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Coluna do Bruno Cassiano
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Um sucessor legítimo

Lucas Piccinato em ação diante do Cruzeiro pela final do Brasileirão Feminino

Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

Lucas Piccinato merece mais crédito

Opinião de Bruno Cassiano

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Quando Arthur Elias foi anunciado como treinador da Seleção Brasileira, a pergunta que não queria calar era: quem irá substituí-lo? Essa dúvida pairava na cabeça de quem acompanhava a modalidade desde antes da saída se tornar uma realidade. A verdade é que todos sabiam que a saída do técnico era inevitável, em algum momento aconteceria. Aconteceu.

O atual treinador da Seleção Brasileira esteve à frente do banco de reservas do Corinthians em 324 oportunidades, tendo um aproveitamento de 84% (!) dos pontos disputados e uma média de mais de três gols marcados contra menos de um sofrido por jogo. Sob seu comando, as Brabas conquistaram 16 títulos ao todo, incluindo o âmbito estadual, nacional e internacional, e a consolidação do clube como o maior time de futebol feminino da América do Sul, um dos maiores do mundo.

Com números espetaculares e uma identificação sólida com a instituição e com a torcida, era de se esperar que quem substituísse Arthur Elias não tivesse vida fácil na tarefa de se firmar como uma boa opção. O treinador fez parecer simples um trabalho sem precedentes no mundo atual, inédito e maior do que qualquer outro projeto na história do futebol feminino nacional. Arthur elevou o nível, colocou o sarrafo no lugar mais alto possível. Alto demais para qualquer outro "saltador". Foi mágico, surpreendente, um sonho... Mas é preciso superar. Passou.

Lucas Piccinato chega ao Corinthians em dezembro de 2023 com a "benção" do próprio Arthur Elias, que já conhecia o trabalho de Lucas desde os tempos de Centro Olímpico, quando atuaram juntos como treinador e auxiliar, respectivamente, antes do atual técnico alvinegro ser promovido a treinador de categorias de base do clube e posteriormente do time principal do São Paulo. No rival do Timão, foi o técnico responsável por levar o time para a Série A1 do Brasileirão Feminino ao conquistar a A2 contra o Cruzeiro.

Tanto no São Paulo quanto no Internacional de Porto Alegre, seu segundo time profissional, Lucas foi um adversário duríssimo para o time de seu ex-companheiro e mentor. Já dava mostras, mais do que suficientes, de que era um profissional de qualidade e que poderia ser cotado ao cargo de técnico do Corinthians em uma possível saída de Arthur Elias.

Até aqui, Lucas Piccinato tem 88 jogos como técnico do Corinthians, tendo conquistado 79% dos pontos que disputou, um aproveitamento impressionante se pararmos para analisar o crescimento constante do futebol feminino no país, com temporadas e campeonatos cada vez mais difíceis e competitivos. Seu time tem uma média de mais de dois gols marcados por partida contra menos de um sofrido (assim como o time de Arthur Elias). Logo em sua temporada de estreia no Timão, chegou a quatro finais e conquistou três títulos. Na atual temporada, chegou a três finais e venceu duas.

Lucas Piccinato está longe de ser um técnico tão bom quanto Arthur Elias hoje, mas ainda é jovem e tem margem para evolução. Porém, mesmo não tendo a mesma qualidade, passa longe, também, de ser um técnico ruim como os comentários por parte da Fiel o fazem parecer. O desempenho das Brabas não está no auge com ele, mas é importante contextualizar que o time passa por mudanças, além de ter momentos e decisões do clube refletindo diretamente no dia a dia do plantel feminino. Ter um time competindo e vencendo mesmo em momentos tão conturbados e indefinidos politicamente é algo louvável.

Sob o comando do atual treinador, o Corinthians tende a seguir no topo do futebol sul-americano, sendo o time a ser alcançado ou seguido no desenvolver e na evolução da modalidade no continente. Os números e os resultados dizem isso, até mais do que o desempenho que, apesar de insatisfatório para a Fiel, tem melhorado em meio a chegadas, saídas, baixas e atrasos que a equipe sofre ao longo das últimas temporadas.

