Na noite desta segunda-feira, o Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians se reuniu para votar o anteprojeto da reforma do Estatuto Social. Entretanto, o processo acabou adiado após discussões internas . Ao fim do encontro, o presidente do órgão, Romeu Tuma Júnior, realizou um pronunciamento no anfiteatro do Parque São Jorge a fim de detalhar os motivos para a suspensão da votação e explicou os próximos passos para que o projeto avance.
Confira os principais pontos da fala abaixo!
'Noite histórica' e legado político
Tuma abriu seu pronunciamento destacando o peso simbólico do encontro, apontando que a reunião representou um marco dentro do processo de modernização estatutária. Segundo ele, o trabalho acumulado das comissões e do CD demonstra o esforço coletivo para construir uma proposta consistente.
"Foi uma noite importante, histórica. A gente efetivamente deu a um denominador comum, depois de muito sacrifício, muito trabalho do Conselho, especificamente da Comissão de Reforma Estatutária e depois de uma agenda de muita deliberação", iniciou.
Em seguida, o presidente relembrou seu compromisso assumido desde o início da gestão. Ele reforçou que modernizar o Estatuto é um objetivo que atravessa diferentes administrações e que, apesar dos avanços, não havia sido plenamente concluído até agora.
"Quando assumi o Conselho, dia 1º de fevereiro de 2024, até antes disso, quando a gente estava em campanha interna aqui para presidir o Conselho, eu falei que o grande legado da nossa gestão era fazer a reforma do Estatuto do Corinthians, porque há mais de 15 anos que não tem uma reforma, e que nas últimas três gestões a gente tinha tido comissão, tinha tido reconhecimento que precisava ter reforma, tinha comissão nomeada, propostas sendo feitas, mas que a gente nunca tinha conseguido chegar no fim e fazer uma efetiva reforma", comentou.
O dirigente também lembrou os passos iniciais da atual gestão, que incluiu a criação de comissões inéditas, como a Comissão de Mulheres, e a definição do Regimento da Reforma do Estatuto. Segundo ele, o processo recuperou propostas antigas e abriu espaço para contribuições mais amplas da comunidade corinthiana.
"Nessa aprovação, por unanimidade, foi reconhecida a necessidade de reformar o Estatuto. Eu nomeei a comissão naquela mesma data, dia 1º de fevereiro de 2024. Nós criamos uma comissão inédita no Corinthians, que foi a Comissão de Mulheres, e já logo, alguns dias depois, nós editamos o Regimento da Reforma do Estatuto. E também, de maneira inédita, as outras duas comissões, das duas gestões passadas, não tinham conseguido fazer a votação das propostas de reforma e as comissões não tinham sido encerradas. E aí, dentro desse regimento, autorizei a comissão a usar também todas as propostas anteriores que estavam finalizadas nas comissões, para poder usar propostas de antigos conselheiros que não tinham sido reeleitos, e também sócios que tinham proposto para que esse trabalho tivesse uma riqueza de maiores propostas e proporcionamos audiências públicas", afirmou.
Resposta às críticas e defesa de transparência
O presidente dedicou parte de sua fala a rebater narrativas que, segundo ele, distorcem o andamento da reforma. Tuma argumentou que informações equivocadas circulam por má-fé de alguns públicos e reforçou que a imprensa tem papel fundamental na divulgação correta do processo.
"Só estou aqui reafirmando isso para que fique claro para quem nos acompanha agora e para que seja revisado o assunto. Porque a gente acompanha o trabalho de vocês (imprensa), a gente lê, ouve e assiste algumas narrativas inverídicas, então é sempre bom deixar claro. Tem gente que chamava de 'Estatuma', não é meu estatuto, é o estatuto do Conselho Deliberativo do Corinthians, até porque as pessoas não acompanham o dia a dia. Eu não quero responsabilizar vocês por falta de informação e informação equivocada que chega aos nossos corinthianos, Brasil afora e mundo afora", comentou.
"Eu, obviamente, até porque eu sou um cara vivido, experiente, eu preciso atribuir essas informações equivocadas à má-fé daqueles que publicam. O cara distorce, publica errado, se tenta colocar no lugar da mídia correta, séria, distorcer a ação. Muitos daqueles que moram até fora fazem o papel de imprensa. Eu acho que a gente tem que corrigir através de vocês e levar a informação correta. Esse trabalho foi feito há um tempo atrás. A gente fez uma coletiva, depois outra, e eu falei que temos um cronograma final. Foi divulgado e a gente cumpriu", disse.
