Felipe Salvador
Chega. Acabou a paciência.
Não existe qualquer argumento cabível.
'Ah, mas no jogo contra o Inter, ele teve o time todo disponível e jogou bem.'
Aquele jogo foi um misto de sorte total, somado ao bônus de que ainda era o mesmo esquema e treino do Ramón Díaz. Tanto que, conforme o Dorival foi treinando e se aproximando do elenco, não surpreende que o time esteja há quase sete jogos sem marcar mais de dois gols em uma única partida.
'Ah, mas ele não tem elenco.'
O Ramón Díaz pegou o time numa situação pior no ano passado, e até em derrotas — como contra o Fortaleza, por 1x0 no Castelão — a torcida comprou a ideia do velho pelo simples motivo de que o time atacava, se via um potencial para melhorias. Com a chegada dos reforços, os Díaz emendaram nove vitórias seguidas. Alguém consegue imaginar o Dorival fazendo isso? Não tem como.
'Ah, mas o elenco quer derrubar ele.'
Pode até ser. Mas vamos partir do seguinte princípio: eu sou um jogador de renome internacional, sou constantemente atacado mesmo tendo os melhores números, deixo um bagre paraguaio estilo Playmobil quatro vezes na cara do gol, ele erra todas, e quem sai no intervalo… sou eu?
Não tenho mais 20 anos. Tenho 34. Exerço a função de segundo volante por não ter mais pulmão para correr pela ponta direita, mas meu passe e minha calma são os melhores do time. Aí chega um técnico, me espeta na ponta, eu deixo de render como rendia no meio e passo a ser alvejado por críticas.
Para completar tudo isso, o salário do Dorival é altíssimo.
Alto demais para não apresentar uma única melhoria. Não há herança tática alguma, não houve nenhuma indicação ou scout decente de reforços — tirando os grandes nomes como Igor Vinícius e o lateral abençoado, vulgo “Pastor”.
É hora de aceitar: Dorival e Corinthians não nasceram para dar certo juntos.
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