Osmar Rogério
A expressão 'dar um migué' é bastante usada entre os boleiros e também crescemos ouvindo essa afirmação. Basicamente significa enganar alguém, pra conseguir alguma vantagem.
Nesta semana vimos que o presidente do CORI, do Corinthians, Miguel Marques, afirmou em um programa da rádio Bandeirantes que 'o clube não é do torcedor, o clube é do associado' e foi além, afirmando que os conselheiros são representantes dos associados, não do torcedor.
Um dia depois, através de uma nota oficial, buscou se retratar dizendo que a sua declaração foi retirada de contexto e que a frase foi feita sob uma perspectiva 'jurídica e institucional', reafirmando o
seu compromisso com o Corinthians e 'seus valores fundamentais'.
Quando pesquisamos a linda história do Corinthians, vemos desde registros sobre os esforços de operários, até a utilização de uma âncora e remos no escudo do 'Timão', isto além de confirmar as origens do clube, evidencia a sua importante conexão com os associados.
Só que fazer parte do quadro de sócios do clube, não transforma ninguém em mais corinthiano, ou sequer, em um corinthiano. Além disso, o futebol sempre foi o responsável pela força do Corinthians.
Ser corinthiano então, me parece muito mais ligado ao amor; um amor inexplicável, difícil de enxergar e mais complexo ainda de estabelecer os limites.
Falar disso me trazem imediatamente algumas imagens à mente, a festa em 1977, as filmagens das estradas na invasão ao Maracanã em 1974, o grito 'todo poderoso Timão' em 2000 e o Paulinho abraçando o torcedor em 2012, quando fez o gol no Pacaembu diante do Vasco.
A soma de cada episódio, de cada pessoa, de cada preocupação com o Corinthians, é que dão a sensação de dono ao torcedor. Isto transforma, divulga; populariza e credencia a nossa marca; levando a mais produtos, patrocínio e consumo. Por isso, a sua torcida (independente do seu poder ou influência), no fim das contas é a verdadeira dona do Corinthians.
