ALEXANDRE MORALES
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ALEXANDRE postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "A arte ainda se mostra primeiro"
há 6 meses
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Nem todos sabem apreciar a arte — e talvez por isso ela precise, às vezes, começar com insolência.
O gol de Memphis Depay não nasce de um passe.
Nasce de um desaforo.
Uma bola entre as pernas do adversário, como quem diz:
“me perdoe, mas eu preciso ir além de você.”
É o tipo de gesto que não cabe em estatística.
É traço improvisado, pincel molhado de atrevimento.
Ali, antes mesmo do gol existir, já há pintura.
Já há a assinatura do artista.
A bola passa entre as pernas e, junto com ela, passa também a dúvida:
quem é que está jogando aqui? Um atacante?
Ou um ilustrador do impossível?
Depay segue, como quem desliza o pincel por uma tela relutante.
Cada passo é um risco.
Cada toque, um detalhe escondido.
E quando ele arma o chute, não é força: é composição.
É o instante em que o movimento precisa virar memória.
O gol acontece — mas a verdade é que ele já tinha começado muito antes.
No túnel, no drible, na ironia respeitosa do craque que sabe que arte também pode humilhar um pouco, se for para revelar beleza.
O adversário fica para trás;
a bola, não.
Ela segue fiel, cúmplice, testemunha.
E nós ficamos com a sensação de que acabamos de ver algo raro:
uma obra que começou num gesto proibido, quase um pecado,
e terminou consagrada na rede, absolvida pela beleza.
Porque arte é isso:
quando o mundo tenta te fechar as pernas,
e você passa por dentro mesmo assim. -
ALEXANDRE postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "O sorriso de Memphis Depay e o desvio de foco"
há 8 meses
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Memphis Depay tem todo motivo do mundo para sorrir. Não apenas porque é dono de um talento raro — desses que transformam o futebol em arte —, mas porque vive uma fase que qualquer atleta sonharia viver. Aos 31 anos, Depay é recordista de gols e assistências pela seleção da Holanda. Um feito histórico. Soma-se a isso um contrato milionário em um dos maiores clubes do Brasil, idolatria de parte da torcida, prestígio internacional e, mais importante, a sensação de que ainda joga o fino da bola, com classe e eficiência. Memphis Depay pode sorrir, sim. E quem não sorriria no lugar dele?
Mas eis que o futebol brasileiro, em sua permanente vocação para fabricar crises imaginárias, resolveu transformar um sorriso em pecado. Um simples momento de descontração no banco de reservas virou manchete, virou “polêmica”, virou munição para quem precisava de uma distração conveniente.
Sim, o Corinthians havia tomado um gol. Sim, o clima era de tensão. Mas quem conhece futebol sabe: o banco de reservas é um mundo à parte. Lá, entre os que aguardam a chance de entrar, a resenha é inevitável. É o espaço onde se dissolve a ansiedade, onde se segura o nervosismo com leveza. Jogadores brincam, comentam o jogo, tentam manter a cabeça fria. Isso não é desrespeito — é parte da dinâmica do esporte.
Transformar um sorriso em crime é ignorar o que é o futebol de verdade. É querer impor um roteiro artificial, um teatro de sofrimento constante, onde o atleta só pode existir entre a fúria e a culpa. É exigir que Depay, um craque que construiu sua carreira com disciplina e entrega, represente o desespero de um clube inteiro, mesmo quando não está em campo.
Há algo mais grave, no entanto, por trás dessa falsa indignação. Quando se escolhe condenar o sorriso de Memphis, o que se faz, na verdade, é desviar o olhar do que realmente importa. Porque há problemas muito mais sérios rondando o clube: denúncias pesadas, crises administrativas, decisões duvidosas. E diante disso, nada mais conveniente do que criar um vilão de ocasião — ainda que o “vilão” tenha apenas sorrido.
