André Neres
Uma das soluções seria a separação do clube social. Se os sócios amam tanto aquele espaço que fiquem só para eles. Que cuidem das piscinas, das quadras e afins. O futebol precisa e dever seguir sozinho.
em Bate-Papo da Torcida > Corinthians: até quando seremos reféns dos conselheiros vitalícios?
Em resposta ao tópico:
Enquanto Flamengo e Palmeiras caminham, mais uma vez, rumo a uma final de Libertadores, o Corinthians permanece preso a um labirinto que ele mesmo construiu. Um clube de história grandiosa, de uma das maiores torcidas do planeta, mas que parece ter medo de olhar para o futuro. O debate sobre a SAF — seja a proposta da SAFiel ou qualquer outro modelo de profissionalização — tem sido tratado nos corredores do Parque São Jorge como uma ameaça, quando deveria ser visto como uma oportunidade.
É incompreensível que, diante de uma dívida bilionária e de um desempenho esportivo pífio, os dirigentes corintianos sequer aceitem ouvir as propostas de mudança. A justificativa é sempre a mesma: “não queremos perder o controle do clube”. Mas o que se esconde por trás desse discurso? O receio de perder o poder político, as indicações de parentes e amigos, os cargos criados para atender alianças internas. Em outras palavras, o medo de que o Corinthians deixe de ser um feudo e volte a ser um clube de futebol.
Enquanto isso, o torcedor se contenta em não cair para a Série B — uma meta que deveria envergonhar quem veste o manto alvinegro. O rival levanta taças, aumenta receitas e atrai investidores. O Corinthians, por sua vez, segue colecionando escândalos administrativos, contratos mal explicados e promessas vazias de reconstrução. O abismo entre discurso e prática só cresce, e o clube parece anestesiado pela própria inércia.
Não se trata de vender o Corinthians, mas de profissionalizá-lo. A SAF, como estrutura jurídica, não é solução mágica, mas é uma chance concreta de reestruturar dívidas, criar transparência e devolver ao futebol o protagonismo perdido. É um modelo que exige governança, meritocracia e competência — exatamente o que falta hoje.
A resistência à mudança é o maior sintoma do atraso. O medo de perder privilégios impede o clube de ganhar o futuro. E a cada final de Libertadores sem o Corinthians, a pergunta ecoa mais alto: até quando? Até quando o clube vai se contentar em sobreviver, quando nasceu para competir? Até quando a paixão de milhões será usada como escudo para a mediocridade administrativa de poucos?
O Corinthians precisa acordar. Precisa de líderes que amem mais o clube do que os seus cargos. Precisa de coragem para sair da sombra do passado e construir um novo caminho. Porque se o presente continuar sendo comandado pelo medo, o futuro será apenas uma repetição melancólica do que o torcedor já cansou de ver: promessas, dívidas e frustrações.
