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De olho no futuro
Coordenadora do Corinthians detalha processo de captação na base e elogia novo reforço cubano
Por Rafael Marcon e Maria Beatriz de Teves
Em entrevista ao Meu Timão, com parceria da página Meninas do Timão, a coordenadora Rafaela Esteves explicou como funciona a captação de jovens talentos para a base feminina do Corinthians. Segundo a profissional, este processo acontece de duas formas: através de projetos parceiros ou por meio do próprio clube.
“Nós fazemos avaliações com projetos parceiros. Então, como funciona: a gente vai até esses projetos — seja eu como coordenadora, os treinadores ou qualquer outro membro da comissão técnica — e fazemos um filtro. Aquelas que se destacarem, a gente traz para treinar com o nosso grupo por uma semana. Esse é um processo”, iniciou a coordenadora sobre a primeira forma.
“E tem outro processo também: às vezes o próprio pessoal da captação do masculino, junto aos analistas de mercado, nos ajuda. Isso tem sido importante porque, em outros estados, há muitas meninas jogando com meninos, diferente daqui, onde temos nossos festivais e torneios das categorias Sub-12 a Sub-14”, disse sobre a segunda forma.
Nesta segunda modalidade, onde o próprio clube organiza o evento de captação, há uma divulgação de formulário para as atletas que querem tentar uma vaga no Timão. Geralmente, esses eventos acontecem de acordo com a disponibilidade da equipe, em momentos livres no calendário de jogos. As jogadoras inscritas ficam junto ao clube por uma semana; as que se destacam entram para o time.
“Elas preenchem um formulário através de um link e, quando conseguimos um espaço, fazemos o convite para essas atletas que se inscreveram previamente. Elas vêm e ficam uma semana em avaliação. Aí é o mesmo processo: aquelas atletas que se destacarem, a gente também chama para treinar com o grupo, porque é nesse momento que conseguimos ter um parâmetro e entender quais são as nossas carências, pensando no perfil de atleta que buscamos”, concluiu Rafaela sobre o processo de captação por meio do próprio clube.
O Corinthians vem passando por um processo de transformação na base feminina, com a alavancagem de melhorias. Cada vez mais atletas de base têm sido cedidas à Seleção Brasileira, e o clube tem conseguido uma integração eficiente das amadoras ao profissional.
Como funciona o processo de inscrição para um evento de captação no Corinthians?
Ainda não há uma equipe específica para este processo no Corinthians. É a própria coordenadora Rafaela, com apoio das comissões técnicas de base, quem realiza o movimento de captação. A ideia é que no futuro o formulário de inscrição seja aberto e os eventos cada vez mais frequentes. Por enquanto, o clube arrisca a inscrição somente de acordo com atletas que se interessam e vão atrás do clube.
“Como falei, a gente envia o link para quem tem interesse. A pessoa responde ao formulário e, quando conseguimos um encaixe na agenda da comissão, fazemos o convite para a atleta vir. Ela fica uma semana conosco e, depois desse período, se houver interesse, ela é chamada para ficar de forma fixa. É tudo por esse link”, afirmou Rafaela.
“A gente ainda pensa, futuramente, em fazer algo como no masculino: uma avaliação aberta. Mas é algo que já foi feito anteriormente no Corinthians. As treinadoras pediram uma avaliação aberta, e a gente também busca isso. Só que precisa haver um calendário que nos ajude e permita esse momento, porque sabemos que a procura será grande, ainda mais tratando-se do Corinthians”, planejou a coordenadora.
Yelina é a mais nova "captada"
O mais novo reforço “captado” pelo Corinthians para as categorias de base femininas é Yelina Matos García, meia cubana de 18 anos (nasceu em 2008) . Ela assinou vínculo não profissional com o clube até dezembro de 2026. Rafaela revelou que o processo de captação da jovem promessa foi um pouco diferente do habitual.
“A Yelina veio para cá com a mãe, que é médica, através do Médicos Sem Fronteiras. A Bia, que é treinadora do Sub-20 foi quem recebeu o contato sobre a atleta. A gente trouxe a Yelina, ela ficou uma semana conosco, e já detectamos uma diferença: força física, altura... Então, trouxemos ela por mais uma semana, entendendo que, por vir de outro país, havia a questão da adaptação”, iniciou a coordenadora.
“Achamos que uma semana talvez não fosse suficiente, porque não se trata apenas da língua, mas de cultura e ambientação. Ela veio porque entendemos que está no último ano de Sub-17, primeiro de Sub-20, então ainda tem mais três anos pela frente. Tenho certeza de que, se treinar bem, é mais uma com projeção”, elogiou a jogadora.
Segundo a coordenadora, a demanda de atletas que chamam o clube pelas redes sociais e por outros meios é muito alta. Enquanto a equipe de captação é curta, os profissionais do clube se esforçam ao máximo para ceder oportunidades a todas.
“A demanda é alta, mas a gente tenta responder todo mundo. Não só eu, como coordenadora, mas todos os treinadores recebem mensagens. Esses dias, por exemplo, fomos abordadas na frente do Parque São Jorge, trouxemos a menina e ela ficou aqui com a gente uma semana. Dentro da nossa disponibilidade e realidade, sempre tentamos encaixar essas futuras jogadoras”, finalizou na entrevista.





