Kinho Braga
O torcedor corintiano vive, há mais de uma década, sob uma espécie de 'hipnose dos títulos'. Sim, levantamos taças. Sim, fomos ao topo do mundo. Mas a que custo? Enquanto celebrávamos, os porões do Parque São Jorge eram transformados em um balcão de negócios obscuros, onde o patrimônio do clube era fatiado para satisfazer egos políticos e comissões de empresários amigos.
Citar Andrés Sanchez e sua linhagem (Roberto de Andrade e Duilio) como 'vencedores' é um insulto à inteligência de quem paga boleto e vê o clube ser processado por marmita e FGTS. O rombo deixado por essa cúpula não é apenas financeiro; é moral.
Como explicar as contratações de Alexandre Pato, Luan e Jonathan Cafu? Não foram erros de 'avaliação técnica'. Foram crimes de gestão. O caso Luan, um prejuízo que beira os R$ 80 milhões, é o símbolo de um clube que parou de olhar para o campo para olhar para o bolso de intermediários. Cafu, por sua vez, foi o deboche final: um jogador que nitidamente não tinha nível para a Série A, mas que ganhou um contrato de elite enquanto a base era liquidada para pagar juros da Arena.
A chegada de Marcelo Paz como Diretor Executivo não é apenas uma contratação; é um pedido de socorro. Paz representa o oposto de tudo o que vimos nos últimos 16 anos. No Fortaleza, ele provou que é possível crescer com transparência, scout profissional e, acima de tudo, respeito ao dinheiro que vem do suor do torcedor.
A pergunta que fica no ar é: a Fiel terá estômago para a reconstrução? Estamos prontos para trocar a ilusão de um 'medalhão' caro pela solidez de um time operário e uma dívida decrescente?
O Corinthians não precisa de novos 'donos'. Precisa de gestão. Se Marcelo Paz tiver autonomia para barrar os interesses de agentes e estancar a sangria financeira, poderemos, finalmente, vislumbrar um futuro onde o clube pertence novamente ao seu povo, e não aos empresários de plantão.
O tempo do amadorismo precisa acabar. Ou profissionalizamos o Corinthians, ou o Corinthians que conhecemos deixará de existir.
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