Alto número de propostas recebidas
Ao detalhar os motivos do adiamento, Tuma ressaltou o volume expressivo de propostas recebidas. Segundo ele, foram mais de 90 sugestões vindas de conselheiros, associados, coletivos e até torcedores de fora do país no momento em que o CD havia criado um canal de colaboração para que associados continuassem enviando observações e sugestões sobre o anteprojeto , o que exigiu novo período de análise antes da votação final.
"A respeito da reunião de hoje, que estava marcada a votação no Conselho, tudo foi deliberado de forma unânime. A comissão, depois de recolher 13 propostas oficiais enviadas por conselheiros, associados, e recolher mais de 30 enviadas por coletivos, torcedores, associados comuns, revisitou todo o projeto, anteprojeto construído durante todo o mais de um ano. E depois, em uma audiência que nós tivemos com vocês, uma coletiva, quando nós anunciamos o anteprojeto e abrimos um e-mail para participação de quem tivesse dúvida, foram enviadas mais de outras 40 propostas de ajuste no texto e fundição de propostas", iniciou.
"Até o sábado, dia 22, nós tivemos mais de 50 propostas de redação e de emendas de vários grupos coletivos, de várias alas, enfim, de gente até fora do Brasil, querendo participar e contribuindo de uma forma efetiva. E tudo isso foi compilado tempos a tempos, distribuído para os conselheiros, e a comissão chegou hoje com o requerimento pedindo para que a gente abrisse o debate para audiências públicas ainda antes de votar", complementou.
Divergências internas e decisão de suspender a reunião
O presidente do CD explicou que, no início da sessão, cinco requerimentos diferentes foram apresentados, compostos por alguns grupos defendendo votação parcial, enquanto outros pediram ampliação do debate. Segundo Tuma, prevaleceu a proposta da comissão que pedia manter a reunião aberta e programar audiências públicas antes da votação.
"No começo da reunião, nós tivemos cinco requerimentos: o da comissão de reforma, pedindo para a reunião ficasse aberta, não fosse encerrada e fosse construída uma agenda para que fosse votado ainda esse mês no conselho deliberativo, mas com a marcação de audiências públicas, onde pudessem participar conselheiros, associados, torcedores e terceiros interessados, e que essas audiências fossem marcadas a partir de amanhã, a partir de amanhã, dia 25", explicou.
"Nós tivemos outros requerimentos, assinados por alguns conselheiros, que queriam votar apenas três temas na data de hoje, encerrar a discussão e marcar uma assembleia geral para votar só esses três temas. Alguns outros grupos de conselheiros também propuseram que se alargasse o debate, mas o que melhor contemplava tudo isso foi a proposta da comissão que eu tenho na mesa, que era assim, manter a reunião aberta, construir uma agenda de audiência pública e votar até o final do mês. Tudo foi aprovado por unanimidade até o momento, e depois eu anunciei as datas das audiências pelos temas", comentou.
Busca por consenso e reorganização do calendário
Tuma afirmou que, embora tivesse prerrogativa para fixar as novas datas, optou por suspender a reunião e construir um calendário consensual com todas as alas do Conselho. Ele argumentou que impor datas poderia gerar ruídos desnecessários dentro e fora do clube.
"E como cabe ao presidente do conselho, por conta do artigo 15 do Regimento Interno do Conselho Deliberativo, é uma atribuição do presidente convocar as reuniões, deliberar sobre a pauta, dirigir, transferir, prorrogar, interromper, suspender, enfim, reorganizar a pauta. Eu já preparei as audiências e, quando ela foi lida com as datas marcadas, aí o plenário resolveu não aprovar por unanimidade", iniciou.
O dirigente explicou que, diante da falta de consenso, optou por suspender a reunião e chamar as lideranças para um acordo. Ele ressaltou que insistir em uma deliberação individual poderia gerar versões conflitantes sobre o processo, alimentando disputas políticas. O dirigente também afirmou que havia cobranças públicas por mais debate, mas que parte dos conselheiros rejeitou as datas assim que foram apresentadas, o que reforçou a necessidade de construir uma decisão conjunta.
"Decidi suspender a reunião e construir um calendário junto com os conselheiros, mas a minha proposta era a seguinte: amanhã, vamos debater do artigo 1 ao artigo 3º, do artigo 4º ao 40, exceto o artigo 21, que fala da oposição ao torcedor, e do artigo 22 ao 40, exceto o 21. Então, nós íamos falar amanhã sobre denominação, sede, duração, fins, patrimônio, quadro social e poderes sociais. Primeiro, audiência pública. Depois de amanhã, só o artigo 21. Ou seja, nós teríamos audiência pública toda segunda, terça e quarta, exceto o dia 15, que já tem uma reunião agendada no conselho para deliberar", disse.
