Vêmcoisaboa Aí
Existe aí uma falsa correspondência. Conhece a teoria da falsa correlação?
É quando a gente conclui que um evento têm correspondência com outro evento, quando o que é existe entre eles é mera casualidade.
O Corinthians ganhava com times reativos e defensivos.
Tentamos ter times mais ofensivos.
O Corinthians passou a perder.
Logo, passamos a perder por tentar times ofensivos.
Na minha opinião, está é a falsa correlação, e entendo o que faz com que muita pense isso, mas tenho outra visão sobre o que de fato nos fez passar a perder.
Pois justamente nesta mesma época, a dívida extremamente elevada começou a corroer nosso poder de investimento, e se antes de 2017 ninguém no Brasil concorria com a gente por nenhum jogador, depois deste período começamos a ver crefisa e assassinos do urubu nos vencerem em qualquer concorrência, por qualquer jogador.
Se antes contratávamos Renato Augusto, Guerrero e Sheik, depois passamos a contratar Jonatas Cafú e Leo Natel.
E mesmo nos jogadores desconhecidos, como Elias e Paulinho, se tínhamos interesse neles os outros clubes nem se intrometiam, mas depois de 2017 tentamos Roni, Michael, Zé Rafael, Scarpa, Gustavo Plata, Pulgar e todos preferiram crefisa e assassinos. Se eu continuar a lista de jogadores que nos preteriram vai ficar ainda mais extensa.
Então na verdade não importa muito se você vai optar por ser mais reativo e vai trazer o Tite, ou se você vai querer jogar pra cima e vai trazer o Jorge Jesus.
O que importa é se você vai dar condição destes treinadores aplicarem suas convicções com jogadores de alto nível, ou ao menos de nível superior aos seus concorrentes.
Acho que isso é ainda mais importante se for jogar pra frente, neste caso precisa de jogadores que gostem de ter a bola nos pés, que não se apavorem com marcação, que tenham visão, velocidade, domínio. E aí sim, talvez tenham uma correlação com o Corinthians deixar de ser reativo e começar a perder.
É mais barato fazer um time cascudo e defensivo do que um time ofensivo e competitivo.
em Bate-Papo da Torcida > Ramon e Emiliano são bons ou ruins? Uma análise de cabeça fria
Em resposta ao tópico:
O Corinthians vive uma fase de transição desde a saída de Fábio Carille. O clube, historicamente conhecido por um futebol reativo e defensivo, decidiu mudar seu estilo de jogo para algo mais ofensivo e fluído. Essa transição, no entanto, tem sido marcada por sucessivos fracassos e tentativas frustradas de implantar um novo modelo de jogo.
O modelo que rendeu muitos títulos ao Corinthians era baseado em uma defesa sólida e placares magros. A torcida e a diretoria, porém, se cansaram dessa abordagem e buscaram uma revolução. Tiago Nunes foi contratado com a missão de implementar um futebol mais ofensivo, mas não obteve sucesso, mesmo contando com jogadores indicados por ele, como Luan e Cantillo.
Desde então, o clube apostou em treinadores com histórico de futebol vistoso em outros clubes, mas nenhum conseguiu reproduzir esse sucesso no Timão. Durante dois anos, o time brigou contra o rebaixamento e passou por temporadas conturbadas, sem vitórias em casa e fora das principais competições nacionais e internacionais.
Foi nesse cenário que a família Díaz assumiu o comando técnico, sem tempo para treinar, mas precisando encontrar um esquema tático vencedor rapidamente.
Apesar das dificuldades iniciais, Ramon e Emiliano indicaram reforços importantes, como Carrillo, e conseguiram estabelecer um padrão de jogo. O time, que antes era burocrático e previsível, passou a jogar de forma mais ofensiva e envolvente. Após eliminações frustrantes na Copa Sul-Americana e na Copa do Brasil, a equipe engrenou, empilhando vitórias e marcando muitos gols.
A virada de ano, porém, trouxe novos desafios. Sem pré-temporada adequada e com jogos a cada três dias, o time não conseguiu manter o mesmo nível físico e emocional. Para piorar, o principal jogador de 2024 retornou de férias lesionado e demorou mais de um mês para estrear na temporada, ainda sem recuperar sua melhor forma.
Ainda assim, o Corinthians fez uma primeira fase de Campeonato Paulista excepcional, terminando na liderança com folga — algo que não acontecia desde os tempos de Carille.
Porém, nos jogos da Libertadores, Ramon voltou a errar na escalação e nas alterações, tentando implantar um esquema não treinado. O resultado foi mais uma eliminação precoce. Mas, apenas três dias depois, o Corinthians venceu o Palmeiras fora de casa, dessa vez sem invenções na escalação.
Isso levanta um questionamento: quando segue um padrão tático estabelecido, Ramon Díaz consegue fazer o time render. No entanto, suas tentativas de mudanças táticas sem treinamento adequado acabam comprometendo o desempenho da equipe nos momentos decisivos.
Ramon Díaz não é o melhor técnico do mundo, mas também está longe de ser o pior. Ele conseguiu algo que vários outros falharam: transformar o estilo de jogo do Corinthians sem comprometer os resultados. No entanto, a falta de tempo para treinar a equipe e sua insistência em alterações táticas sem preparação adequada são pontos negativos.
Com mais tempo e espaço para desenvolver um trabalho a longo prazo, talvez ele pudesse criar variações táticas mais eficientes, equilibrando melhor os momentos de ataque e defesa. Por enquanto, a avaliação deve ser equilibrada: nem gênio, nem vilão — apenas um treinador que tenta fazer o Corinthians evoluir dentro de um cenário desafiador.

