Sérgio Corintimão
Eu estava lá
em Bate-Papo da Torcida > Um pouco de História: Quando o jogo vira 5 e acaba 10!
Em resposta ao tópico:
O jogo era no Canindé. Contra o Tiradentes do Piauí. Data: 09/02/1983 - Campeonato Brasileiro.
Em campo tinha um tal de Sócrates. Tinha também um tal de Aristóteles, o árbitro da partida.
Nesse ano, Mário Travaglini era nosso Técnico.
Na transmissão, tinha José Italiano, o garganta de aço, mestre com o microfone nas mãos, um corinthiano FANÁTICO, apesar do nome. (Era filho de palmeirenses). Gritava, chorava, discutia, contava piadas, brigava no ar pelo Corinthians.
Zé Italiano era narrador da TV e Rádio Gazeta. Tinha o famoso GB (o Geraldo Bretas) nas reportagens de campo.
Zé Italiano (como os grandes e bons locutores da época) tinha lá os seus bordões:
- Baixou o guatambu! (termo usado quando os jogadores faziam faltas mais duras). (Guatambu é uma árvore nativa do Brasil que tem usos medicinais, na marcenaria, no paisagismo e no reflorestamento).
- Pregou fogo. Barbante! Doutor Sócrates, para o Corinthians, rompe pela primeira vez os grilhões da meta do Tiradentes!
- Barbantaço! Que jogada monumental do Doutor!
- Biro-Biro foi lá e bateu a carteira dele!
Em campo, tinha Paulinho Albuquerque, volante, um marcador implacável (e pouco lembrado) naquele time do Bicampeonato Paulista de 1982/83.
Tinha também Paulo Egídio, um ponta esquerda de verdade, arisco, veloz e driblador, como eram os bons pontas dos anos 70 e 80. Tinha sido contratado junto ao Botafogo de Ribeirão Preto. Como tinha sido o genial Dr. Sócrates.
Tinha Zenon, um meia armador de excepcional qualidade, camisa 10 nato (que era um meia destro). Categoria nos lançamentos e pontaria certeira nas cobranças de faltas, eram as especialidades dos pés de Zenon.
Tinha Biro-Biro também, um jogador que era incansável e jogava em todas as posições do meio campo pra frente.
Tinha Solito, o goleiro campeão paulista de 82, e tinha Mauro na zaga central, além do excelente quarto zagueiro Daniel González, ótimo zagueiro que veio da lusa (permutado com Martin Artigas Taborda), e, que, quase nunca é lembrado nos dias atuais, quando se fala de zagueiros que eram verdadeiras muralhas na zaga do Corinthians.
Tinha Alfinete, um ótimo lateral direito.
Tinha um tal de A-a-ta-ta-ta-li-li-ba-ba! O Tatá. Era gago. E um cara muito resenha e sempre com histórias divertidíssimas e muitas risadas. Era um ponta direita que ajudava muito na marcação e chegava sempre com perigo, de surpresa, como centroavante. E que às vezes também se atrapalhava com a bola.
Ataliba era nosso carrasco, toda vez que o Corinthians enfrentava o Juventus da Moóca (seu ex-clube) ele aprontava e fazia seus gols. Juventus era a asa negra do Timão. A zebra que sempre pintava na loteria.
A história só mudou quando o Corinthians contratou Ataliba!
E o Corinthians tinha Wladimir, o nosso pequeno Gigante! Foram 806 jogos pelo Corinthians, onde marcou 32 gols, conquistou 4 Campeonatos Paulistas (em 1977,1979,1982 e 1983) e foi o jogador que mais defendeu a equipe alvinegra do Parque São Jorge!
O jogo terminou com o placar de Corinthians 10x1 Tiradentes (Pi). A maior goleada do Campeonato Brasileiro até os dias atuais. Mas, a goleada poderia ter sido bem maior.
O Doutor Sócrates fez 4 gols nessa partida.
E Wladimir fez uma pintura de gol no Canindé. De bicicleta. Perfeita. Gol de Pelé! De placa!
Vale a pena ver e rever (para quem já assistiu):
E vai Corinthians! Sempre e sempre.




