Mariano Yakin
Perfeito! Lógico que há a necessidade de equilíbrio entre dívida e investimento. Mas o grande problema da imprensa como um todo é que eu duvido que estes caras escutem especialistas pra saberem o que pensam sobre o FairPlay. Sem clubismo, com instituições respeitadas.
em Bate-Papo da Torcida > O “mito” do Fair Play Financeiro
Em resposta ao tópico:
Como Economista, acho muito louco quando falam de Fair Play Financeiro de forma superficial. Afinal, são razoáveis as críticas feitas ao Corinthians nessa janela de transferência?
Pra entender isso é preciso entender muuuuito de finanças, coisa que nossos jornalistas não tem muita base. Para além de entender muito as finanças, é preciso entender o MERCADO do futebol, outra coisa que pouca gente no BR entende.
Primeiro ponto: a maioria da dívida do Corinthians é ESTÁDIO, tem prazo longo e juros baixos, ninguém compra uma casa à vista, desafio alguém a comentar que conhece alguém que não financiou a casa própria e pagou lá os 200mil A VISTA na hora da compra.
Se o negócio foi mal feito ou superfaturado, aí é outra coisa. Mas uma dívida de 1bi com prazo de 15 anos, é NADA comparado ao retorno financeiro e de marketing que a Neo Química Arena retorna ao Corinthians.
O erro aqui foi CALOTEAR a Caixa Econômica e fazer uma renegociação ridícula, mas em 2024 é o último ano que teremos que pagar 100m da arena, depois o fluxo fica mais leve.
Segundo Ponto: outra fatia grossa da dívida é com EMPRESÁRIOS. Isso mesmo, os mesmos que SEMPRE ganham suas gordas comissões ao revender os jogadores do Corinthians e recebem gordas comissões ao trazer jogadores para o Corinthians, tal qual Pedro Raul, com contrato de 5 anos, salário de 800k e custo de entrada de 25m, um total de 73m de gasto com Pedro RAUL, jogador de André Cury, o mesmo que nos processa por 70m de dívidas que temos com ele.
Ter um gerente de futebol, como Fabinho Soldado, nos livra desse tipo de negócio e desse tipo de custo desnecessário. Quem aqui não lembra do Mano Menezes com seus 40 MILHÕES de multa rescisória por um trabalho RIDÍCULO?
Esses gastos sim devem ser criticados, Corinthians é o time que mais paga comissões a empresários e intermediários do futebol brasileiro. Um custo que gerou mais de 300m em dívidas de CURTÍSSIMO PRAZO.
Aqui está nosso problema. Se existir um teto aos empresários do futebol no fair play financeiro, aí sim teremos ganhos para o futebol.
Terceiro e último ponto: O objetivo do Fair Play Financeiro é QUALIFICAR a Liga e dar competitividade a ela.
Não é bom para nenhuma liga a concentração de títulos em 1 ou 2 clubes. Por isso existe teto salarial nas ligas norte americanas (NFL e NBA), por isso existe Free Agent e proteção aos TIMES, não aos jogadores, nas ligas norte americanas. O Clube deve SEMPRE estar acima dos jogadores para evitar casos como Luan, Mosquito, Mano Menezes.
O Fair Play Financeiro engloba investimento em qualidade dos estádios, qualidade do entorno dos estádios e qualidade do GRAMADO que é o palco do teatro que é vendido. No resto do mundo, a maior fonte de receitas é o marketing e os direitos de transmissão inerentes. Estou falando de marketing de verdade, Match Day e venda de camisas, não patrocinadores. É ridículo uma camisa cheia de marcas ofuscando a marca do Clube, que é a que tem maior potencial de retorno financeiro.
Fair Play Financeiro é CUIDAR das receitas e fazer investimento para protegê-las aliado a realizar investimentos conscientes e bem estruturados. Não é “não gasta porque tá devendo”, isso é uma máxima para nossa conta doméstica, mas nós não somos o Corinthians que com a contratação do Memphis teve mais de 75milhoes de interações e exposição de marcas em suas redes sociais no MUNDO INTEIRO. Nós não vendemos camisetas, não recebemos mais dinheiro quando gastamos.
E aí o que acham dos debates sobre Fair Play Financeiro que temos por aí?