Post de Maykon no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão
Maykon Alves
A Libertadores de 2012 não foi só o maior título da nossa história.
Foi o maior capítulo da minha vida como torcedor.
Tinha 19 anos, trabalhava o dia todo, fazia faculdade à noite e vivia intensamente o que realmente importava: o Corinthians.
Mas o mais especial nem foi só o título.
Foi o jeito como vivi cada jogo: em um lugar diferente, com pessoas diferentes.
Sem querer, montei um mosaico corinthiano — feito de sofá velho, boteco suado, quarto escuro com TV no talo, gente chorando, gente gritando, gente acreditando.
No primeiro jogo, estava com meu tio - o único corinthiano dentre seus outros 5 irmãos/irmas palmeirenses por causa do pai. Nada melhor que começar essa história com o cara que me fez ser corinthiano, não é mesmo? Ele de chinelo, bermuda e regata, eu com a camisa da Batavo, lavada tantas vezes que já era quase bege.
Na fase de grupos, teve jogo num bar lotado com a galera da quebrada, telão improvisado e caixa de som de churrasco.
Outro vi sozinho, ouvindo rádio AM no fone enquanto xingava a narração da TV no mudo. Quem nunca? !
Nas oitavas, vi com um amigo mais corneta que corinthiano, mas virou Fiel depois daquela noite.
Nas quartas, explodi com o gol do Paulinho num boteco onde ninguém mais conseguia ficar sentado.
Na semi, vi com meu primo e meu tio de novo. E quando o Danilo empurrou aquela bola pra dentro, a gente já se abraçou como se já fosse final, aquele ano foi diferente, vocês sabem.. (Dava pra sentir desde o gol do Ralf na fase de grupos)..
Mas aí veio ela. A grande final.
A casa estava cheia. Tio, primo, amigos, vizinhos, até a tia do gelinho da esquina apareceu. Bandeira na parede, fogos prontos, cerveja gelando desde cedo.
E aí o Sheik decidiu entrar pra eternidade. Dois gols. Dois gritos que estavam entalados há décadas. Dois socos na alma de quem sempre ouviu que “Libertadores não era pra nós”.
Quando o juiz apitou…
A casa virou estádio. A rua virou desfile.
A gente saiu como um exército feliz, com camisa do Timão no corpo, latinha na mão e lágrimas nos olhos.
Trombei com desconhecidos que pareciam irmãos. Abracei gente que nunca vi na vida.
Teve fogos, buzina, hino gritado a plenos pulmões.
Teve carreata com gente no teto do carro, teve criança no colo com bandeira gigante, teve velho emocionado dizendo “achei que não ia viver pra ver isso”.
Naquela noite, a cidade virou Corinthians.
E eu, no meio daquele caos lindo, entendi o que é ser Fiel:
É carregar no peito muito mais do que um time. É viver uma história que se confunde com a sua.
Minha Libertadores foi feita de pedaços.
Cada pedaço com a alma do Corinthians: sofrido, louco, coletivo e eterno. Parecia até nosso mosaico.
Alguém se identifica?







