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Diretor jurídico do Corinthians explica plano de dívidas do clube e possível transfer ban
Por Meu Timão
Diretor jurídico do Corinthians, Vinicius Cascone falou sobre as dívidas do clube. Nesta semana, o clube apresentou à Justiça a proposta do Regime Centralizado de Execuções (RCE), que consiste em organizar o fluxo e a ordem de pagamentos aos credores.
Cerca de R$ 367 milhões da dívida total do Corinthians entraram no RCE . O clube pretende quitar o valor em dez anos. Vinicius Cascone explicou porque preferiu a medida em vez de optar pela recuperação judicial.
“RCE é o Regime Centralizado de Execuções. Pego todos os processos na esfera cível e junto em um único processo para criar um plano de pagamento. Entendemos que era mais vantajoso ao clube nesse momento. Se aprovássemos junto aos credores, organizar o fluxo de pagamentos para ter uma previsibilidade. O clube não tinha isso porque havia muitas dívidas ao longo dos anos, a responsabilidade agora nós temos que ajudar a resolver. Inúmeros processos e bloqueios judiciais. Eu ia pagar um contrato, não conseguia e gerava multa, até o vencimento antecipado das parcelas, pagando mais caro. Não conseguia organizar o orçamento, os salários dos colaboradores. Diante disso, o RCE foi mais acertado para organizar o fluxo de pagamento e todos recebam, além de impedir que a dívida aumente. Se a gente cumprir o plano, o Corinthians vai ter vantagem e todos vão receber”, explicou o diretor em entrevista ao Poropopod, podcast da Corinthians TV lançado na última terça-feira, no YouTube.
Entrar com o pedido de RCE na Justiça incomodou um dos credores: o empresário André Cury, que acusou o clube de fraude judicial junto à Caixa Econômica . Segundo o agente, o Corinthians desde 2022 tem cedido a terceiros valores recebidos pelo banco, que está envolvido em outros processos contra o Timão. Vinicius Cascone rebateu a alegação e explicou a situação.
“A advogada dele (André Cury) que citou em uma petição de forma bem equivocada. O Corinthians renegociou a dívida com a Caixa e deu garantia do financiamento das cotas de TV do Brasileirão, não é uma fraude. Me parece uma tentativa de tumultuar o RCE do que a verdade dos fatos. Legalmente, o Corinthians pegou as cotas, 2021 ou 2022, renegociou com a Caixa e colocou como garantia para que ela recebesse. Neste ano, pagamos integralmente as parcelas e usamos boa parte dos dinheiros das cotas. Não tem fraude nenhuma, mas, evidentemente, o valor da parcela pago é menor que o dinheiro a ser recebido da TV, e o saldo vem para o Corinthians. Na parcela de 2024, a última, pagamos agora só em janeiro, mas por conta de uma entrada judicial. Estamos em dia com a Caixa, apoiamos a vaquinha da Gaviões , isso nos deixa com mais credibilidade, inclusive com a Caixa para reduzir a dívida. Temos que lutar por isso e pela ampliação do estádio”, rebateu.
Dívidas com outros empresários

