Jorge Sapateiro
Há muitas camadas na história de Cássio. Quero comentar algo subjetivo. Sua identificação com o bando e a sua idolatria.
Eis os fatos.
Por muito tempo, incontáveis defesas decisivas que nos levaram mais longe. Além de uma década. Não é pouca coisa.
E mais: muitas vezes, em jogos grandes. Nos momentos em que mais precisávamos.
Isso nenhum ato poderá apagar.
Mas nunca vi em Cássio um líder em absoluto. Apenas em termos relativos.
Sem dúvida, internamente, ele realmente foi 'a' referência. Exerceu bem essa função? Sinceramente, não sei.
Me incomodava o trato diferenciado com os mais jovens e a fala amena com os mais velhos. Quantas vezes vimos o Cássio fazer cara feia para os da base, mas nunca manter a mesma firmeza com seus colegas Gil, Fagner. F. Santos, etc etc etc.? Ainda que a polêmica de uma 'panela' tenha sido muitas vezes exagerada, também não acho que seja totalmente desprezível.
E no trato com a torcida? Inegavelmente, nunca fugiu de entrevistas. Nos bons ou maus momentos, deu a cara para bater.
Por outro lado, pareceu por vezes arrogante. Algumas falas ainda repercutem, como a de que não precisaria provar mais nada para ninguém.
Sendo sincero, lembro de poucas juras de amor ao clube. Sempre me vem a mente apenas justificativas ou elogios internos ao seu grupo. As falas sobre a fiel sempre foram protocolares.
Nada de errado, em termos profissionais está tudo ok. Mas, como bem disse o presidente da Gaviões, deveríamos diferenciar melhor o que é ser um bom profissional do que é ser um ídolo total, ainda mais, o maior dos ídolos.
Há ainda o aspecto político. Imaginem quanto de atrasos em direitos, salários, combinados e descombinados, o Cássio lidou nos últimos anos? Nunca expôs a direção, muito menos o clube. Mas tudo ocorrer agora, na mudança de gestão, não pode ser à toa.
E talvez, não veja mais perspectivas de títulos. Talvez não acredite mesmo neste projeto. Sem dúvida, cansou de apanhar.
Mas também prometeu não nos abandonar em momentos difíceis.
Para mim, há um aspecto central nesta discussões.
Como pode ser o maior ídolo da história do clube um jogador que preferiu outro time à condição d reserva? E não após 6 meses, 1 ano, mas apenas a seis jogos?
Marcos e Rogério Ceni fizeram o mesmo? Fariam o mesmo?
Poderiam muito bem fazê-lo, como bons profissionais.
Mas, como ídolos, não o fizeram.

