Bruno Silva
Na final do Paulistão de 2009, logo após o jogo da Vila Belmiro, fomos para a frente do Pacaembu esperar abrir a bilheteria.
Chegamos no Domingo, e a bilheteria abriria na quarta feira as 10:00 hrs.
Uma hora antes de abrir a bilheteria, a organização mudou o local da venda para a bilheteria do outro lado do Pacambu, saímos correndo para o outro lado, chegamos no local tinha uns 10 caras na fila saindo com uma carga de apoximadamente 100 ingressos cada um, será que a família deles era grande?
Então o cambismo sempre existiu, hoje essa reclamação virtual, não chega aos pes do que acontecia quando os ingressos eram vendidos fisicamente.
em Bate-Papo da Torcida > Difícil era dormir na fila
Em resposta ao tópico:
Não vou menosprezar o sentimento de quem quer ver a final de dentro do estádio e vai ver na televisão.
Mas hoje a reclamação é virtual.
Sabe quão caótico era nos tempos de bilheteria? !
Muitos sabem, muitos nunca vão saber.
Então vou ilustrar.
Eu chegava aproximadamente meia noite do dia anterior com a bilheteria marcada para abrir às 10:00 da manhã, raro era abrir na hora programada. Só começava a venda com a chegada da Polícia.
E por incrível que pareça, a madrugada na fila era o mais suave.
Eu tinha o costume de levar uns 2 Litros de batida de Kisuco para a rapaziada.
No Parque São Jorge, futebol comia solto, dois gols ou 10 minutos.
Dois cavaletes faziam os gols e uns 30 próximos!
As bilheterias eram espalhadas na Cidade e as cotas de ingressos eram divididas pelos pontos de venda.
Pacaembu, Morumbi e Federação Paulista.
A fila era aglomerada, sem ordem nenhuma, aproximadamente de 3 a 5 pessoas por lugar.
Sabe quem fazia ficar uma pessoa por lugar? A borracha da PM.
E era só o prazer de bater, que na hora que começava a venda era um Deus nos acuda.
Entre a torcida a lei era quem bate mais chorava menos.
Caos.
Gente que chegava de manhã e queria furar fila.
Amigo do cara que estava na fila, queria entrar na frente de quem dormiu lá.
Uma treta atrás da outra.
E todo mundo pagava de mais Corinthians que o outro, frases de 'eu fui o campeonato inteiro e esses Corintianos de final agora querem ir no meu lugar? !' eram de praxe.
Arquibancada? !
Um monte de Youtuber 'Aí começou a venda hoje e já acabou.'
Malandro? ! Eram 20 minutos e só tinha Tobogã.
Nem uma hora e acabava Tobogã.
Se o jogo fosse Morumbi, mesma cena e rápido só tinha geral e numerada.
Tinha vezes que eram permitidos 5 ingressos por pessoa, tinha vezes que eram 3.
Tinha cara que não saia da fila porque foi para pegar 10.
Em 10 minutos já tinha Cambista com um bolo de ingresso vendendo em paralelo com a bilheteria.
Como? ! Sempre teve esquema com pessoas lá de dentro.
Sempre!
Na hora de início das vendas, as reportagens mostravam as filas da bilheteria a Marginal, da bilheteria ao final da Praça Charles Miller.
E o mais louco de tudo isso, é que eu tenho saudade.
Tenho orgulho de ter vívido isso inúmeras vezes.
Quando eu fiz meu Fiel Torcedor em 2009 com meritocracia por pontos, eu sabia que se nunca fiquei fora quando era o inferno, agora que não ia ficar.
Que o cara que vai o Campeonato todo, vai comprar o ingresso da final.
Quantos torcedores foram ao Campeonato inteiro e não viram a final do estádio por conta dos torcedores que só vão em jogo de decisão.
O sistema é justo.
Injusto é nossa Arena ter 45 mil lugares.
Injusto é a leva de ingressos, que é igual na época da bilheteria, vão parar na mão dos Cambista e ninguém sabe afirmar até hoje como isso realmente acontece. Criança sem pai.
E cambista só apanha quando vai meter o esperto no lugar errado.
Que da mesma forma que antigamente em 10 minutos o cara estava extorquindo do lado de 100 mil pessoas na Fila, hoje são centenas na saída do metrô e até dentro da Arena e que raramente levam um salve.
Então meus amigos, eu torço por dias melhores e mais justos, mas em comparação ao que já foi um dia, hoje é mamão!









