Osmar Stabile reforça respeito à Nike e desconversa sobre possível acordo com outra marca
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Por Maria Beatriz de Teves, Matheus Pogiolli e Victor Gomes

Osmar Stabile reforça respeito à Nike e desconversa sobre possível acordo com outra marca
Gustavo Lima / Meu Timão
Osmar Stabile, que assumiu interinamente a presidência do Corinthians, comentou sobre a possível troca na fornecedora de material esportivo do clube. Desde meados de maio, surgiram informações de que o Timão estaria em negociações com a Adidas para substituir a Nike.
Segundo Stabile, é necessário respeitar a Nike, parceira do clube desde 2003. O presidente interino evitou entrar em detalhes sobre as especulações envolvendo a fornecedora e destacou que, neste primeiro momento, pretende se inteirar das questões internas do clube.
"Nós não tomamos conhecimento ainda. Eu tenho que falar aqui em nome da empresa que é parceira do Corinthians, que é a Nike. Não posso tratar de outros assuntos aqui que não envolvam o nome da empresa, porque a parceira do Corinthians está há muitos anos conosco e nós temos que respeitar. Tudo começa com respeito, e a gente tem que respeitar quem está aqui conosco hoje. Qualquer situação diferente disso, por favor, a gente vai tratar posteriormente", destacou.
"Neste momento, o importante é tomarmos conhecimento de tudo o que está acontecendo. Ninguém trouxe isso ainda para nós. Eu sei do que está acontecendo, do que foi falado na imprensa e tal, mas, diretamente para nós — o presidente, ou melhor, o primeiro vice agora — não houve comunicação oficial até o momento. Vamos tomar conhecimento na tarde de hoje e, depois, a gente marca para falar sobre esse assunto", completou.
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Tudo o que o Meu Timão sabe sobre a proposta da Adidas para patrocinar o Corinthians |
Nike
A princípio, o contrato entre Corinthians e Nike é válido até 31 de dezembro de 2025. No entanto, veio a público que a fornecedora teria exercido uma cláusula de renovação automática do vínculo até 2029, o que gerou divergências nos bastidores do clube.
A diretoria do Corinthians, até então no comando, planejava cumprir o contrato vigente com a Nike até o fim de 2025, mas tinha a intenção de recorrer a uma câmara de arbitragem — instância responsável por resolver disputas comerciais — para contestar a renovação automática até 2029.
A gestão demonstrava confiança em uma possível vitória, alegando que a parceria enfrenta problemas logísticos desde que a Fisia assumiu a distribuição dos produtos da Nike no Brasil, em 2020. Caso obtenha êxito na arbitragem, o Corinthians se sentiria livre para assinar com a Adidas sem risco de complicações jurídicas com a atual fornecedora.
A diretoria do Corinthians acredita que a chance de derrota em uma eventual disputa na câmara de arbitragem contra a Fisia/Nike é muito pequena. Ainda assim, o clube reconhece que, em caso de revés, teria de arcar com uma indenização à companhia.
Esse possível valor, no entanto, não é fixo. Ele seria definido com base no chamado “lucro cessante” — ou seja, quanto a Fisia/Nike deixaria de lucrar com a não renovação do contrato até 2029. O cálculo seria feito pela própria fornecedora em conjunto com a câmara de arbitragem e, posteriormente, repassado ao Corinthians.
Adidas
A diretoria do Corinthians, até então à frente do clube, avalia que a proposta apresentada pela Adidas supera com folga os termos do contrato atual com a Nike. O novo acordo poderia render ao clube cerca de R$ 1 bilhão ao longo de dez anos — valor que não seria pago exclusivamente em dinheiro, mas também por meio de benefícios e compensações.
Pelo modelo apresentado, a Adidas desembolsaria R$ 100 milhões em luvas logo na assinatura do contrato. Esse valor, prática comum no futebol, serve como uma espécie de bônus para agradar ao clube, funcionando de maneira similar a contratações de jogadores.
Outro ponto relevante está nos royalties — repasse financeiro pelo uso da marca e imagem do clube. Segundo o jornalista Marco Bello, do Meu Timão, a Nike paga atualmente cerca de R$ 10 milhões por ano ao Corinthians. Já a proposta da Adidas prevê um aumento expressivo nesse valor: cerca de R$ 35 milhões anuais.
A oferta da empresa alemã também contempla melhorias no fornecimento de uniformes. Hoje, a Nike oferece ao Corinthians um crédito de R$ 4 milhões para a compra de vestimentas. Como cada camisa de jogo é avaliada em torno de R$ 700 e os atletas precisam de pelo menos três peças por partida, a diretoria estima que o gasto total chegue a R$ 3,6 milhões anuais apenas com essas camisetas.
A Adidas, por sua vez, propõe fornecer os uniformes a preço de custo — quase 50% mais barato — e prevê um valor fixo no contrato para essas despesas.
Há, no entanto, divergências quanto ao valor real gasto com camisas. O jornalista Flávio Ortega, também do Meu Timão, afirmou que, durante a gestão de Duilio Monteiro Alves, os jogadores reutilizavam as camisas até três vezes antes de receber novas, o que reduziria esse custo para cerca de R$ 1,2 milhão por ano. Ainda assim, essa política pode ter sido modificada com a chegada de Augusto Melo à presidência.
Vale destacar que a proposta da Adidas não está atrelada à figura de Augusto Melo. Mesmo com o presidente afastado, a oferta permanece disponível ao Corinthians por um período determinado. No entanto, o contrato atual com a Nike impede o clube de formalizar negociações com outras fornecedoras até três meses antes do fim do vínculo.
A empresa alemã, por sua vez, deixou claro que a oferta tem validade limitada e exige uma resposta em breve para garantir tempo hábil na produção dos materiais esportivos para a temporada de 2026. Caso o Corinthians demore e ultrapasse o prazo, a Adidas tende a recuar e desistir do patrocínio, por entender que não haveria tempo suficiente para fabricar os produtos.