Um Tite como você nunca viu: "Não há cagalhão no Corinthians"

Um Tite como você nunca viu: "Não há cagalhão no Corinthians"

Tite conversa com o auxiliar Cleber Xavier. Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Tite conversa com o auxiliar Cleber Xavier. Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Um Tite como você nunca viu. Sentimental. Com palavras duras e seguras. Confiante na conquista do Mundial de Clubes. Revelador. Estes foram alguns traços reparados pelo MARCA BRASIL nesta entrevista exclusiva com o técnico corintiano. Prestes a conquistar o 'título mais importante da carreira', o gaúcho, de 51 anos, abriu seu coração, em um bate-papo de mais de 30 minutos, e revelou que não aceitará, de jeito algum, perder o torneio disputado no Japão. Tudo isto por uma certeza: 'Não há cagalhão no Corinthians.'

Leia a entrevista com o técnico Tite:

MARCA BRASIL: Quando iniciou a carreira no Guarany, do Rio Grande do Sul, em 1990, imaginava chegar ao Mundial?

TITE: Não. Não imaginava nem ser técnico de futebol, quanto mais chegar ao Mundial (risos). Às vezes as pessoas colocam metas e objetivos na vida, mas nem sempre é assim. Vai encontrando atalhos. Um atalho aconteceu na minha vida: começar como técnico tão jovem, por ter parado de jogar precocemente (então jogador do Guarani, em 1989, Tite encerrou sua carreira com 27 anos, devido a uma série de lesões no joelho). Aos 28 já era técnico de futebol. As possibilidades foram me dando oportunidades e fui as agarrando.

MB: Aos 51 anos, imagina até aonde vai chegar profissionalmente? Tem muito a crescer?

T: Não sei aonde vou chegar. Só sei que eu devo estar no meio da minha carreira profissional. E no melhor momento dela. Conquistei isto tendo trabalhado, passado por diversas etapas, como treinar time de segunda divisão e de operários, além de clubes que não tinham orçamento. Tudo isso para te dizer, desta geração mais jovem de técnicos, que posso crescer aimais. E quando chegar mais lá na frente, eu te respondo até aonde eu irei...

MB: Por que considera-se diferente dos outros técnicos?

T: Não sei isso é ser diferente, mas sou um cara inquieto para evoluir.

MB: Você mostra muita segurança para falar sobre o Mundial. Por quê?

T: Pelo conhecimento do trabalho, do grupo e todo amadurecimento da equipe. Não sei se iremos ganhar o Mundial, mas tenho a certeza que vamos fazer um grande trabalho até o fim. Isso eu tenho certeza. Por isso, mostro essa minha segurança.

MB: Quem é seu verdadeiro conselheiro no trabalho e quem ouve antes de tomar uma decisão?

T: Não é uma pessoa. É a minha consciência. O meu senso de justiça. Fico no meu quarto pensando muito bem no que vou fazer. Eu escuto muito, mas ouço poucos. Seleciono muito o que vou deixar entrar na minha cabeça. Meu senso de justiça me orienta.

MB: Qual seu defeito?

T: Sou um cara inquieto com a derrota. Queria ser um pouco mais ameno. Ainda não aprendi a perder. E nem sei se quero isso.

MB: Por ser assim, não vai aceitar perder o Mundial?

T: Posso perder jogando de igual para igual. Isso é do jogo. Quero ficar focado para que a equipe apresente toda sua qualidade. Mas sei que mesmo assim posso perder, porque vamos enfrentar dificuldades. Mas se o time fizer menos do que pode, não vou aceitar de jeito nenhum! De jeito nenhum!

MB: Tem a real noção do que está prestes a fazer com a conquista do Mundial pelo Corinthians?

T: Se eu começar a dimensionar o que isso significa vou criar uma pressão grande e não vou conseguir trabalhar. Tenho uma noção, mas talvez não a real por estar focado no trabalho. Para você ter uma ideia, não consegui ainda ter a devida extensão da conquista da Libertadores, imagine então uma possível conquista do Mundial. Pedi para a minha esposa preparar um canto na minha casa, com os troféus e uma televisão, para que eu possa ver todos os jogos da Libertadores. Quero curtir, porque ainda não consegui.

