All Colatra
Me desculpe, mas é você e alguns ai que estão distorcendo as coisas
Quando se fala em raça, em ganhar sofrido, quer dizer que se esforçar ao máximo e lutar pela vitória até o último minuto é obrigação, e isso sim é da cultura do clube e de seus torcedores
Mas isso não quer dizer que aceitamos incompetência, desorganização, nível técnico baixo dos jogadores, são coisas totalmente distintas
O Palmeiras por exemplo tem vencido bastante recentemente, e teve várias fases onde fez vários gols decisivos nos últimos minutos. Todos dentro do clube exaltaram ser um time que não desiste. Ou você acha que eles deveriam focar em dizer que marcaram o gol da vitória nos acréscimos só porque foram incompetentes nos primeiros 90 minutos?
Nos momentos bons do Corinthians(e foram muitos), nos títulos, nas vitórias, essa coisa da raça também era repetida sempre, e não foi isso que fez com que houvesse acomodação
O Corinthians tem a sua história, os torcedores tem a sua cultura, e isso nunca atrapalhou em nada. Acho melhor esquecermos isso e focar no que realmente atrapalha, que é a má administração, a corrupção, a incompetência, a falta de dinheiro, e isso não tem absolutamente nada a ver com o assunto principal do tópico
em Bate-Papo da Torcida > Quando a torcida normaliza a incompetência
Em resposta ao tópico:
“Sou maloqueiro, corinthiano e sofredor”. O grito ecoa como se fosse poesia de resistência, mas se transformou em prisão. O corinthiano aprendeu a dar sentido à dor, a transformar cada derrota em identidade, a romantizar o fracasso como se fosse virtude. “1x0 é goleada”, “Corinthians pode perder, mas tem que ter raça”, “corinthiano gosta de jogador raçudo” — frases que viraram dogmas, repetidos sem reflexão. O que parece orgulho é, na verdade, uma cultura de acomodação.
E enquanto nós repetimos o mantra do sofrimento, o futebol moderno passa por uma transformação profunda. SAFs, profissionalização, planejamento de longo prazo, estruturas de alto rendimento. Mas no Corinthians, o torcedor ainda celebra a mediocridade como se fosse tradição. Idolatramos a corrida sem direção, a raça sem qualidade, o suor sem resultado. No fundo, internalizamos a ideia de que sofrer é parte inevitável de ser Corinthians.
A questão é psicológica e social: há uma diferença entre elaborar o sofrimento e glorificá-lo. Elaborar significa transformar a dor em força para mudar. Glorificar significa aceitar a dor como destino, como marca de identidade. O corinthiano fez da humilhação um lugar de conforto. O sofrimento, que deveria ser exceção, virou regra. E a regra virou orgulho.
Enquanto isso, a poucos quilômetros de distância, a torcida do Santos mostrou uma outra postura. Protesto, vaias, torcedores nas arquibancadas de costas para o time, cobrança de ídolos, invasão de CT. Podemos discutir os limites, mas há algo inegável: eles não aceitaram a mediocridade como parte da identidade santista. Eles gritaram que ser humilhado não é normal. Eles rejeitaram a passividade.
No Corinthians, ao contrário, a passividade é romantizada. O torcedor se orgulha de sofrer, como se isso fosse uma forma de resistência. Mas no fundo, virou um vício — uma narrativa que protege dirigentes incompetentes, conselheiros omissos e jogadores sem nível técnico. O mito do sofrimento serve como anestesia: “se é Corinthians, tem que ser sofrido”.
Mas será que precisa? Será que um clube com a história, a torcida e a grandeza do Corinthians precisa se apequenar sob o pretexto de ser “diferente”? Ou será que desaprendemos a cobrar? Talvez o problema não esteja apenas nos gabinetes ou nos gramados, mas também nas arquibancadas e nas redes sociais, onde preferimos repetir frases feitas a exigir grandeza real.
As perguntas que ecoam são incômodas, mas necessárias: será que sempre tem que ser sofrido? Ou será que o corinthiano se acostumou a amar a própria dor mais do que a própria vitória? Será que o corinthiano realmente gosta de sofrer, ou apenas desaprendeu a exigir grandeza?



