Juliane Bauer
Concordo com você
em Bate-Papo da Torcida > Tite e o Corinthians: quando a tradição vira conveniência
Em resposta ao tópico:
Tite sempre foi tratado como símbolo de valores dentro do Corinthians. Fala mansa, discurso sobre ética, lealdade, respeito à história — tudo isso criou uma imagem de treinador que, além de competente, era quase um “guardião” das tradições do clube. Mas os fatos recentes mostram que, quando teve a chance de honrar essas tradições, ele preferiu virar as costas.
Em 2023, logo após sua saída da Seleção Brasileira, o Corinthians procurou Tite. A diretoria, mesmo sem um projeto sólido, apostou que o apelo emocional e a história no clube bastariam para seduzi-lo. Mas ele disse não. Não estava pronto, queria tempo, precisava descansar. Poucos meses depois, aceitou o Flamengo. Não só aceitou — se envolveu com entusiasmo, falando em desafio, projeto, estrutura. O mesmo entusiasmo que faltou quando a proposta veio do clube onde ele virou ídolo.
Como fica o discurso da tradição agora?
Não há problema em escolher o Flamengo — cada profissional tem o direito de buscar o que considera melhor. O problema está em manter a máscara do “corintianismo raiz” enquanto age por conveniência. Quando o Corinthians precisava, Tite se esquivou. Quando surgiu um clube mais rico e estável, ele apareceu sorrindo na coletiva.
Agora, com o Flamengo em crise e sem muitas portas abertas, volta a se cogitar o retorno de Tite ao Corinthians. Mas por quê? Porque ama o clube? Ou porque está sem mercado e sabe que aqui ainda há quem se emocione com o passado?
O torcedor corintiano precisa entender: tradição de verdade se prova nas escolhas difíceis, não nos discursos bonitos. E Tite, quando teve que escolher entre a tradição e a oportunidade, deixou claro qual pesa mais para ele.
O Corinthians merece alguém que esteja aqui por convicção — não por falta de opção.