MB: Curtir esse descanso com os vídeos da conquista da Libertadores e também os do Mundial será perfeito...

T: Seria perfeito. Beira ao paraíso. E ainda com um chimarrão pela manhã e depois uma 'caipirinha' seria maravilhoso (risos).

MB: Você é um cara muito compenetrado e sério no trabalho, mas o que te fez chorar este ano?

T: Sou um cara muito emotivo. O que me faz chorar é a desigualdade social. Fico emocionado ao ver crianças com câncer. Fico muito emocionado com o lado afetivo (pausa de oito segundos, com olhos marejados)...Meu falecido pai dizia que é preciso ter dignidade. O resto é a busca do amadurecimento.

MB: O que fará o Corinthians sentir temor do Chelsea?

T: Ninguém teme nada. Essa equipe pode perder, mas se inibir ou se acomodar nunca. Ela já foi queimada e pressionada. Nada vai nos amedrontar. Nem a qualidade técnica do outro lado, nem a pressão, o Japão, o frio ou qualquer outra coisa. Essa equipe tem coragem na cara!

MB: Será difícil o Chelsea tirar essa título do Corinthians?

T: Muito! Essa equipe tem uma marca muito forte. Ninguém é cagalhão, ninguém mija para trás, ou coloque da maneira como quiser. Não há cagalhão no Corinthians!

MB: Essa confiança é também por ter jogadores experientes no elenco, como Danilo, Emerson, Guerrero, Chicão...?

T: Sim. E sem ter soberba. Já estamos calejados com situações difíceis. E vamos enfrentar mais uma agora.

MB: No Mundial de 2005, o São Paulo jogou fechado contra o Liverpool e venceu por 1 a 0. Em 2006, o Internacional jogou por uma bola contra o Barcelona e foi campeão. No ano passado, o Santos foi com a filosofia de atacar o Barcelona e foi goleado por 4 a 0. Qual será a postura do Corinthians contra o Chelsea?

T: Vai jogar com a cara do Corinthians. Não vou mudar a característica da equipe. Não vou mudar o jeito de jogar. Falei a mesma coisa com relação ao jogo contra o Boca (Juniors-ARG), no La Bombonera, e tivemos muitas chances e fomos bem. Não vou tirar o DNA da equipe. É claro que a equipe vai marcar muito. Mas se eu mexer na configuração da equipe, sabe o que eu tiro dela? A confiança que conquistamos durante o ano inteiro.

MB: Consegue dimensionar o que significa o título do Mundial para você?

T: (16 segundos de pausa) Não consigo enxergar a satisfação sozinho. Como é bom ver o Messi e lembrar da sua humildade. Ele sempre fala: é bom vencer com a minha equipe. Quero seguir esse exemplo e ter a satisfação de vencer juntos. Essa sensação não tem preço.

MB: Dedicará o eventual título para quem?

T: Todo mundo e eu vamos pensar na família. É a base mais forte de todos.

MB: Por fim, passada a disputa do Mundial, tem como objetivo disputar a Copa do Mundo de 2014?

T: Meus planos estão no Corinthians para o ano que vem (tem contrato com o Corinthians até o fim de 2013).

MB: Mas seria um sonho disputar a Copa do Mundo mesmo que por outra seleção?

T: No meu país eu não gostar de dirigir outra seleção. Ficaria mal. O sentimento aflorou depois que você fez essa pergunta. Talvez se fosse em outro país poderia comandar, mas no Brasil não conseguiria. Transportei-me para o banco de reservas e imaginei disputar a Copa contra a torcida do meu país. Não tem como. Não conseguiria.

* A entrevista foi realizada antes do embarque do Corinthians para a disputa do Mundial. 

Fonte: Marca Brasil

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