Banido Gordo
O Corinthians não está nessa situação à toa. Anos de decisões ruins, conchavos políticos e um modelo associativo travado colocaram o clube diante de uma dívida impagável, crises em série e risco constante de rebaixamento. Não é acidente, é projeto: um sistema que prioriza grupos internos e conselheiros acima do futebol e do torcedor.
Recentemente, no podcast Alambrado Alvinegro, o vice-presidente Armando Mendonça, que um dia posou como “oposição” à Renovação e Transparência, afirmou ser contra a SAFiel e, em seguida, disse algo no mínimo chocante: segundo ele, semanalmente o Corinthians recebe interesse de árabes dispostos a comprar o clube por 1 bilhão de dólares, e mesmo assim a diretoria nem abre conversas. Em qualquer clube minimamente sério, uma proposta desse tamanho seria, no mínimo, estudada, debatida, levada ao Conselho, apresentada à torcida.
A pergunta óbvia é: qual a intenção desses caras? Como assim aparecem propostas bilionárias e ninguém sequer se dá ao trabalho de ouvir, entender, colocar números na mesa? Se é mentira, é grave. Se é verdade, é pior ainda, porque significa que a cúpula prefere manter tudo como está a, pelo menos, avaliar alternativas que podem salvar o clube de um colapso financeiro.
Enquanto isso, um projeto como a SAFiel, construído por torcedores e pensado para transformar o futebol do Corinthians em SAF com participação da própria Fiel como acionista, segue sendo tratado como ameaça, não como oportunidade. É curioso: rejeita-se uma proposta de modelo em que torcedor teria voz e transparência, e ao mesmo tempo se gaba de ignorar supostas ofertas de 1 bilhão de dólares vindas de fora. No fim do dia, parece menos uma discussão técnica sobre qual modelo é melhor e mais uma disputa para saber quem continua mandando no cofre e no poder.
Essa resistência toda tem cara de medo de perder o controle. O modelo atual é falido, mas é confortável para quem vive de cargo, influência, acesso a contrato e bastidor. Abrir negociação com investidores, discutir SAF ou qualquer estrutura mais moderna significaria trazer governança, metas, fiscalização, prestação de contas. É exatamente isso que as oligarquias internas mais temem.
Sinceramente, a impressão é que esses grupos só vão largar o osso quando a Fiel parar de alimentar a máquina. Enquanto a torcida lotar estádio, comprar camisa, assinar pay-per-view e fingir que é “só futebol”, o sistema segue funcionando, mesmo com o clube nessa situação desgraçada. Dar dinheiro ao Corinthians hoje, sem exigir mudança estrutural, é perpetuar esse ciclo de incompetência e opacidade até não sobrar nada além de dívida, vergonha e saudade do que o Corinthians já foi.
em Bate-Papo da Torcida > Por que eles não largam o osso no Corinthians?









