Fábio Santos
Precisamos falar da formação de atletas!
Fábio Oliveira Santos[1]
Saudações corinthianas!
Não é apenas pela vitória de ontem que escrevo. A meu ver, o time sofreu muito para vencer, com o Atlético pressionando o tempo todo, mas garantimos os três pontos de maneira raçuda — exatamente como exige a história do Corinthians.
Concordo com as opiniões do Dorival sobre o excesso de estrangeiros, embora muitos entreguem um bom futebol. No entanto, não vejo que isso prejudique a formação dos nossos atletas. Pelo contrário, a presença deles qualifica o mercado. O foco deve ser olhar para a base com outra mentalidade, em vez de culpar quem vem de fora.
É evidente que deixamos de investir e de cuidar com a atenção devida da formação dos nossos jogadores. Não faltam profissionais de excelência no país; existem milhares aguardando uma chance que parece nunca chegar. E por que isso acontece? Porque não há uma preocupação real com a formação do atleta em todos os seus sentidos.
Hoje, o interesse no desenvolvimento existe, mas o fardo recai quase totalmente sobre o jogador, que muitas vezes não encontra auxílio nem em sua própria casa. Em outros casos, o jovem nem chega a ser aproveitado no time principal: é vendido antes de completar seu ciclo de maturação. O resultado é claro, como vemos na história da 'prata da casa' que rodou o mundo, defendeu o 'Leão' e agora retorna em busca de redenção.
Essa trajetória errante não seria necessária se a administração do atleta fosse profissional. A história do futebol brasileiro está repleta de heróis anônimos que venceram sem saber como, apenas jogando exaustivamente e sem qualquer orientação técnica ou pessoal.
Precisamos de uma formação profissional e humana, talvez através de escolas que ofereçam um desenvolvimento completo, focado no alto rendimento e no cidadão. É fundamental que esse profissional, após o término da carreira nos gramados, esteja preparado para exercer outras atividades na sociedade.
Vou mais longe: o amadorismo na gestão do futebol compromete as instituições, afetando a técnica, a habilidade e o comportamento dos envolvidos. Quem sabe não esteja na hora de pensarmos, inclusive, em uma faculdade para técnicos?
[1] Professor e advogado.
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