Fisiologista do Corinthians revela detalhes do trabalho interno no CT diante de maratona

Fisiologista do Corinthians revela detalhes do trabalho interno no CT diante de maratona

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Walmir Cruz (preparador físico, à esquerda) com o fisiologista Fedato

Walmir Cruz (preparador físico, à esquerda) com o fisiologista Fedato

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Jô e Jadson não terão condições de enfrentar o Internacional, nesta quarta-feira, às 21h45, no Beira-Rio, pela Copa do Brasil. A dupla será preservada para que os incômodos na coxa esquerda e no joelho, respectivamente, não se transformem em lesões sérias, daquelas que necessitam algumas semanas de recuperação. Um alerta que, normalmente, parte da fisiologia para os departamentos físicos, médico e técnico.

Antonio Carlos Fedato Filho é o responsável por isso no Corinthians. É o fisiologista que faz esse acompanhamento dos atletas. A reportagem do Meu Timão conversou por alguns minutos com Fedato após a vitória sobre o Botafogo-SP. O profissional contou detalhes sobre o trabalho que é realizado no CT Joaquim Grava, principalmente na prevenção de lesões e na recuperação de jogadores.

Confira a entrevista exclusiva com Fedato

Como está sendo conviver com essa maratona de jogos, que pode render até nove mata-matas apenas no mês de abril?

O controle do time que está jogando vem em primeiro lugar. Essa sequência de jogos quase não te deixa treinar, então, pegamos as principais variáveis que, com o passar do tempo, não vão suportar no mesmo nível e treinamos em cima delas, como por exemplo força. O time inteiro vem trabalhando força toda a semana, algo que os jogos não dariam. Alguns trabalhos específicos estão sendo feitos, não deixamos para trás, e o principal treinamento deles é a recuperação mesmo.

Se o jogo é no domingo, por exemplo, como é o trabalho na segunda e na terça, antes de voltar a campo na quarta-feira?

No dia seguinte ao jogo se cuida da alimentação, suplementação e sono, principalmente. Tudo pela recuperação do atleta. A gente conversa sempre da importância desse trabalho. Na véspera, é um trabalho regenerativo ainda, só que a gente direciona o trabalho técnico como recuperativo, então, alguma coisa de posicionamento, bola parada, sem deixar de treinar. Esse trabalho, apesar de ser com bola e no campo, é um trabalho mais aeróbico para ajudar na recuperação. Apesar de muita reclamar do horário (21h45), para nós é melhor porque temos um tempo a mais para recuperá-los. Ou seja, você fica desde a terça à tarde concentrado e tem quatro refeições, além de um sono prolongado, para o atleta descansar. Se alguém precisar de algum tratamento do departamento médico nesse período, ele é dado normalmente.

Qual é o momento de alerta para vocês, do departamento de fisiologia, para tirar um atleta de um jogo?

A gente tem um ponto de cinco jogos seguidos como um ponto crítico, e uma minutagem de mil minutos em campo como ponto crítico. Nesses pontos, se tivermos a chance de diminuir a carga de treino e ou ficar fora de um jogo. Mas também trabalhamos com os resultados, não adianta querer fazer apenas o ideal, que seria um jogo por semana, sessões de treino. Por isso o trabalho da fisiologia evoluiu tanto o Brasil, temos sempre essa necessidade de recuperar nossos jogadores.

Todos os exames pós-jogo seguem sendo feitos?

Todos, alguns parâmetros indicam que esse ou aquele atleta ainda não se recuperou do jogo anterior. Aquela sessão de treino será menos intensa, vamos acompanhando assim para deixá-lo bem no jogo. Os atletas são bem dedicados, mesmo com esse número de jogos vamos ter bons resultados com todos.

A partida contra o Botafogo-SP foi a 11 consecutiva do Jô como titular. Ele entrou em campo neste domingo sem descanso há 50 dias. Como suportar tamanha quantidade de jogos? É possível aguentar sem bom comportamento fora de campo?

É quase impossível um atleta suportar uma maratona de jogos como essa nossa se ele não se cuidar fora de campo, principalmente este mês com tantas decisões. O Jô é um atleta que se alimenta bem, faz fortalecimento que tem de fazer, ele consegue suportar com trabalho e a qualidade de recuperação, ele tem essa consciência. Ele tem facilidade grande de recuperação, mas mantemos os cuidados e atenção dobradas. Após os jogos, fazemos nosso controle de minutagem em campo, frequência, e pegamos atleta por atleta para individualizar o trabalho que iremos fazer com eles.

Veja mais em: Departamento Médico e CT Joaquim Grava.

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