutos, é algo insubstituível. Sinto muita falta disso.

Como você explica para seus amigos americanos a sua paixão pelo Corinthians?

Tenho sorte, pois meus amigos americanos são grandes torcedores de seus respectivos esportes. Muitos são sócio-torcedores de times da NFL (National Football League), NBA (National Basketball Association), NHL (National Hockey League) e MLB (Major League Baseball). Eles entendem completamente minha paixão e devoção, e se interessam muito em saber curiosidades do mundo da bola.

No início do ano você teve a chance de acompanhar o Corinthians na Flórida. Como foi?

Corinthians na Flórida? Nem pensei duas vezes, comprei o ingresso no exato segundo que abriram as vendas na internet. Não fui até a Disney para o jogo contra o Colônia-ALE, somente no segundo jogo da pré-temporada contra o Bayern Leverkusen-ALE. Estava muito ansioso, muito nervoso, muito feliz em reencontrar o Coringão. Mas tinha um certo medo que jogassem com uma certa “preguiça” pois, afinal, era apenas um amistoso – preguiça e má vontade não se encaixam no meu vocabulário, mas felizmente jogaram muito e venceram os alemães. Fato curioso foi que me hospedei no mesmo hotel do Corinthians, em Jacksonville. Mas depois do jogo a delegação voltou direto pra Orlando e não tive a oportunidade de conhecer ninguém.

Conte algumas histórias curiosas que viveu para acompanhar o Timão a distância...

Todas as férias que tenho aqui planejando minhas idas ao Brasil, a primeira coisa que faço é olhar toda a tabela do Timão e encaixar uns jogos. Fui no Mundial de 2000, em um certo 2 a 2 contra um tal time de Madri (Real Madrid-ESP). Na Libertadores de 2003, fui a todos os jogos em casa na primeira fase, também fui na semifinal do Paulistão de 2003, no Morumbi , em um belo 4 a 2 contra o Palmeiras. Jogo muito especial, pois finalmente consegui convencer minha mãe a ir ao estádio. Ela amou, até foi mais uma vez, mas tem muito medo e não foi mais.

Durante a Copa do Mundo, milagrosamente consegui ingressos para o jogo entre Bélgica e Coréia do Sul. Acho que não vi nenhum minuto do jogo, fiquei por lá, estudando o estádio, a arquitetura, imaginando aquilo ali lotado de fieis. Nossos cantos, nossas vitórias – não pensei nas derrotas não (risos) -, a continuação da nossa rica história sendo escrita em um novo templo. Não conta pra ninguém não, mas eu fiquei ouvindo antigas narrações do Timão enquanto vislumbrava o estádio pela primeira vez.

Durante muito tempo, fui técnico voluntário de equipes Sub-10 por aqui. Ninguém queria ser goleiro até que comecei a levar minhas camisas do Corinthians e disse: ‘Quem for no gol vai poder jogar com essa aqui’. Foi um pandemônio.

A melhor coisa de morar fora é que nas derrotas é só ficar longe da internet e você não será perturbado. É mais fácil esquecer as mágoas. A pior coisa em morar fora são os momentos felizes, momentos que você quer extravasar a emoção. No dia 4 de julho de 2012, ajoelhado na sala, eu chorava de emoção mas sem fazer muito barulho porque todos dormiam. 12 de dezembro de 2012, foi semelhante, madrugada em Nova Iorque. Silencioso, eu cantava e cantava e cantava...

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