Marcelo Benini
Fontes da investigação sobre o GSP:
? CNN Brasil (21/08/2025)? Noticiou a carta de intenções apresentada pelo candidato André Castro e a promessa de até US$ 1 bilhão para o Corinthians.
? Poder360 (21/08/2025)? Destacou que o GSP não é banco regulado pelo Banco Central e trouxe dados básicos da empresa.
? Central do Timão (21/08/2025)? Fez apuração investigativa mostrando inconsistências no site do grupo, presença digital mínima e uso questionável de selos da B3 e ANNA.
? Receita Federal / Consulta CNPJ? CNPJ 12.996.538/0001-87 (GSP Gestão de Crédito e Desenvolvimento Mercantil Ltda, nome fantasia GSP Bank of Assets) e CNPJ 24.461.713/0001-10 (GSP Holding Ltda).
? COAF (14/12/2022, publicado em 04/01/2023)? Decisão sancionadora aplicando multa de R$ 10 mil à empresa e R$ 5 mil ao CEO Carlos César Arruda por falha em comunicação obrigatória.
? ConsultaCNPJ / CNPJ.biz / Empresas do Brasil? Confirmam enquadramento como factoring, capital social declarado de R$ 6,57 bilhões e estrutura de pequeno porte.
? Relatório D&B (Dun & Bradstreet)? Citado no próprio site do grupo, aponta que a GSP teria apenas 7 funcionários.
? Companies House (Reino Unido)? Registro da? GSP Fomento Mercantil London Ltd?, aberta em 2018 e dissolvida em 2020.
? Reclame Aqui? Quatro reclamações registradas contra o GSP Bank, apenas uma respondida, há cerca de cinco anos.
? Perfis oficiais em redes sociais? Instagram e Facebook com pouca movimentação e seguidores mínimos.
? GE, UOL, ESPN (2022? 2023)? Histórico do caso Taunsa, que patrocinou o Corinthians, atrasou pagamentos e acabou sendo acionada judicialmente pelo clube.
em Bate-Papo da Torcida > GSP vai pôr 5 bi no Timão… só falta o PIX cair
Em resposta ao tópico:
GSP vai colocar 5 bilhões de dólares no Corinthians? Calma lá, Fiel…
Depois de quase 3h de investigação, trouxe alguns fatos pra vocês. Vale a leitura.
Nos últimos dias apareceu uma carta de intenções assinada pelo candidato André Castro, dizendo que, se eleito, teria o apoio do tal GSP Banco de Fomento Mercantil Ltda. Prometeram nada menos que 5 bilhões de dólares investidos no Corinthians em alguns anos, começando com um cheque gordo para aliviar as contas logo de cara. Na teoria, lindo. Na prática, vale a pena segurar a empolgação.
Primeiro: apesar do nome pomposo, o GSP não é banco no sentido que a gente conhece. No CNPJ, a empresa aparece como GSP Gestão de Crédito e Desenvolvimento Mercantil Ltda, cuja atividade principal é factoring. Ou seja, eles compram recebíveis de empresas, antecipam dinheiro em troca de um desconto. Esse tipo de negócio não é regulado pelo Banco Central. Traduzindo: eles não são banco e não podem captar depósitos nem operar como agência de fomento oficial. É uma factoring privada. Nada contra a atividade em si, mas chamar de banco é, no mínimo, forçar a barra.
Outro detalhe curioso: no papel, a GSP declara um capital social de mais de R$ 6 bilhões. Mas relatórios públicos apontam que a estrutura real é bem menor, com menos de 50 funcionários. Tem até relatório internacional dizendo que a empresa emprega só sete pessoas. Para uma empresa que promete colocar bilhões de dólares num clube de futebol, soa um pouco… desproporcional, não?
E tem mais. O COAF multou a GSP e o CEO, Carlos César Arruda, em 2022, justamente por não cumprirem regras básicas de compliance financeiro, aquelas que servem para evitar lavagem de dinheiro. Foi multa pequena, mas mostra falhas de controle. Também chama atenção a carta apresentada ao Corinthians trazendo selos da B3 e da ANNA (a entidade que emite códigos ISIN no mercado internacional). Só que não existe registro de vínculo real entre a GSP e essas instituições. A única autorizada a emitir ISIN no Brasil é a própria B3. Em resumo: os selos parecem mais decoração de PowerPoint do que credenciais de verdade.
A GSP também tentou abrir filial em Londres, mas essa empresa foi dissolvida em 2020. Hoje não há provas de operações relevantes fora do Brasil. Na internet, a presença deles é tímida: perfis no Instagram com pouquíssimos seguidores e postagens recentes, criados justamente depois que a polêmica estourou. Não parece exatamente o retrato de uma gigante global.
Se tudo isso soa familiar, é porque lembra outro episódio: a Taunsa. Lembram? Chegou prometendo mundos e fundos, atrasou pagamentos, gerou problemas no orçamento e o Corinthians teve que recorrer à Justiça. O risco aqui é repetir o mesmo filme, só que com cifras ainda maiores. A diferença é que agora a Fiel já está mais calejada.
Então, o que seria razoável? Antes de assinar contrato e sair estampando logo, o clube precisa exigir prova de fundos auditável (extratos de custódia, garantias reais de banco grande), auditoria independente, dinheiro em escrow account (conta vinculada com liberação por metas) e cláusulas duras contra atrasos. Sem isso, é apostar mais uma vez no “agora vai” que já cansou de quebrar a cara.
Minha opinião é simples: pode ser que o dinheiro exista? Em tese, sim. Mas até agora o que temos é mais fumaça do que fogo. E o Corinthians, na fase em que está, não pode se dar ao luxo de virar cobaia de promessas milagrosas. A gente já tem drama demais dentro de campo pra comprar mais novela fora dele. Se powerpoint resolvesse dívida, a Neo Química Arena já estaria quitada e a gente brigando por Champions. E se promessa de empresário valesse ponto, estaríamos liderando o Brasileirão sem precisar jogar.
Portanto, Fiel, cautela. Prometer bilhão em véspera de eleição é fácil. Quero ver é o pix cair.