Corinthians tem dívida com empresário de Pedrinho por venda de meia-atacante em 2020
Danilo Fernandes/ Meu Timão
André Cury é mais um dos inúmeros empresários que têm valores a receber do Corinthians, a maioria com juros altos, como são os casos de Giuliano Bertolucci e Will Dantas. Este último também acionou o clube na Justiça por falta de pagamento no acordo da venda de Pedrinho , meia-atacante revelado no Timão, ainda em 2020. Cascone explicou como os juros saltaram nos últimos cinco anos.
“Quando vendeu o Pedrinho, tinha um percentual do atleta e isso não foi repassado na época. Gerou um passivo, depois multa, juros, é um efeito cascata. Quando se tem um valor alto de dívidas, tem uma multa, passa vários meses, o juro vai correndo, cresce muito. A discussão é o valor da dívida. O problema está na origem, não nos juros ou multa, e isso o que foi contraído. Não estou aqui para julgar a origem da dívida, cabe a nós resolver os problemas colocados”, falou Cascone, que citou o caso de outros empresários que acionaram o clube na Justiça no ano passado.
“Em 2024, todo mundo quis cobrar, na verdade alguns entenderam e quiseram negociar, discutir um plano de pagamento. Não tem como ser tudo de uma vez, não há orçamento que sobreviva. O RCE demonstra credibilidade e transparência. Não estamos fugindo, queremos nos aproximar dos credores, buscar esse diálogo, sem faca no pescoço. É assim que nos sentíamos para pagar execuções milionárias de uma vez só e não honrávamos com nossos compromissos. Queremos que todos recebam, queremos acabar com as dívidas, é um plano para muitas gestões, conselheiros, Conselho Deliberativo, todos devem lutar para sanar a dívida e ter um clube saudável. Temos condição de arrecadar muito mais e equacionar essa dívida. Tem crédito e tem que receber, Corinthians tem direito de defesa e vamos exercer os meios do processo”, finalizou.
Possível transfer ban

O Corinthians foi condenado a pagar quase R$ 55 milhões pelo atraso de pagamento nas compras de Félix Torres e Rodrigo Garro
Jhony Inacio / Meu Timão
Além da dívida com os empresários, o Corinthians foi condenado na Fifa nesta semana pela dívida com Talleres, da Argentina, e Santos Laguna, do México, pelas compras de Rodrigo Garro e Félix Torres, respectivamente. O valor somado é de quase R$ 55 milhões. O clube, porém, tenta recorrer das decisões na Corte Arbitral do Esporte (CAS), instância máxima do futebol.
Vinicius Cascone explicou que as dívidas com os jogadores - incluindo o meia Matías Rojas - não entram no RCE, mas rechaçou um possível transfer ban em um primeiro momento.
“São situações e esferas diferentes. Estão todos no âmbito da Fifa, como se fosse o CNRD, não entra no RCE. Corinthians precisa se organizar para não ocorrer um transfer ban”, iniciou.
“Nesse momento, não tem risco de transfer ban. Foi uma decisão de primeira instância, interpomos recurso para o CAS para reanalisar o caso. Estamos brigando por isso para organizar a forma de pagamento. É um alerta, uma luz vermelha que nos chama atenção, para que não tenhamos um transfer ban”, complementou.
Não é só no RCE nem na Fifa as únicas preocupações das dívidas do Corinthians. O clube também tem em aberto disputas na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), que é uma forma de agilizar a resolução judicial no esporte brasileiro. Cascone também revelou que o Timão enviou uma proposta para quitar as dívidas no mecanismo.
“A CNRD existe junto à CBF para organizar as dívidas com agentes e atletas. Foi estabelecida junto ao futebol brasileiro, um mecanismo para receber os créditos. Também apresentamos um plano de pagamento, similar ao RCE, para honrar os pagamentos. Ela é ligada à justiça desportiva como um todo, onde tentamos resolver extrajudicialmente dívidas no futebol. O Corinthians tinha uma série de dívidas ali, assim como na Fifa, tentando reivindicar seus créditos, e o clube precisa organizar os fluxos. O Corinthians também deve muitos tributos para tentar um parcelamento e colocar em dia com os governos”, revelou.
Dívida

Diretor financeiro, Pedro Silveira, no Dia da Transparência
Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
A dívida atual do Corinthians é de R$ 2,4 bilhões. No final de 2024, o clube projetou um déficit de R$ 237,8 milhões. Segundo Cascone, o aumento da dívida se deu pelos juros.
“Se você não paga uma dívida, você tem juros. Se tem dívida de R$ 200 milhões, com juros de 12%, só aí são R$ 250 milhões, tem algumas que são mais caras. O Corinthians teve um aumento sim, é automático pelos juros. Se não consegue pagar em dia, as contas vão subir, por isso o RCE é importantíssimo, justamente para não aumentar a dívida. Com o plano de pagamentos, vamos reduzir, investir mais, gerar mais receita, ampliar estádio, ter mais torcida, vender mais produtos”, finalizou.





