Kaddu Xavier
O Corinthians, hoje, é um bom time de várzea.
Quem jogou competitivamente na várzea entende o que estou falando. Os jogadores sobem pra campo sabendo a função que devem exercer, e mais ou menos guardam posição ao longo do jogo todo.
Os volantes fazem o movimento de limpador de para-brisa na frente da área, cobrindo os laterais e os meias. Os meias ficam um pouco mais à frente, abertos cada um para o seu lado. Os atacantes tentam brigar na frente, e rezam pra sobrar uma bola.
As faltas laterais e os escanteios são todos cobrados na área, direto. Não há uma jogada ensaiada.
Cada um que pega a bola no campo de ataque, tenta (precisa) resolver sozinho. Não há aproximação de companheiros. Não há triangulações. Não há variação de jogo.
Se os jogadores estiverem em uma boa jornada, talvez a gente vença o jogo. Se não estiverem, vamos depender da sorte de não tomarmos gol.
Na beirada do campo, o treinador grita palavras de motivação e cobrança. E reclama com o juiz a qualquer lateral dado para o adversário.
Hoje o Corinthians é exatamente assim. Não há encaixe tático. Há a nossa torcida pra 2 ou 3 jogadores (especialmente o Renato Augusto) estarem inspirados. Foram isso, coletivamente, não temos nada. NADA.
Ah, temos mais uma semelhança com um bom time de várzea: se vier outro e oferecer 50 reais a mais pros nossos jogadores, eles trocam de camisa.
