Rafael
Há um conceito chamado branding: as marcas unem-se a outras marcas que lhe agregam valor. Obviamente que uma empresa de prostituição se interessa em promover seus produtos no Corinthians - pra eles, a divulgação é imensa, e o uso da nossa marca e história legitima suas marcas e atividades, uma vez que elas vão ser veiculadas em conjunto (digo legitima no sentido moral, pq não são atividades ilegais).
O estranho é o Corinthians aceitar esse tipo de proposta. Pois fechando com conteúdo adulto, não teremos dentre nossos patrocinadores e parceiros indústrias de carro, bancos de primeiro escalão, big techs, companhias aéreas... Essas empresas não podem, pelo branding, ter suas marcas na mesma camisa da Fatal.
Aí quem toma andar com a gente? Empresas de segundo escalão, que pagam o 'preço' do branding ruim e da má companhia pela promoção que o clube traz. Ezze e não Porto Seguro, BMG e não Itau, Frimesa e não Nestlé. Zé delivery e não Ifood... São marcas que pagam e se beneficiam do Corinthians, mas não beneficiam e promovem nossa marca.
Quando a gente sinaliza para o mercado que topa andar com esse tipo de marca - afirma também que SOMOS esse tipo de marca. Isso é rentável? Mais rentável do que buscar outro posicionamento? Não faço ideia... Mas sei que esse tipo de política torna bem difícil, por exemplo, uma mudança no NR do estádio ou a busca de parceiros em setores menos polêmicos da economia.
em Bate-Papo da Torcida > O patrocínio da Fatal Fans é o principal problema do Corinthians?
Em resposta ao tópico:
Foto: José Manoel Idalgo/ Agência Corinthians
Desde que o Corinthians anunciou o patrocínio da Fatal Fans, esse se tornou um dos assuntos mais debatidos entre os torcedores. Diante disso, vale a pena analisar essa discussão dentro de um contexto mais amplo.
Antes de tudo, é importante esclarecer uma informação que ainda gera confusão. A Fatal Fans não é um site de acompanhantes. Trata-se de uma plataforma de assinatura e criação de conteúdos, semelhante a outras existentes no mercado, onde criadores de diferentes segmentos podem publicar materiais para seus assinantes. Embora pertença ao mesmo grupo empresarial da Fatal Model, a Fatal Fans é uma plataforma distinta e possui uma proposta diferente. Segundo a própria empresa, um dos objetivos da parceria com o Corinthians é fortalecer essa identidade e consolidar a marca de forma independente.
Outro ponto importante é o destino do investimento. Os recursos não serão destinados apenas ao futebol masculino. Parte do valor será aplicada no futebol feminino, no basquete e em outras modalidades do clube. No futebol feminino, por exemplo, a marca não será estampada no uniforme das atletas. O espaço será utilizado para campanhas institucionais e, segundo as informações divulgadas sobre o acordo, o contrato prevê medidas para evitar a associação entre atletas, a marca Corinthians e conteúdos adultos ou a Fatal Model.
Esse investimento chega em um momento importante. O Corinthians chegou a avaliar a possibilidade de encerrar algumas modalidades por falta de recursos, enquanto o futebol feminino enfrenta atrasos em direitos de imagem e pendências relacionadas a premiações. Além disso, investimentos desse porte nessas modalidades são raros no futebol brasileiro. Diante da situação financeira do clube e da perda de credibilidade causada por anos de crises, também é difícil imaginar muitas empresas dispostas a fazer um investimento semelhante.
É perfeitamente legítimo que um torcedor seja favorável ou contrário ao patrocínio por questões de valores. O ponto é que essa discussão não deveria fazer o torcedor perder de vista problemas muito mais profundos, que há anos contribuem para a situação atual do Corinthians.
Hoje, o clube convive com uma dívida que gira em torno de R$ 3 bilhões, um transfer ban da FIFA, além de uma sucessão de problemas administrativos, políticos e financeiros. Casos como Taunsa e Vai de Bet, além de investigações, denúncias e apurações envolvendo contratos, irregularidades administrativas, o caso das camisas, o uso de cartão corporativo e a contratação de uma empresa de segurança sem o licenciamento necessário, entre outros episódios, desgastaram a imagem do Corinthians e reduziram sua credibilidade no mercado.
Há ainda outro ponto que merece reflexão. O Corinthians tem como patrocinadora máster uma casa de apostas esportivas, um segmento que também desperta debates éticos e sociais. Isso não significa que um modelo de negócio justifique o outro, mas mostra que diferentes patrocinadores podem gerar discussões semelhantes. Talvez o mais importante seja que esses debates sejam conduzidos com o mesmo critério e a mesma coerência, independentemente da empresa envolvida.
O objetivo deste texto não é convencer ninguém a ser favorável ou contrário ao patrocínio da Fatal Fans. Cada torcedor tem o direito de formar sua própria opinião. A proposta é apenas trazer contexto para que esse debate seja feito com mais informação e dentro da realidade do Corinthians.
O Corinthians é um dos maiores clubes do mundo e tem potencial para voltar a disputar os principais títulos todos os anos. Para isso, o desafio mais importante continua sendo recuperar a credibilidade, profissionalizar a gestão, equilibrar as finanças e fazer com que a força da marca Corinthians seja utilizada para gerar receitas e construir um futuro mais sólido. Enquanto essas questões não forem enfrentadas, qualquer discussão sobre um patrocinador continuará sendo apenas uma parte de um problema muito maior.