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Você decide!

A história: pode ser reinventada e renomeada?

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Existe mesmo algum heptacampeão brasileiro? Você decide!

Opinião de Walter Falceta

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Caro leitor e cara leitora, este colunista começou a frequentar os estádios em 1971. Foi quando se disputou pela primeira vez o campeonato brasileiro.

O caneco da ocasião foi legitimamente conquistado pelo Clube Atlético Mineiro. A CBD e a CBF constituíam guarda desta rica história até 2010.

Naquele ano, no entanto, por conveniência política e mercadológica, construiu-se outra narrativa, a fim de beneficiar clubes que viviam uma incômoda seca de títulos.

Por conta dessa manobra, torneios realizados entre 1959 e 1970, com diferentes denominações, foram artificialmente convertidos em "campeonatos brasileiros".

Exercite comigo, portanto, a razão. Pesquise, se quiser. Veja se algum time brasileiro, em qualquer época e lugar, envergou a faixa de heptacampeão brasileiro. Vasculhe. Mas adianto que não topará com essa imagem.

Pensemos juntos. Todas as taças nacionais máximas do Corinthians, e também do São Paulo e Flamengo, nomeiam um "campeão brasileiro".

Nenhuma delas se refere a uma "Taça Brasil", a uma "Taça de Prata" ou a uma disputa intitulada "Robertão". Não carregam em seus pedestais legendas de tradução, tampouco folhas explicativas de fax.

O Corinthians, que em breve pode conquistar seu sétimo título da principal competição brasileira, nunca levou o caneco disputando apenas quatro ou cinco jogos, como era comum a Palmeiras e Santos na década de 1960.

Ora, campeão brasileiro enfrentando apenas duas equipes? Pois era a realidade das competições da época. O Palmeiras "campeão" de 1960, só enfrentou Fluminense e Fortaleza. E o Santos de 1963? Só o Grêmio e o Bahia.

Nem mesmo a atual Copa do Brasil (mais próxima da natureza dos torneios primitivos) segue esse padrão.

Tampouco o Corinthians conquistou algum Brasileiro que fosse, na verdade, uma extensão do Rio-S. Paulo, como o "Robertão" de 1967, organizado pelas federações dos dois Estados.

Na verdade, além de paulistas e cariocas, tinha como convidados apenas times de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.

Cabe outra dúvida? Que status tinha essa competição? Afinal, no mesmo ano, disputou-se a Taça Brasil, vencida pelos palestrinos em apenas seis jogos.

Sim, caro leitor, foram realizadas duas competições no mesmo ano. E o espertíssimo revisionismo fac-similar converteu ambas em "brasileiros".

Enfim, a história real apresenta-se aí, nua e crua. Você decide: já existe um heptacampeão brasileiro? Ou é façanha para 2017?

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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