Em seguida, o dirigente detalhou qual era o calendário original sugerido por ele, que incluía audiências públicas temáticas de segunda a quarta-feira até 18 de dezembro. Cada encontro abordaria grupos específicos de artigos, com espaço para inscrição prévia e sessões de quatro horas. Segundo Tuma, o modelo garantiria amplo debate e permitiria votar a reforma ainda em 22 de dezembro, mas a proposta não foi aceita pela maioria — o que o levou a priorizar um consenso mais amplo antes de avançar.
"De acordo com o Estatuto e com a legislação, você tem que votar na primeira semana de dezembro, primeira quinzena de dezembro, o orçamento do ano que vem e dias que tivesse jogo do Corinthians. Então, nós teríamos segunda, terças e quartas, até o dia 18 de dezembro, audiência pública cada dia com tema, com uma regra de participação, um e-mail para descrição, durando quatro horas cada audiência pública. E no fim dela, construir o tema, construir a emenda, que iria para o texto final. Se não houvesse acordo, nós já tínhamos as emendas da comissão. E nós votaríamos ainda esse ano, no plenário, dia 22 de dezembro, depois da final da Copa do Brasil. Aí o conselho não aceitou; a maioria não aceitou. Apesar de ser prerrogativa minha, dos tais calendários, eu entendi que assim não adiantava a gente impor alguma coisa; a gente estava buscando consenso geral. Era mais importante a gente entender. Nós suspendemos a reunião e chegamos a um consenso de calendário, desde que o conselho deliberasse três temas que, para mim, seriam imprescindíveis e que eu não voltaria atrás", explicou.
Outro ponto destacado por Tuma foi a necessidade de definir regras de transição caso a reforma seja aprovada apenas no próximo ano. Ele reforçou que tudo passaria a valer somente a partir da próxima eleição, conforme aprovado por unanimidade no Conselho. O presidente do CD citou como exemplo a questão do direito ao voto no Fiel Torcedor , que poderia ter inclusão no processo eleitoral a partir do ciclo de 2030, respeitando um período mínimo de quatro anos de cadastro no novo modelo.
"Tudo que fosse votado nesta reforma valeria a partir da próxima eleição. O conselho aprovou por unanimidade; vai valer. Ainda que a decisão do plenário do conselho fosse no ano que vem, e a decisão da Assembleia também por consequência, nós teríamos uma, no projeto, nós teríamos uma disposição transitória. Por exemplo, a questão do Fiel Torcedor, se for aprovada, que vai votar na próxima eleição, ela vale na próxima eleição. Se for aprovada, eles votam a partir da eleição de 2030, que são quatro anos de inscrição no novo cadastro, que vai ser o do sócio de futebol. Excepcionalmente, a hora que aprovar na Assembleia Geral, o clube tem que abrir o cadastro", contou.
Participação do FT nas próximas eleições
Tuma explicou que haverá uma exceção temporária para que as primeiras eleições incluam o Fiel Torcedor no plano de votantes. Segundo o dirigente, aqueles que se cadastrarem nos 90 dias posteriores à aprovação do novo estatuto poderão votar mesmo sem cumprir integralmente os quatro anos exigidos, devido ao atraso inevitável no processo.
"Os fiéis torcedores ou sócios de futebol terão 90 dias para se filiar e, ainda que excepcionalmente, na próxima eleição que eles forem votar, seja ela em 26 ou seja em 30, eles vão contribuir menos que quatro anos. E vai ser válido, excepcionalmente, porque quem está retardando a votação não é o conselho, não é o presidente do conselho, foi uma deliberação de plenário. Então, a expectativa dessa proposta já é antiga. Se for aprovada pelo conselho, eles vão contribuir três anos e oito meses, três anos e quatro meses. Não importa, excepcionalmente, quem se inscrever nos 90 dias subsequentes à aprovação do estatuto vai votar com menos de quatro anos. E o conselho aprovou essa proposta que eu fiz para adiar. Tem que aprovar isso. Excepcionalmente, na primeira votação do fiel torcedor ou do sócio de futebol, não vai ser dos quatro anos, desde que aqueles que se inscrevam nos primeiros 90 dias, quando abrir esse cadastro novo, foi aprovada também a terceira proposta que eu fiz", disse.
"Nós vamos manter o conselho, a reunião do conselho aberta, dada a relevância da matéria que é uma previsão do estatuto do artigo 85. Dada a relevância da matéria, nós não precisaremos fazer edital de convocação para nenhuma audiência pública, já estão todas convocadas com as datas mudadas conforme o acordo que foi feito de agenda", complementou.