Como qualquer treinador no mundo, ele cometerá erros. Erros que podem custar vitórias e/ou campeonatos. Ele terá momentos bons e momentos ruins. Ele terá fases felizes e fases tristes em meio às dificuldades. Assim como Arthur Elias no comando do Corinthians e agora no comando da Seleção do Brasil. É preciso deixar que o passado fique no passado, sem comparações injustas, sem o saudosismo descontextualizado, para seguir em frente com o que há no presente e o que poderá ser no futuro.

Lucas Piccinato merece, não só de hoje ou de ontem, a confiança e a paz para trabalhar, pois ele já não é mais o "substituto do Arthur". Ele é, de fato e com justiça, o técnico do Sport Club Corinthians Paulista.

Veja mais em: Lucas Piccinato , Corinthians Feminino , Libertadores da América , Arthur Elias e Arthur Elias no Corinthians .

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Por Bruno Cassiano

Nascido e criado na Brasilândia, é jornalista e pai desde 2016, marido desde 2021 e Corinthiano desde 1994. Encontrou no Corinthians a representatividade e inspiração necessárias para contrariar as estatísticas e vencer de teimoso, na raça.

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  • Comentários mais curtidos

    Paulo Nascimento #1.247

    ô Bruno, Piccinato não tá tão substimado assim não, devagar com o andor. Reconheço que ele melhorou nessa Libertadores, por duas razões, as jogadoras resolveram abraça-lo mais, dando-lhe uma chance, e ele resolveu ser um pouco mais ousado. Um primeiro passo foi redefinir o meio campo, com Day absoluta na volância, e duas meias a frente (Duda e Andressa), com isso ele sacou a centroavante e colocou duas atacantes de mobilidade (Zanotti e Monteiro), que atacava e voltavam para recompor o meio campo. Sendo que no 2º tempo colocava Jhonson pra correr nos contrataques (mas sempre no lugar da Monteiro). Pelas pontas fixou Robledo (um grande acerto, visto que até o final do Brasileirão não tinha confiança nela, foi preciso Jaque machucar para ele valoriza-la) e Tamires (ou Juliete). E ficou nisso, travado sem mudar o esquema e sem fazer variações (por exemplo se fosse Arthur, já teria colocado Jaqueline de ala esquerda no lugar de Tamires). O que pesa contra Piccinato é a insegurança, a demora para tomar decisão e o medo de fazer variações táticas.

  • João Matsuo

    Todos os comentários são válidos, afinal foi campeão brasileiro e Libertadores. O time perdeu qualidade porque várias jogadoras foram pra exterior ou nacional mas saíram de graça. O Piccinato não é grande coisa pois o time está sem esquema tático e coloca jogadoras a jogar em posições onde não rendem. Ele tem sorte das Brabas ganharem títulos à base da sorte. Substituições mal feitas e veteranas jogando o jogo inteiro. Fazer o quê, né?
    Vaaaiii Corinthians!

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  • Todos os comentários (49)

    Juliane Bauer #994

    Concordo com você

  • Kiyoshi Momosaki

    Bruno, respeito a sua opinião, mas as Brabas nunca sofreram tanto desde a chegada desse técnico e a diretora.Eles são mediocres.Quem deve comandar as Brabas na minha opinião deveriam ser como técnica a Gabi Zanotti e auxiliada ou diretora pela Tamires, pois estão no limite da idade e elas estão prontas. FORA técnico E DIRETORA, ANDRESSA ALVES, ARIEL GODOI, IVANA FUSO, ETC

  • Luciano Gonçalves #3.962

    Fala uma jogadora que ele melhorou? Duda Sampaio piorou?, trouxe boas jogadoras e o futebol piorou
    As trocas são constantes, ele é fraco

  • Danilo Junior #76

    Ele ainda tem que mostrar muito, pra ser um bom técnico, mesmo tendo perdido atletas importantes durante a temporada, com ele o rendimento técnico caiu muito do que era com o Arthur, ele insiste demais em suas formações e não tem saída de jogo, quando os adversários o pressionam, insiste em manter atletas que não estão rendendo no jogo

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