O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, se manifestou sobre o processo de impeachment de Augusto Melo e as movimentações políticas no clube. Em entrevista ao Meu Timão, ele abordou a tentativa de afastá-lo do cargo, destacou que o Corinthians deve estar acima de interesses individuais e revelou os próximos passos para a votação do processo.
"Pode ser que o interesse de alguns seja me tirar para que determinadas pautas do Conselho não tenham sequência, mesmo sendo uma obrigação legal, mas eu sigo trabalhando da mesma forma. O Corinthians não depende de mim, nem pode depender de mim ou de um pequeno grupo de pessoas – e eu me incluo nisso. A vida segue e as coisas precisam caminhar", afirmou.
Tuma Júnior também mencionou a necessidade de seguir com os trabalhos do Conselho, mesmo diante de disputas políticas, citando a existência de um inquérito sob sigilo de Justiça. "As comissões estão trabalhando e o clube não pode parar por causa de ninguém. Todos nós, um dia, sairemos, mas o Corinthians é monstruosamente maior do que qualquer um de nós. Esse discurso de 'o Corinthians sou eu' não existe. Nem todos nós juntos somos maiores do que o clube."
Em relação à votação do impeachment de Augusto Melo, o presidente do Conselho Deliberativo destacou que a melhor opção, em sua visão, é que o pleito ocorra dentro do próprio clube. No entanto, ele ressaltou que essa decisão será tomada em conjunto com os conselheiros.
"O ideal é que aconteça o mais breve possível, pois não é um processo que pode se arrastar. O mais importante, como já disse, é garantir a proteção física e moral dos conselheiros. Assim que tivermos a certeza de que haverá segurança e integridade física para todos os envolvidos – incluindo o próprio presidente do clube –, marcaremos a votação", afirmou.
Revogação do impeachment
Romeu Tuma Júnior também repercutiu a decisão judicial que negou os pedidos de revogação do impeachment de Augusto Melo e falou sobre os próximos passos para a votação. Sobre a legalidade do processo, ele afirmou:
"Isso é só uma prova de que estávamos agindo dentro da legalidade. Repito, não fui eu que entrei com o pedido de impeachment contra o presidente, foi um grupo de conselheiros que apresentou um requerimento pedindo o impeachment dele por entender que ele cometeu uma série de irregularidades de acordo com o estatuto do Corinthians. Foi um relatório da comissão de justiça, que tinha mandado para a ética apurar várias coisas, e esse pedido de impeachment veio nas condições estatutárias e está sendo processado", iniciou.
"É verdade que ele tentou várias vezes na justiça alegar que não teve direito de defesa, alegar que o processo estava imaculado, que eu estava agindo com parcialidade e todos esses pedidos foram recusados, e é mais uma prova que estamos agindo no que manda a lei, o estatuto, com muita serenidade. Ainda que muitas vezes tenha provocação do presidente, ele me atacando a honra, me atacando na imprensa, no conselho, mas enfim, eu até com muita prudência, entendo que o momento é tenso e ele acaba perdendo a cabeça. Mas vamos embora, vamos para a frente, a gente precisa ter a resiliência para entender algumas coisas que passam na cabeça de uma pessoa que está passando por um julgamento", completou.
Sobre a votação do impeachment, Romeu destacou mais uma vez a necessidade de segurança para todos os envolvidos.
"O que estamos esperando hoje para dar sequência nisso? Que tenha segurança no clube. Existem alguns conselheiros, que também até entendo a preocupação, querendo votar dentro de um batalhão da Polícia Militar, que já nos foi oferecido. Só que eu acho que isso, sim, pode macular a imagem do clube, não dá. Eu sou corinthiano desde que nasci, mais de 60 anos, sou conselheiro há muitos anos, fui oposição muitos anos, muitas vezes sozinho. Nesse conselho atual nosso, pouca gente não foi Renovação e Transparência, até o próprio Augusto foi do grupo Renovação e Transparência".
Na sequência, ele foi ainda mais enfático: "Eu acho que você levar a votação, seja qual for, mas de impeachment de um presidente para dentro de um batalhão é o fim, é decretar o fim da nossa instituição. Eu me recuso a isso. Apesar de que muitas pessoas me pediram, imploraram, por causa do medo de insegurança."
Papel de Tuma no clube
O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians também falou sobre as críticas que recebeu e a sua função dentro do clube: "Outra coisa que a gente tem que entender: não sou eu que tenho que garantir a segurança do associado, do conselheiro. Eu até tenho procurado fazer isso, mas eu não sou o gestor do clube, não sou chefe de portaria, da administração, não sou chefe dessas áreas. Eu vi até uma vez me acusarem de desligar o ar-condicionado no dia da votação do 'ginasinho'. Gente, não sou eu que ligo ou desligo o ar-condicionado. Esse é um problema de gestão e administração".
"O que eu mais tenho feito desde que venci a eleição foi proteger o conselho como instituição. Graças à nossa atuação, as pessoas aí de fora, os leitores, os assinantes do Meu Timão, quem está nos acompanhando pelas redes sociais, sabem que o conselho é independente. Tem gente da situação, da oposição, mas é um órgão independente que é eleito pelos nossos associados", afirmou.
Ele ainda abordou a independência do Conselho e seu papel no clube. "Todo mundo sempre achou que o conselho era um puxadinho da diretoria. Tem algumas pessoas que querem que isso continue, mas não vão conseguir, porque o conselheiro tem que representar os associados, tem que prestar contas para os sócios. Quem elege o conselheiro é o sócio. Então, a gente tem procurado mostrar que os poderes são independentes, devem demonstrar a harmonia entre si, mas são independentes. Mas, assim, eu virei alvo porque estou cumprindo o estatuto, e muitas pessoas não querem, querem que as coisas continuem como sempre foram, ou seja, que o conselho não faça nada."
Por fim, Tuma citou questões administrativas e o impacto das decisões da diretoria no dia a dia do clube. "Muito poucas pessoas se lembram que eu propus – e o próprio presidente Augusto prometeu isso na campanha – que os conselheiros pagassem ingresso. Eu não acho justo que o conselheiro tenha ingresso de graça. Eu tinha um camarote quando ganhei a eleição aqui, e eu devolvi para a diretoria comercializar. O presidente do conselho do Corinthians não tem camarote. Se o conselheiro tem ingresso de graça, é porque a diretoria quer dar", disse.
"Quem decide isso é o presidente do clube, não sou eu, não é o conselheiro do clube. O que as pessoas precisam entender é que essa decisão é parte da administração. Quem decide quem paga e não paga ingresso é o presidente da diretoria. É uma decisão dele, não do conselheiro, não do presidente do conselho", concluiu o presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians.