Vulgo_ Etvaldo
Baita texto, irmão.
em Bate-Papo da Torcida > Brasil não dá chance ao "Se"
Em citação ao post:
A sociedade brasileira é baseada na inveja. Não existe aqui aquilo que Aristóteles chamava de 'philia', aquele misto de empatia e solidariedade profundas que somente sociedades etnicamente homogêneas podem ter, por isto brasileiro não suporta brasileiro por ser brasileiro e tem que ter algum motivo extra para fazê-lo: afinidade político-ideológica, participação em um mesmo grupo de referência ou, no caso do futebol, o fato de jogar na Europa, que serve como símbolo de qualidade superior mesmo quando esta coisa não existe de fato. É isto o que faz com que os palpiteiros de internet prefiram Igor Thiago a Pedro Queixada, por exemplo.
Não existe nenhum jogador brasileiro a atuar na Europa que seja indispensável à Seleção, nenhum único; são todos jogadores de clube, coadjuvantes que brilham em companhia de jogadores estrangeiros muito mais qualificados, mas que, juntos, são como crianças assustadas longe do alcance de seus pais. A Espanha, uma seleção de geração Z, mostrou ao ganhar a Copa do Mundo que a disciplina tática coletiva pode compensar eventuais deficiências individuais. Os atacantes espanhóis, com exceção a Yamal, não são grande coisa, mas foi do mais desengonçado deles que saiu o gol do título.
Não adianta esperar que por mágica o futebol volte a ser a maravilha que era antes do tiki-taka e do Guardiola porque não vai voltar e dificilmente voltaremos a ver jogadores geniais daqui para frente, ainda mais numa época de guerra de extermínio contra a inteligência e a liberdade interior humanas. Não espero que essa inveja de caranguejo no balde acabe, mas Ancelotti terá de usar o que temos aí, muitos jogadores do BR, e criar um sistema em que eles rendam o máximo possível, mesmo que este máximo possível signifique apenas passar das oitavas em 2030.
