Osmar Loss fala ao Meu Timão: 'Voltaremos a ter um time sólido atrás e eficiente na frente'

Osmar Loss fala ao Meu Timão: 'Voltaremos a ter um time sólido atrás e eficiente na frente'

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Osmar Loss em sua sala no CT Joaquim Grava

Osmar Loss em sua sala no CT Joaquim Grava

Foto: Rodrigo Vessoni/Meu Timão

Confiante e esperançoso. É assim que se pode definir Osmar Loss após os cinco dias de treinamentos no CT Joaquim Grava depois da folga de 11 dias do elenco do Corinthians devido à Copa do Mundo. O treinador, durante cerca de 30 minutos, atendeu a reportagem do Meu Timão.

Aquele rosto abatido e um tanto quanto assustado na maior parte dos sete primeiros jogos, disputados antes do início do Mundial da Rússia, deram lugar a um semblante mais seguro, de alguém que está tendo tempo de trabalhar e diante de um elenco mais encorpado - oito jogadores ficaram ausentes na reta final pré-Copa.

Interação com o torcedor do Timão fora de campo, as perdas de quase todos companheiros de comissão técnica, relação com os líderes do grupo, o excesso de jogadores no atual elenco, as chances de saídas de jogadores nesta janela de transferência e, principalmente, a certeza de que o futuro corinthiano será bem diferente daquela angústia antes do Mundial. Loss falou sobre diversos assuntos durante a conversa.

"Tenho certeza absoluta que vamos fazer um caminho melhor", garantiu.

Outros assuntos serão abordados em matérias específicas no Meu Timão, que serão publicadas nos próximos dias. Acompanhe agora a primeira parte da entrevista exclusiva do novo comandante do Corinthians.

Confira a entrevista exclusiva com Osmar Loss

Osmar Loss durante treino no CT do Corinthians

Osmar Loss durante treino no CT do Corinthians

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Meu Timão: Como está vendo essa Copa do Mundo em relação à parte tática? Alguma novidade?

Osmar Loss: O que me chamou atenção foi de que vários tipos de jogo estão sendo propostos, não há uma maneira específica, como foi o 4-2-3-1, como já foi o 4-1-4-1. Vimos seleções jogando com linha de cinco (defensiva), vimos com linha de três, outros com linha de quatro bem formada. Então, assim, essa variabilidade de estruturas e de estratégias é o que mais me chamou atenção. E muito mais com ataques rápidos do que ataques posicionais. E, quando tinha posicional, era rápido. Não tem aquela coisa de posse de um minuto, nada disso. Isso ficou claro para mim. Em relação à parte defensiva, alguns estão resgatando aquela linha de cinco (defensiva) da década de 90, início dos anos 2000, uma espécie de 3-5-2 repaginado, sem que o líbero deixe o time muito espaçado. É linha de cinco mesmo, com força física para chegar.

Falando do Corinthians, o que mudou para você depois de ser anunciado como treinador? Mudou muita coisa fora de campo?

Está bem diferente. Vai no mercado e algumas pessoas reconhecem, falam "vamos lá", "como está?", "tamo na torcida!".... nos restaurante que eu ia agora está mais difícil também. Eu estou procurando me resguardar um pouco mais. Está bem diferente mesmo, algo que nunca tinha vivido. Eu já tinha sido treinador de equipe profissional, mas em cidades pequenas, com assédio menor.

E tem de tudo? Pedidos gerais...

Tem de tudo (risos), chega pedido de 'por que não coloca esse jogador', 'por que não coloca aquele', sugestões, críticas, incentivo...é típico do torcedor mesmo, de paixão, que vaia e aplaude o mesmo lance. Sempre foi com respeito, eu tenho de entender que o sentimento do nosso torcedor é o querer melhorar, não querer o mal do clube. Sempre respeito os torcedores.

Foram cinco treinos no CT após a folga. Foi como tinha planejado? Gostou do que fez e do que viu?

Essa parada será mesmo fundamental. Conseguimos nessa primeira semana, além de atingir a meta física, pela importância de encher o pulmão nessa hora, a gente conseguiu dar uma visão para todos os atletas. Fiz questão de oportunizar tudo a todos, os estágios de trabalho foram os mesmos para todos. A gente treinou organização defensiva, desde a mais baixa até a intermediária. Não fizemos a parte alta (ataque) porque demanda mais energia. Fizemos organização defensiva, que foi ontem, hoje fizemos uma parte mais ofensiva, mais perto da área. Conseguimos trabalhar os conceitos, agora é conseguir repetir isso, para que eles se sintam seguros e confortáveis de fazer. A ideia foi plantada, agora precisamos regar isso diariamente para que se torne um fruto de sucesso. Foi atendido, sim, esse período. Foi atingido.