Novo cronograma de audiências públicas
Após o acordo, o presidente apresentou o novo cronograma das audiências públicas, que, como antecipado pelo Meu Timão, agora se estendem de dezembro de 2025 até fevereiro de 2026 - confira as datas detalhadas abaixo.
- 01 de dezembro
- 04 de dezembro
- 08 de dezembro
- 16 de dezembro
- 21 de janeiro
- 26 de janeiro
- 29 de janeiro
- 02 de fevereiro
- 04 de fevereiro
De acordo com Tuma, a votação final no Conselho Deliberativo acontecerá logo após o Carnaval, enquanto a Assembleia Geral está marcada para março.
"Os temas serão praticamente os mesmos e a votação no conselho vai ser em fevereiro de 2026, e a votação na Assembleia Geral vai ser em março de 2026. Já aprovado pelo plenário, não vai ter mudança. O que pode eventualmente mudar, como nós não temos o calendário — não tinha na hora — o calendário do Campeonato Paulista. Se tiver algum jogo do Corinthians entre 21 de janeiro e 4 de fevereiro, a gente pode mudar de um dia para o outro aquela audiência pública. Mas a votação do Conselho Deliberativo no projeto vai ser logo depois do carnaval e eu vou marcar com bastante antecedência. Todos vão saber e não muda mais. A votação na Assembleia Geral vai ser em março, dia 26, e vai valer tudo o que for mudado para a eleição do ano que vem", disse.
Impactos do adiamento no processo da reforma estatutária
Para Tuma, o principal efeito do adiamento é permitir mais debate, sem comprometer o avanço geral da reforma. Ele também destacou que propostas sobre o direito ao voto no Fiel Torcedor já apresentam sinais de consenso e que a tendência é o texto chegar à Assembleia mais amadurecido.
"Ou seja, no fim das contas, não vai mudar nada. Apenas que nós vamos debater mais e todo mundo vai ter a oportunidade de falar aqui. Pessoal que quiser falar vai se inscrever, vai ter um e-mail, vai vir debater. A torcida vai vir debater o tema porque nós já temos quatro propostas de mudança no anteprojeto com relação ao Fiel Torcedor. A outra proposta é que teria que pagar o título sem frequentar o clube. Então, já estão fundidas as duas e paga 50% da mensalidade do sócio. A outra proposta fala em pagar 30%. Já estão fundidas as duas e já tem uma proposta que fala que mantém os quatro anos, mantém o fiel torcedor de imprensa, mantém a de imprensa no novo cadastro, mas baixa para 30%. E a torcida já tem uma proposta que é votar no ano que vem. Então, isso vai ser debatido. Aquela proposta aqui de sair do plenário vai para o projeto e vota", iniciou.
"De qualquer jeito, eu já vi um grande avanço. Eu já senti que no conselho passa o Fiel Torcedor. Já ficou muito claro hoje; vai passar. E já é um grande avanço que ninguém tinha essa expectativa. A gente agora precisa trabalhar, obviamente, na Assembleia Geral de Sócios. O que também é um grande avanço que eu senti hoje é importante também a gente ter construído essa agenda. A gente tem muito mais chance de tirar do conselho um projeto mais consensual", complementou.
Por fim, Tuma afirmou que poucos artigos devem seguir para debate mais profundo no Conselho, concentrados sobretudo em temas de governança e em mudanças estruturais, como a nova Comissão de Ética com auditores externos e atuação unificada para sócios, conselheiros e dirigentes. Para ele, esses pontos ainda podem gerar divergências, mas representam avanços importantes em transparência e responsabilização.
"Acho que talvez sobrem poucos artigos para debate no conselho, que talvez tenha que votar duas ou três propostas. Eu sinto que isso está muito mais apegado hoje à questão da governança, à questão de alguns tabus internos. E que eu acho que chegou a hora de a gente deliberar mesmo. A questão da Comissão de Ética, que hoje vai ter uma mudança muito radical, que você traz auditores externos, que a mesma comissão de ética serve para todo mundo: para sócio, conselheiro e dirigente. Acho que é um grande avanço. Para quem cobra, que não tem punição, eu acho que é um grande avanço. Isso pode ser já um debate, mas eu acho que o que sair do conselho, no fim da votação, chega na Assembleia Geral mais consensuado. E quando o sócio, obviamente, vê que uma proposta sai do conselho mais consensuada, ela também chega na Assembleia Geral com muito mais chance de votação favorável", finalizou o presidente do CD.