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Post de Alexandre no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

O Corinthians está sentado sobre uma mina de ouro

O Corinthians está sentado sobre uma mina de ouro — e, mesmo assim, segue cavando em outros lugares.

Permitam-me fazer uma reflexão: o Corinthians tem uma das categorias de base mais vitoriosas e promissoras do país, mas ainda não a utiliza como pilar estratégico — nem esportivamente, nem financeiramente.

Somos os maiores campeões da Copinha. Ano após ano, chegamos entre os finalistas da competição mais relevante de base do Brasil. A estrutura do clube é sólida, os profissionais são capacitados e os jogadores, talentosos. Mas o que nos falta é o mais decisivo: transição eficaz para o profissional.

Hoje, o futebol mundial mostra com todas as letras que o caminho mais eficiente para valorizar ativos do clube é dar minutos reais aos jovens no time principal. A Europa não compra mais apenas potencial bruto: ela paga por contexto, por narrativa, por vitrine.

O futebol moderno já deixou claro o caminho. Dar minutos aos jovens no time principal é o fator que mais valoriza um atleta. Não é preciso esperar que eles estejam prontos, mas sim apostar, observar a resposta em campo, construir a narrativa. É isso que clubes como Palmeiras e, principalmente, Fluminense têm feito.

O Palmeiras, por exemplo, inseriu Endrick e Estêvão ainda em formação, e colheu frutos gigantescos: Estêvão, com apenas 17 anos, foi negociado com o Chelsea por €61,5 milhões — o equivalente a mais de R$ 350 milhões, sendo a maior venda da história do futebol brasileiro. Endrick, aos 16, teve o passe fechado com o Real Madrid por €72 milhões, o que, em valores líquidos, rendeu ao Palmeiras R$ 172 milhões em 2024, cerca de 40% de toda a receita do clube com vendas naquele ano.

O mesmo vale para o Fluminense com Gérson, Pedro, Luiz Henrique, João Pedro, André — nenhum deles brilhou em torneios de base, mas todos foram valorizados porque tiveram sequência no profissional.

Esses atletas não foram “preservados” em excesso. Foram simplesmente colocados para jogar! Não eram produtos prontos. O clube apenas acreditou no processo: inseriu no elenco principal, deu minutos, construiu vitrine. O resultado foi uma valorização quase automática, impulsionada pelo desempenho, pela juventude e pela confiança depositada neles dentro de campo.

O Corinthians, nesse aspecto, já deu provas de que pode fazer isso bem — e precisa repetir com estratégia. Os casos de Wesley e Moscardo são extremamente emblemáticos. Ambos subiram com personalidade, receberam algumas chances no profissional e rapidamente chamaram atenção de gigantes da Europa. Moscardo foi vendido ao PSG por cerca de €20 milhões, enquanto Wesley atraiu propostas de Premier League, La Liga e acabou sendo negociado com o Al-Nassr pela expressiva quantia de €18-20.

Essas vendas mostram que expor o jogador no time principal — ainda que por poucos jogos — já é suficiente para gerar valor de mercado.

É esse modelo que precisamos transformar em política:

1. Subir os atletas com planejamento;

2. Dar minutos reais em jogos oficiais — não só amistosos ou jogos-treino;

3. Entender o timing de venda de cada um — alguns com potencial de hype imediato, outros com potencial esportivo a ser explorado antes da saída.

4. Contestar a diretoria quando ela decide fazer contratações medianas ou apostas, como é o exemplo do ponta do Sporting FC Biel.

Quando reforçamos o elenco com veteranos ou jogadores medianos, sem projeção de revenda, não só perdemos dinheiro como também bloqueamos o crescimento dos nossos próprios ativos. É o prejuízo duplo: gastamos onde não deveríamos e deixamos de valorizar o que já temos.

O que proponho aqui é simples e viável: transformar a base num ativo estratégico e funcional, integrado ao cotidiano do time principal. Isso significa alinhar o planejamento da base com o elenco profissional, estabelecer metas claras de utilização de jovens, preparar a comissão técnica para desenvolver — e não apenas utilizar — esses atletas, e mudar o foco: de títulos de base para vitrine, exposição e formação real.

Hoje, o Corinthians já tem nomes prontos para esse passo. Na zaga, Tchoca mostra personalidade, qualidade na saída de bola e poderia perfeitamente compor uma dupla ou um trio com os zagueiros mais experientes do elenco. Kayke, ponta veloz e com leitura ofensiva, já demonstrou potencial em jogos da base e precisa de espaço — não faz sentido gastar com contratação na posição enquanto ele não for testado com sequência. Dieguinho, articulador cerebral no meio, e Bahia, que se destaca como segundo volante moderno, com chegada à área, são outros exemplos claros de ativos que já estão prontos para serem trabalhados no profissional.

E se, por acaso, algum deles não corresponder ao esperado em campo? Tudo bem. O caminho não é contratar no desespero, mas sim olhar novamente para a base e promover o próximo. É assim que se forma um elenco forte, com identidade, com saúde financeira e com uma cultura de valorização interna.

A base já entrega talentos. Só falta o clube entregar confiança. Se formos coerentes, estratégicos e corajosos, o Corinthians pode transformar seu maior patrimônio oculto — a base — na sua maior força visível, dentro e fora de campo.

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