Jhonatan Mauri
O programa Doe Arena, idealizado para captar recursos e contribuir com a quitação da Neo Química Arena, alcançou a expressiva marca de R$ 40 milhões em doações. Para se ter uma ideia do impacto desse número, basta compará-lo com iniciativas tradicionais de arrecadação no país, como o Criança Esperança, que costuma atingir valores entre R$ 16 e R$ 20 milhões anuais. Trata-se, portanto, de uma conquista relevante e rara em iniciativas de mobilização popular.
No entanto, mesmo com essa arrecadação significativa, o projeto vem perdendo força e visibilidade com o passar dos meses. Lançado há cerca de seis meses, o Doe Arena já não possui o mesmo engajamento inicial. A principal razão parece estar na falta de confiança da torcida na atual gestão do clube.
É inegável que o Corinthians tem enfrentado uma crise institucional. De um clube que conquistou o mundo, passou a frequentar as páginas policiais e a carregar uma imagem negativa no cenário nacional. Acusações, escândalos e suspeitas de má administração afastam o torcedor não só dos estádios, mas também de projetos que dependem diretamente de sua credibilidade.
Infelizmente, muitos torcedores não se sentem seguros para investir ou doar, por temerem que o dinheiro não seja corretamente aplicado. E isso compromete diretamente a força do Doe Arena. É razoável supor que, em um cenário de maior transparência e responsabilidade administrativa, o valor arrecadado poderia ser cinco ou seis vezes maior.
O Corinthians ainda conta com uma das maiores e mais apaixonadas torcidas do Brasil. Mas essa paixão precisa ser respeitada com profissionalismo, ética e compromisso com o futuro do clube. A arrecadação dos R$ 40 milhões é motivo de orgulho, mas também um alerta: o potencial da Fiel é imenso — desde que confie em quem a representa.


















