Fábio Santos
Entre Chutes e Espelhos: A Teoria das Duas Almas no Futebol
Fábio Oliveira Santos[1]
A seleção brasileira de futebol é o reflexo da sociedade. Calma, muita calma nessa hora!
Esse comentário não teve a inciativa de desconstruir a relação que vem sendo construída entre a sociedade e a própria seleção brasileira de futebol, muito pelo contrário. A ideia é fazer a apresentação do que acho em relação a isso e de alguma forma comentar a literatura sob o aspecto do texto de Machado de Assis, o espelho[2].
Pois bem, creio que os selecionados foram bem escolhidos por conta dos critérios do treinador e nesse mesmo sentido não temos ideia de quais são além da própria confiança nos profissionais, então já existe uma relação de confiança pré-estabelecida.
Uma imagem do espelho já transparece, pois o que se vê nesse sentido é a imagem do treinador, pois os jogadores são o seu reflexo, haja vista que também aparecem meio que sintomas desfigurados que nesse contexto aparecem com as manifestações sociais em pró desse ou daquele atleta.
No espelho, o Jacobina – assim como era chamado a personagem -, confessa que o individuo é como uma laranja, ou seja, possui duas metades, uma delas é interna, ou seja, vem de dentro e a outra é externa, assim vem de fora.
Parece-nos que são as opiniões que temos sobre nós e os julgamentos externos constituem nos elementos que formam o profissional, haja vista que o Jacobina deixou a concepção individual que tinha de si em relação à profissão que passara a exercer, ou seja, alferes – uma espécie de oficial de pequena patente. Nesse ponto, o homem é substituído pela profissão.
Dessa forma, percebe-se que o atleta da seleção, tal como o alferes machadiano, corre o risco de ver sua 'alma interior' — sua essência e humanidade — ser inteiramente absorvida pela 'alma exterior' do prestígio e da expectativa pública. Pontua-se ainda as críticas que viram em caso de resultado não esperado. Quanto a isso, creio que a culpa será depositada no craque que a sociedade se percebe nele.
Quando os resultados não vêm e o espelho social devolve uma imagem desfigurada por críticas e manifestações, o profissional enfrenta o vazio da solidão no sítio: sem o reconhecimento externo, a identidade se esfarela. Nesse aspecto, pensamos nos jogadores que tinham perspectiva de convocação e por algum motivo não foi levada a cabo.
Conclui-se, portanto, que a Seleção Brasileira não é apenas um grupo de desportistas, mas um experimento vivo da teoria de Machado de Assis, onde o homem muitas vezes desaparece para que o símbolo, fardado de verde e amarelo, possa existir perante o olhar da nação, em tempos em tempos o nacionalismo é revivido.
[1] Advogado e professor.
[2] Disponível em: acesso em: 19/05/2026.
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