Marcelo Bechi
Depressão é coisa séria, odeio esses discursos de: é só pegar uma enchada, vai procurar o que fazer. é uma coisa séria, aliás serissima
em Bate-Papo da Torcida > Lingard valia 40 milhões, mas a depressão destruiu sua carreira.
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Site da Itália: Ele valia 40 milhões e era um jogador de ponta: então a depressão destruiu sua carreira. Agora ele renasceu no Brasil
Até alguns anos atrás, ele era considerado um dos maiores talentos da Premier League, mas a depressão o fez cair no esquecimento. Agora, aos 33 anos, ele está retornando ao futebol no Campeonato Brasileiro.
O British Journal of Sports Medicine, em uma publicação de maio de 2019, afirma que até 34% dos atletas profissionais sofrem de problemas relacionados à ansiedade ou depressão. Um dos casos mais marcantes dos últimos anos é, sem dúvida, o de Jesse Lingard.
Considerado durante anos um dos talentos mais promissores surgidos da academia de jovens do Manchester United, o meia inglês parecia destinado a uma carreira de sucesso com os Red Devils. No entanto, a trajetória do meia-atacante provou ser muito mais complexa do que o esperado, marcada por dificuldades pessoais que também impactaram seu desempenho atlético.
Da promessa ao sucesso europeu
Em 2011, após vencer o prêmio de Jogador do Ano da Youth League, Lingard foi aclamado como uma das maiores promessas do futebol inglês. Depois de vários empréstimos na Championship, ele se tornou membro permanente do time principal em 2015 sob o comando de Louis van Gaal, encontrando posteriormente seu caminho definitivo sob o comando de José Mourinho.
Foi sob o comando do técnico português que Lingard viveu um dos momentos mais marcantes de sua carreira, desempenhando um papel decisivo na conquista da Liga Europa de 2017. Suas atuações lhe renderam comparações significativas, inclusive com Park Ji-sung, que, com o tempo, se tornou cada vez mais imponente.
Seu colapso e dificuldades pessoais
2019 marcou um momento decisivo na vida do jogador inglês. A depressão severa de sua mãe o obrigou a cuidar de seus dois irmãos mais novos, alterando radicalmente sua rotina diária. As responsabilidades fora de campo inevitavelmente impactaram seu desempenho, que sofreu uma queda acentuada.
As críticas dos torcedores se tornaram cada vez mais duras, resultando em zombaria (o apelido 'Lionel Jesse' se espalhou pelas redes sociais) e insultos até mesmo fora do estádio. Lingard relatou esse período no documentário Untold: The Jesse Lingard Story, descrevendo uma sensação de perda total: o medo de cometer erros e ser julgado o fazia se sentir invisível até mesmo durante as partidas.
Depressão e a Jornada de Recuperação
Lingard relatou um período de depressão. Horas passadas no sofá, olhando para o nada, e recorrendo ao álcool para tentar anestesiar a dor eram sinais claros de um profundo sofrimento.
Um alívio inicial veio durante o confinamento, que lhe permitiu parar e refletir. Posteriormente, o apoio do então técnico Ole Gunnar Solskjær e dos psicólogos do clube o ajudaram a iniciar uma jornada de recuperação.
Renascimento Longe da Europa
Após uma experiência decepcionante no Nottingham Forest, Lingard optou por recomeçar, aceitando um novo desafio na Coreia do Sul com o Seoul. Lá, ele reencontrou o entusiasmo e a consistência, tornando-se rapidamente uma peça fundamental.
Um novo ponto de virada aconteceu em 2026: depois de ser especulado no Wrexham, clube do ator Ryan Reynolds, o inglês decidiu se transferir para o Corinthians, no Brasil. Em 22 de abril, ele marcou seu primeiro gol na Copa do Brasil, um símbolo de seu renascimento pessoal e profissional.
Uma questão cada vez mais central no futebol
A história de Lingard não é um caso isolado. Cada vez mais jogadores de futebol falam publicamente sobre seus problemas de saúde mental. Ezequiel Lavezzi, Ronald Araújo e Jude Bellingham se manifestaram recentemente, enfatizando a importância do apoio psicológico.
O problema, no entanto, continua generalizado: segundo a Organização Mundial da Saúde, 1 em cada 8 pessoas no mundo convive com algum transtorno mental.
E, ainda assim, principalmente entre os homens, o passo entre reconhecer o valor da terapia e realmente optar por ela continua difícil.
Existe um hábito profundamente enraizado de lidar com tudo sozinho: transformar cada dificuldade em algo a ser resolvido, controlado, superado. Mesmo quando se trata do que acontece internamente. Mas nem tudo funciona assim. Nem tudo pode ser resolvido sozinho. E talvez seja justamente aí que se abra um espaço diferente: um espaço para parar de representar e começar a compreender.
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