Oilson Reis
Baita história!
em Notícias > Lembranças de 1990
Em resposta ao tópico:
O ano era 1990. Eu vivia a minha quarta série do ensino fundamental, tinha 10 anos, e morava no interior de São Paulo, e ainda não era corintiano.
Havia muita pressão para eu ser santista, por parte do meu pai. Ele sempre foi fanático por futebol e eu conheci o esporte bretão ouvindo jogos no seu Motorádio, o que me aproximou muito dele, ouvir um jogo com ele era uma experiência de pai e filho muito intensa. Como eu gostaria de ser santista para poder retribuir aquele amor.
Mas eu não era. Por alguma razão biológica, cerebral, sobrenatural, minha alma era corintiana. Eu já estava manifestando essa vontade, timidamente, sem meus pais saberem, nas rodas de amizade. Eu sempre goste dos underdogs, dos desacreditados, pois eles sempre são mais apaixonados.
Quando resolvi contar aos meus pais, minha mãe de imediato soltou essa: 'Vai torcer pra time de bandido? '. Não foi a primeira vez que eu ouvi essa frase. Minha mãe é a pessoa que eu mais amei na minha vida, e ela era fruto do seu tempo.
Rolava o Brasileirão de 1990. Eu começava a pedir o Motoradio emprestado para o meu pai, e ele, a princípio a contragosto, começou a me acompanhar.
O corintiano de hoje, da Arena, Ronaldo e estádio cheio de mármore não faz ideia do quanto aquele time era limitado tecnicamente. Mas o time não abaixava a cabeça, e apertou o São Paulo do Telê, com um golaço do Neto, na primeira fase. Me lembro da capa da Folha de São Paulo no outro dia, a foto do Zetti estático no ar e a bola Topper entrando no ângulo.
E o time foi embalando, e eu fui me apegando cada vez mais. Na última rodada da fase de grupos, a derrota por 3 a 0 para o Internacional pôs a prova meu amor, mas agora era mata-mata, e nesse tipo de confronto a raça é tudo.
Quartas-de-final contra o Galo. E o Galo sempre endurece para o Corinthians. No Pacaembu, saímos perdendo, gol do Gérson, excelente centroavante que o futebol brasileiro perdeu para a AIDS.
Mas foi aqui que o Fiori Gigliotti por duas vezes nos levou às lágrimas (do meu pai também), com a virada. 'O moço de Santo Antônio da Posse'! Dois golaços, aos 30 e 40 do segundo tempo. Fomos pra BH, e seguramos a bronca. Fiori gritava 'Afaaaaasta, Giba, o moço de Cordeirópolis', 'Márcio, o Deus da Raça, desarma e sai jogando...'
O enredo foi o mesmo na semifinal contra o Bahia. Fomos pegar os menudos na final (já não eram os menudos, mas ainda se sentiam assim).
No primeiro jogo, precisamos viajar com a família, mas consegui escutar o gol do Wilsom Mano logo no início. A Folha colocou na capa ele de joelhos comemorando o gol, envergando a linda camisa listrada 02.
E na final, a história que todos conhecem. 'Tupã, Tupã, Tupã...' Um completo êxtase, rojões, pessoas pagando promessa de joelhos, uma festa inesquecível.
Meu pai assistiu comigo, torceu pelo Corinthians, vibrou pela vitória. Naquele momento o santista chato que discutia no bar por causa do Santos virou alvi-negro, mas do Parque São Jorge.
Na semana seguinte, ao chegar da escola, havia uma camisa número 10 do Corinthians, igual à da final de 90, sobre a minha cama, presente do meu pai. Desde então, nunca mais perdi um jogo do Corinthians, e o Corinthians me retribuiu com muitas alegrias.
Esse texto é uma homenagem ao meu pai, que percebeu o amor ao Corinthians surgindo no meu peito e permitiu que ele se expandisse, se tornando o meu grande herói. Junto lógico, com Ronaldo, Giba, Guinei, Marcelo, Jacenir, Márcio, Ezequiel, Neto, Fabinho, Tupã e Mauro. Vai, Corinthians!
Bahia, que era um timasso, tinha sido campeão brasileiro dois anos atrás. Bobô, Paulo Rodrigues, foi muito difícil