Ex-técnico da base do Corinthians desabafa sobre xenofobia nos Estados Unidos

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Por Meu Timão

Daniel e a taça do Paulistão Sub-17, de 2007

Daniel e a taça do Paulistão Sub-17, de 2007

Reprodução

Profissional do Corinthians por quatro anos, Daniel Musatti deixou o clube em 2010 para trabalhar nos Estados Unidos. Depois de começar com um estágio no Sub-16 do Timão, auxiliou e treinou equipes do Sub-17 ao Sub-23 no clube, tendo trabalhado com nomes como Willian, Marquinhos e Dentinho.

Após o bom trabalho, o treinador foi para o exterior buscar o desenvolvimento de sua carreira como técnico. No entanto, o que era um grande sonho aos poucos se tornou pesadelo. Isso por que, chegando ao Nomads SC, de San Diego, em 2010, ele já teve as primeiras mostras do racismo que assola o futebol do país, como contou à ESPN.

"A primeira coisa que vi de racismo foi em uma viagem que fiz em dezembro de 2010 para jogar no Arizona. Quando fui subir ao quarto do hotel com dois jogadores com cara de mexicanos fomos impedidos por um casal de caucasianos de dividir o elevador. E a pessoa que trabalhava no hotel nos impediu de usar o mesmo elevador que eles. Depois, o clube, que era dirigido por ingleses e brancos, não quis abraçar nossa causa pois tinham um acordo por descontos no hotel", lamentou o treinador.

Há sete anos no país, Daniel já vivenciou as mais diversas situações de xenofobia e racismo no meio. Dentro de campo, é comum perceber que árbitros não o ouvem, além de prejudicá-lo sempre que possível.

"No jogo contra o Albion SC de San Diego, semana passada, nosso centroavante colombiano negro usa muito o braço para se proteger, e o treinador deles virou e falou ao juiz: 'Esse cara parece um gorila, tem que jogar basquete, só usa a mão'. O banco nosso ficou revoltado. Falei com o treinador deles, que me disse que tenho a licença da Uefa, mas que a licença do Brasil não valia nada lá, pois ele era americano e que eu deveria ficar quieto, pois aqui (EUA) não valho nada", contou.

"Respondi apenas que o Brasil tem cinco títulos e os EUA nenhum", concluiu o brasileiro.

Revoltado com o que vem vivenciando, Daniel já pensa em voltar ao Brasil. Mesmo progredindo na carreira e já treinando uma equipe principal na National Premier Soccer League, equivalente à quarta divisão, para ele, não há motivos para permanecer nos Estados Unidos. Apesar do alto investimento do país no futebol, ainda restam muitas questões sociais a resolver no entorno do tema.

"É proteção aos americanos, xenofobia, falta de salários iguais, tudo apoiado pela US Soccer. Ninguém segue as regras, todo mundo faz vista grossa e a punição sempre vai a treinadores negros, latinos, seja brasileiro ou de qualquer outro país", finalizou.

Veja mais em: Base do Corinthians.

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