Diretoria do Corinthians vive momentos conflituosos em relação à empresa Braziline

Diretoria do Corinthians vive momentos conflituosos em relação à empresa Braziline

Foto: Matheus Poggiolli / Meu Timão

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Crise interna

Contrato com marca de roupas expõe crise interna no Corinthians e gera impasse com vice-presidente

Por Meu Timão

O contrato firmado com a Braziline em setembro de 2024 virou motivo de tensão no Corinthians. Apesar do repasse de R$ 1 milhão ao clube como parte da garantia mínima, nenhum produto enviado pela empresa foi aprovado até agora. Segundo apuração do Uol Esporte, pareceres dos setores de marketing, licenciamento e lojas apontaram falhas como acabamento ruim, escudo mal aplicado e ausência de aprovação da Nike.

Em janeiro de 2025, o departamento de marketing iniciou o processo de rescisão contratual. No entanto, a medida foi barrada por interferência do vice-presidente Armando Mendonça, que sugeriu liberar parte das peças para venda. A atitude gerou desconforto entre os setores técnicos. Profissionais do mercado têxtil ouvidos pelo Uol também relataram que os produtos entregues não correspondiam aos aprovados e não traziam o selo oficial.

Com base nesses apontamentos, o marketing decidiu encerrar o vínculo com a Braziline ainda em janeiro, respaldado por parecer jurídico e pela cláusula contratual que previa aviso prévio de 90 dias. O processo, porém, foi novamente interrompido por interferência direta de Armando Mendonça, que insistiu na liberação parcial das peças antes do rompimento definitivo.

A postura do vice-presidente acirrou o clima político no clube e provocou atritos internos, sobretudo diante da continuidade dos pagamentos por parte da Braziline, mesmo após a sinalização de rescisão. Procurado, o Corinthians afirmou que a decisão final caberá ao atual presidente, Osmar Stabile.

“O presidente Osmar Stabile tomou conhecimento do tema nesta semana e pediu celeridade para a solução do caso. O presidente também desconhece a suposta insistência do vice-presidente Armando Mendonça e aguarda o parecer final dos profissionais envolvidos para tomar a melhor decisão para o Corinthians”, disse o clube em nota ao Uol.

Segundo a própria diretoria, o contrato com a Braziline foi assinado na gestão de Augusto Melo. À época, o compliance aprovou o acordo após checagem reputacional. A análise técnica dos produtos e da operação ficou a cargo de Ricardo Cobra, então responsável pelo setor.

Já a Braziline afirmou que nunca foi notificada oficialmente sobre o encerramento do contrato.

“A Braziline não recebeu nenhum comunicado do Corinthians a este respeito. Ficamos surpresos com esta pergunta, pois no início de 2024 a Braziline foi procurada pelo Corinthians para licenciamento. A negociação durou 9 meses e envolveu a apresentação de produtos, análises e projeções comerciais e financeiras. Depois de tudo aprovado, assinamos o contrato em setembro de 2024. Realmente, já pagamos R$ 1 milhão de garantia mínima, fizemos grandes investimentos para suportar o negócio e, diante disso, estamos tentando evitar a judicialização, principalmente em face do atual momento do clube”, declarou Carlo Nunes Mossi, diretor de negócios da empresa.

R$ 1 milhão em discussão

Outro ponto de atrito gira em torno da devolução do valor pago pela Braziline como garantia mínima. Armando Mendonça defende que o clube reembolse os R$ 1 milhão para concluir a rescisão de forma amigável. Na semana passada, ele reuniu os departamentos e estipulou prazo até o dia 17 de julho para uma definição sobre a viabilidade do pagamento.

O setor de marketing, por sua vez, indicou que poderia antecipar receitas de outros contratos para viabilizar a devolução. Mesmo assim, há a percepção de que a insistência do vice-presidente contraria os pareceres técnicos e jurídicos já emitidos.

“A participação do vice-presidente Armando Mendonça na condução do caso junto aos pares jurídico e de marketing do clube aconteceu na intenção de buscar a melhor solução, respeitando o que fora deliberado pelos departamentos responsáveis”, afirmou o clube em nota.

Comissão a ex-prestador causa desconforto

O contrato com a Braziline também envolve Ricardo Cobra, ex-prestador de serviço do Corinthians e intermediador do acordo. Cobra foi contratado no início da gestão Augusto Melo e atuou como responsável pela área de licenciamento, recebendo comissões inclusive por contratos em que não teve participação direta.

Apesar de ter sido desligado do clube em agosto de 2024, após pressões internas e críticas públicas, ele ainda recebe comissões referentes a contratos intermediados. Apenas na parceria com a Braziline, Cobra pode lucrar até R$ 550 mil — sendo que R$ 75 mil já teriam sido pagos.

A continuidade dos pagamentos, mesmo após sua saída, incomoda parte da diretoria — especialmente pela relação próxima entre ele e o vice-presidente Armando Mendonça.

“Contratado e desligado durante a gestão Augusto Melo, Ricardo Cobra possuía em contrato cláusulas que garantem o recebimento de comissionamento enquanto perdurarem os contratos das empresas que auxiliou na intermediação”, confirmou o clube.

O que diz a Braziline

Em resposta à reportagem, a Braziline reforçou sua experiência no setor e a longa trajetória como licenciada de grandes clubes do futebol.

“A Braziline foi a pioneira no licenciamento de produtos de futebol e atua nesse mercado há mais de 30 anos. Atualmente é licenciada pelos maiores clubes do Brasil e do mundo, com constantes renovações de contrato e total transparência — essa é nossa maior credencial”, afirmou a empresa.

Veja mais em: Osmar Stabile, Diretoria do Corinthians e Patrocinador do Corinthians.

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