Fabinho e Coelho são os auxiliares diretos de Osmar Loss

Fabinho e Coelho são os auxiliares diretos de Osmar Loss

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Como está o entrosamento da comissão técnica depois de tantas saídas? Mais obstáculo?

Não tenho dúvida. Não pela competência de quem ficou, os que estão hoje são competentes. É que mudanças, de maneira geral, geram resistências, dá um passo devagar para dar mais rápido ali na frente. A gente tinha uma rotina clara desde o ano passado, com o Fábio (Carille), com o Cuca (Leandro da Silva, ex-auxiliar), com o Walmir (Cruz, ex-preparador físico). Mas houve mudanças. Pega o Fabinho, por exemplo. Ele segue como auxiliar, mas atribuições comigo e com o Cuca ao lado dele eram diferentes da que tem hoje com as trocas. São coisas que estamos ajustando e fazendo o refinamento. Mas eu tenho convicção da competência deles, senão estaríamos optando por outros. As duas perdas de ontem (Mauri Lima, ex-preparador de goleiros, e Denis Lupp, ex-chefe do departamento de análise de desempenho) pegaram de surpresa porque achei que aconteceria antes de voltarmos das férias da folga. O (Leandro) Idalino (preparador de goleiro) eu já conheço, o próprio Anselmo (Sbragia, novo preparador físico) não tínhamos trabalho, mas temos ideias parecidas sobre como o treinamento deve ser. É mais uma dificuldade, sem dúvida. Mas que bom que pôde acontecer antes do começo dos jogos. Temos feito exercícios diários de como fazer isso ou aquilo.

Você está desde janeiro de 2017 na equipe profissional. Hoje é um dos mais antigos. Você ajuda os outros com dicas, orientações, sugestões...

Sim, sem dúvida. No processo de organização, eu tenho feito um esboço e deixado para que eles (auxiliares) tentem construir os passos seguintes. Eles precisam desse passo à frente na gestão de treinamentos. Eles trazem ideias, assim podem se alimentar desse conceito. Tanto o Fabinho quanto o Coelho fizeram o curso da CBF, eles vêm se preparando, e a gente vem fazendo o ajuste fino. Preparamos o campo, vemos como será a troca de um treinamento para outro. É isso que dá o qualitativo para o trabalho, você terminar um treino e, dois minutos depois, o atleta já estar fazendo o próximo. Assim a chance de dispersar é menor. São coisas que me preocupavam bastante, a gente fazia as trocas de campo rápida, eles têm se saído muito bem. Eu levo minha filha na escola e venho para cá, por volta das 7h30. A rotina seguiu basicamente a mesma. O que mudou foi que eu ficava mais na parte de ajuste do que aconteceria no treino ao lado do Fabinho e do Leandro, agora não. Agora eu encosto mais no atleta, falo mais com o jogador na minha sala, vendo o que ele está sentindo, falando dos planos, uma sondagem maior. Fico mais pelo café do que anteriormente.

Você manterá o rodízio de auxiliares no banco, como fazia o Carille?

Sim, com Fabinho e Coelho.

E sobre o capitão? Você manterá o rodízio ou pensa que apenas um possa ser o capitão?

Para esta temporada vamos manter o rodízio de capitães, o elenco tem cinco, seis jogadores que se apresentam com mais potencial para ser líder. Nunca tinha feito isso na base nem nos times que já trabalhei. Mas a rotina será mantida porque temos líderes sem vestir a braçadeira do campo.

Como está sendo essa relação com os líderes do grupo? Você tem falado com eles? Eles têm ajudado você de alguma maneira?

Conversamos todos os dias, praticamente. Num grupo de 30, 32 jogadores como a gente tem, é difícil ouvir a opinião de todos. É natural que esses caras que têm ascendência sejam aqueles que a gente se ancore para definir os rumos, coletar informações como está será um treino, como está o vestiário, para que a gente possa fazer o melhorar para o grupo.

Com Jonathas, elenco do Corinthians chegaria a 37 jogadores

Com Jonathas, elenco do Corinthians chegará a 37 jogadores

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Por falar em grupo, o Meu Timão mostrou que o atual elenco está com 36 jogadores. Esse é um número alto na visão da maioria das pessoas. O que pensa? Será preciso diminuir?

É possível trabalhar com menos, sim. Mas tendo o cuidado de que serão muitos jogos. Se tivermos um segundo semestre de sucesso, podemos fazer até 45 jogos. Não dá para reduzir por reduzir porque não é um campeonato apenas que vamos jogar. Podemos reduzir, mas com cuidado devido à quantidade de partidas.

Pelo que você fala com a diretoria, esse elenco está fechado? Ou tem chance de sair mais jogadores?

O Andrés (Sanchez, presidente) sempre foi claro quanto a isso, desde a primeira conversa. A janela para fora só abre em agosto, agora é que começarão as negociações. Está aberto apenas o mercado nacional. Pode ter saída? Pode. Pode ter acréscimo? Pode. Não dá para cravarmos que esse será o time do segundo semestre.

A volta de todos os jogadores das seleções e lesionados dá esperança de um futuro melhor?

Dá uma certeza absoluta que vamos fazer um caminho melhor, pelo fato de justamente ter mais opções. Não que não tínhamos, não é isso. Mas é claro que estamos falando do que esses caras representam para o clube. No ano passado, dos 11 titulares, uns nove tinham mais de 2 mil minutos no Brasileirão. Este ano, não. A minutagem está toda oscilando. A base era muito repetida, os jogadores eram quase sempre os mesmos.

Você pretende manter uma base e mudar aqui ou ali? Ou pensa diferente?

Tem muito do rendimento e resultado. Talvez a manutenção daquele time do ano passado era fruto disso: rendimento e resultado. Em alguns momentos não será possível. Eu pretendo diminuir ao máximo os riscos de lesão, se precisar eu vou rodar. Com todos à disposição, temos um grupo sólido e forte para fazer duas, três mudanças e manter o padrão de jogo.

Osmar Loss vem dando atenção especial aos jovens, como Thiaguinho

Osmar Loss vem dando atenção especial aos jovens, como Thiaguinho

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Sobre os jovens do elenco, o que pensa? Thiaguinho parece estar à frente dos demais...

Dentro dos jogos amistosos vamos dar minutagem aos atletas que não tiveram chance ainda em jogo. Por mais que não seja oficial, será um grande jogo contra uma grande equipe. Até para que nós, da comissão técnica, possamos ver o que eles podem oferecer numa decisão de Copa do Brasil, de Libertadores. Queremos tirar isso da frente logo. Não conseguimos colocar antes, mas agora queremos dar mais minutagem a eles.

Por falar em três competições, haverá alguma prioridade do Corinthians no segundo semestre?

Teremos dois mata-matas. Um estamos a seis jogos do fim, outro estamos a oito jogos do fim. São 14. Isso não dá nem 50% do que temos de jogar no Brasileirão. Falar de poupar agora é prematuro. O que falará da importância de cada jogo é complexo. Temos de esperar para ver se teremos viagem, se vai cair um jogo antes de um clássico, não avaliamos ainda porque temos as datas apenas dois dois primeiros mata-matas. A princípio nós estaremos com o time leve, sem necessidade. Mas é uma questão de avaliar a cada momento, jogo a jogo. Queremos todos 100%.

Chapecoense (Copa do Brasil) e Colo-Colo (Libertadores) estão sendo acompanhadas ou vai deixar chegar mais perto para obter informações mais atualizadas dos dois rivais em mata-mata?

Estamos vendo os bastidores, já que de treino ainda não há informações. Estamos observando as saídas e chegadas, mas vamos colocar o foco mais para frente.

O primeiro jogo do mata-mata é importante ou pensa de forma mais global, nos dois jogos do duelo?

Eu trabalho pensando nos 90 minutos, depois é que vamos analisar o segundo jogo. Hoje em dia o fato de não ter valor do gol qualificado não há aquele medo de não levar o gol em casa ou querer fazer fora de qualquer jeito. Mas o primeiro jogo encaminha mesmo.

Vários auxiliares estão tomando conta do Brasileirão (como técnicos). Atlético-MG, Internacional, Flamengo... acha que isso pressiona mais? Gosta disso?

É muito do sucesso do Fábio (Carille), está na carona dele. Valentim no Palmeiras, foi campeão no Botafogo, Larghi vem fazendo o trabalho bacana no Atlético, o Barbieri nem se fala no Flamengo. Todos perceberam que há auxiliares de altíssimo nível, caras que já estavam rodando no futebol há algum tempo. Mas existe uma safra nova que vem com competência.

Por fim, um recado à torcida do Corinthians...

Que o torcedor tenha fé, como ele sempre teve. Que tenha confiança, assim como estamos confiantes. Voltaremos a ter um time sólido defensivamente e será eficiente ofensivamente.

Veja mais em: Osmar Loss e Diretoria do Corinthians.

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