Em tempos de vaidade e ruído, sorrir é coragem. Fazer disso crise, essa sim é a verdadeira sacanagem.
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ALEXANDRE postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "O contrato de risco entre Corinthians e Memphis"
há 8 meses
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O contrato firmado entre o Corinthians e o jogador Memphis é, antes de tudo, um contrato de risco — e é importante compreender isso antes de qualquer julgamento precipitado.
O Corinthians, naquele momento, vivia uma das fases mais instáveis de sua história recente: na zona de rebaixamento, afundado em dívidas e sem qualquer garantia de que conseguiria honrar seus compromissos financeiros. Entrar nesse cenário era, para qualquer atleta de renome, um movimento arriscado.
Memphis assumiu esse risco. Aceitou vir para um clube em crise, ciente de que a incerteza seria parte do pacote. E é natural que, diante de um contexto assim, o contrato seja majorado. É uma regra básica de qualquer negociação: quanto maior o risco, maior a compensação esperada. Quem busca segurança geralmente aceita uma rentabilidade menor; quem aposta em algo instável, mas com potencial, exige uma recompensa proporcional ao perigo da escolha.
Foi exatamente o que aconteceu aqui. Memphis topou um desafio esportivo e financeiro — e entregou resultados. Foi decisivo no título paulista, fundamental na classificação da Copa do Brasil, quando o Corinthians vinha de um jogo complicado em casa, e determinante na arrancada que tirou o time da zona de rebaixamento.
Sim, sofreu com lesões, o que afetou parte de sua performance. Mas, na média, continua entre os jogadores mais produtivos do elenco, tanto em gols quanto em assistências.
Apesar disso, o debate público em torno de seu contrato tem se concentrado apenas nos valores e nas cláusulas, esquecendo o essencial: foi um contrato de risco — e o risco foi compartilhado. O clube, em crise, aceitou conceder garantias; o jogador, por sua vez, aceitou se expor a um cenário instável.
Nada disso diminui o futebol apresentado. Ao contrário: reforça que Memphis fez uma aposta corajosa, e que o Corinthians, em meio ao caos, encontrou em sua chegada um ponto de virada esportivo e um título frente ao seu maior rival.
Vai Coríntia! -
ALEXANDRE postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Memphis debate: será que querem ouvir?"
há 1 ano
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Vivemos uma era em que a zona de conforto se tornou regra nas entrevistas de futebol. Jogadores e treinadores falam como se estivessem lendo um script — sempre cautelosos, sempre evasivos, sempre “preservando o grupo”. O técnico passa pano para o time. O time passa pano para o técnico. E assim o futebol vai sendo empurrado, jogo após jogo, na embromação da mesmice. Até que aparece alguém como Memphis Depay.
Na entrevista recente, o jogador holandês fez o que raramente se vê: falou a verdade. Com clareza, apontou falhas do time, mostrou o que precisa ser corrigido, não tergiversou. Foi direto, honesto, firme. E, ainda que isso tenha causado incômodo em muitos, foi exatamente essa coragem que deveria ser exaltada.
Não se tratou de vaidade, nem de desrespeito. Tratou-se de lucidez. Memphis tem visão de jogo, tem bagagem, tem experiência. Ele sabe o que está dizendo. E disse o que precisava ser dito. O problema é que o futebol se acostumou com a mentira conveniente. Quando alguém aparece com a verdade incômoda, causa espanto.
A crítica que ele fez não foi leviana. Foi pertinente, fundamentada, visivelmente nascida da frustração de quem quer mais — mais comprometimento, mais entrega, mais organização. O que se viu, no entanto, foi uma tentativa imediata de deslegitimar suas palavras com o velho discurso de que “ele expôs o treinador”, como se falar abertamente sobre problemas fosse uma afronta, e não um ato de responsabilidade.
