Ricardo Müller
Esse Stabile Marcha Lenta é só mais um tumor no corpo do Corinthians. O que espanta — e diverte, num humor bem ácido — é ver torcedor jurando que ele é “mais responsável” que os anteriores. Sim, claro. Também existe cigarro light.
No fim das contas, é melhor ler ou ouvir esse tipo de asneira do que ser cego ou surdo. Porque a ignorância, ao menos, ainda dá pra contestar.
Esse verme presidencial está no Corinthians há décadas, grudado como chiclete velho em banco de ônibus, junto com esse bando de conselheiros semi-analfabetos, inúteis e ornamentalmente caros. Passou por todas as gestões dizendo “amém”, batendo palma pra desastre, e agora, com a caneta na mão, só confirmou o óbvio: não é confiável e administrar o Corinthians é, pra ele, um detalhe burocrático entre um conchavo e outro.
Nunca o apelido de sofredor fez tanto sentido para o corinthiano. E não, não é “graças a Deus”, como alguns tontos insistem em romantizar. É graças a esse amontoado de pilantras, corruPTos, bandidos e gente da pior espécie humana que se infiltrou, criou raízes e virou paisagem no Parque São Jorge.
Isso não é questão de opinião, nem de rivalidade. Vermes e ervas daninhas não se administram, não se negociam, não se toleram. Se eliminam — politicamente, moralmente, institucionalmente. E já passou da hora. O Corinthians está acabando, e todos assistem de camarote aos suspiros finais de um clube que poderia ter sido o maior das Américas, mas que, como quase tudo neste país, foi sequestrado pela política rasteira e por gente sem escrúpulos.
Triste? Sim. Surpreendente? Nem um pouco. Poético, só no sentido trágico: um gigante caindo não por falta de grandeza, mas por excesso de canalhice.
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