Pedro Menezes
Concordo que não há gestão profissional e isso impede o real crescimento do clube.
Porém, alguns contrapontos:
As maiores empresas do mundo são as mais corruptas e participaram dos episódios mais tristes da história humana, como o nazismo (siemens, volkswagem, hugo boss, bmw, etc), o colonialismo (companhia das índias, empresa inglesa) e a escravidão moderna (Zara, Animale, M.Officer, MRV, OAS, Odebrecht, Cutrale, Citrosuco, Cosan, Nespresso, Starbucks, JBS, Marfrig e o MinervaSer) e clássica (Royal African Company; no Brasil, muitas famílias possuem vínculos com a escravidão, como a família Lyra, Gomes, Nogueira e muitas outras. Deixo abaixo as referências para conferência). Ser profissional não é necessariamente sinônimo de lisura ou honestidade.
Sobre o ponto de viver de glórias regionais: o campeonato paulista foi o grande título brasileiro por muitas décadas. Desconsiderar isso é anacronismo, ou seja, colocar uma um sentimento ou importância atual para outra época histórica, o que é um grande erro. Para os brasileiros, o paulista era mais importante que a maioria das outras competições. Fora isso, o Corinthians já tinha conquistado outros títulos nacionais e internacionais antes da liberatadores e dos mundiais.
Mas concordo contigo que, com uma gestão profissional, era para o nosso clube ser o dominante nas américas, isso por nossa culpa, a torcida.
A característica da nossa torcida é de sempre apoiar os 90 minutos e empurrar o time até a vitória (ou evitar uma derrota), não deixando os jogadores se acomodarem (apesar de não fazer milagre). Mudar isso é mudar a identidade da nossa torcida o que você nem ninguém conseguirá (o que eu acho bom).
Nunca vi a torcida aplaudir derrota. Vi aplaudir entrega, o que é totalmente diferente. No esporte não existe certeza de vitória, mas exigimos entrega e aplaudir a máxima dedicação é sinal de que gostamos e esperamos essa atitude sempre que forem nos representar.
Tem torcedor de selfie? Sim. As redes sociais exigem isso hoje em dia e não é a nossa torcida, que apoia 90 minutos desde sempre, que vai escapar desse mal. É um problema do nosso tempo, um problema social e uma característica da nossa espécie (fazer parte de um grupo e ser inserido socialmente).
Esses são os contrapontos.
Concordo que cuidar é cobrar, ficar atento, reclamar, apontar os erros. Mas fazer isso sem considerar os acertos e as boas características é autofagia e não ajuda no crescimento de ninguém. Como o Corinthians é feito de pessoas, essa observação também vale.
A minha solução para o clube é torná-lo democrático para a torcida, com possibilidade de eleição e destituição do comandante pelo voto do torcedor, com cargos de comando previamente indicados pelo candidato, com um planejamento apresentado durante as eleições e com amplo acesso ao torcedor das informações não sensíveis do dia a dia do clube (como treinos, gestão de todas as categorias, balancetes e balanços explicados para o leigo, porcentagem de atletas, valores das operações, inclusive com as formas de pagamento e recebimento, etc) e todos os funcionários e dirigentes devem ser remunerados de acordo com a qualidade da gestão (uma espécie de contrato de produtividade).
Grande abraço.
Tópico de resposta:
Referências:
em Bate-Papo da Torcida > Uma resposta ao tópico: Corinthians ainda é um clube amador