Se ele tivesse optado pelo discurso protocolar — aquele “temos que melhorar”, “estamos no caminho certo”, “confiamos no trabalho” — ninguém o criticaria. Estaria mentindo, mas seria a mentira aceita, a mentira que “faz parte do futebol”. Só que Memphis escolheu outro caminho: o da sinceridade. E por isso mesmo deveria ser celebrado.
O “debate Memphis” não é só sobre uma entrevista. É sobre a cultura de acomodação que domina o futebol, onde a verdade virou tabu e o posicionamento virou crime. Que venham mais 'Memphis' por aí — porque o futebol, mais do que nunca, precisa de quem fale com coragem, não com conveniência. -
ALEXANDRE postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "A arte ainda se mostra primeiro"
há 1 ano
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Memphis Depay é pura arte em campo. Com uma técnica apurada, ele não só encanta os torcedores como também redefine o que é ser um craque moderno. Em uma atuação que mais parecia uma apresentação de gala, Memphis surpreendeu a todos com dribles desconcertantes, passes milimétricos e muita garra.
Sua performance transcende o futebol: é um verdadeiro show, uma demonstração de habilidade e personalidade que coroa o título e transforma cada lance em espetáculo. Com a mesma naturalidade com que mistura técnica e criatividade, Memphis reafirma que o futebol é também uma forma de arte, onde o talento e a ousadia se encontram para criar momentos inesquecíveis.
Memphis é pop, é ícone, é a Arte. -
ALEXANDRE postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Memphis Decay?"
há 1 ano
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A responsabilidade da eliminação do Corinthians para o Barcelona do Equador não é do Depay e eu posso provar.
A eliminação do Corinthians para o Barcelona de Guayaquil gerou muitas discussões, e algumas críticas recaíram sobre Memphis Depay. No entanto, uma análise mais detalhada mostra que o holandês esteve longe de ser o principal responsável pela queda do time.
Se considerarmos apenas os momentos em que Depay esteve em campo, o Corinthians venceu o confronto por 2 a 1 no agregado. No primeiro jogo, o time tomou o primeiro gol numa falha individual do zagueiro Tchoca. Os dois gols que decretaram a derrota aconteceram depois que Depay já havia saído de campo, substituído por Thales Magno. Ou seja, o Corinthians desmoronou sem o atacante em campo.
Depay não foi o salvador que muitos esperavam, mas atribuir a ele a culpa pela eliminação é, no mínimo, injusto. O problema passou por erros defensivos, falhas de planejamento, escalação e sistema de jogo totalmente equivocados.
É bom lembrar que o Corinthians só chegou à Libertadores porque teve Memphis Depay. Se pegarmos o mesmo elenco e o mesmo técnico do ano passado, mas tirarmos Memphis daquela campanha, o time poderia até não ter caído, mas estaria muito longe da pré- Libertadores.
“Ah, mas ele ganha para isso.” Sim, e não foi por acaso. Não foi pela sua origem, nem pela cor dos olhos. Ele conquistou essa posição porque, em algum momento, fez algo grandioso para estar ali. “Ah, mas é injusto…” Sim, o capitalismo é um sistema injusto, e isso vale para o futebol e para toda a sociedade.
Memphis é craque. Vive um momento ruim, mas está longe de ser o culpado pela eliminação corintiana. E sobre os críticos? Sim, já deram muitas alegrias à torcida, mas calma lá… Neto e Marcelinho também fracassaram na Libertadores. Ou já esquecemos a goleada sofrida no time do Neto? E o pênalti que Marcelinho perdeu no jogo mais importante da história do clube na competição?
“Ah, mas ele nunca ganhou nada com a camisa do Timão.” Como poderia? Ele jogou em outras ligas, brilhou em outros times. Foi artilheiro na Holanda, marcou pelo menos cinco vezes mais gols pela sua seleção do que Neto e Marcelinho somados fizeram pela seleção brasileira.
Memphis pode ter caído, mas ele vai se levantar. E quando voltar a brilhar, será contra a Porcada. Podem esperar.