Na última segunda-feira, o Conselho Deliberativo deveria ter votado o novo Estatuto do Corinthians. Porém, o pleito foi adiado e reformulado. Agora, terão encontros e audiências públicas para discutir a reforma, com fim previsto para março de 2026. O programa Tabelando, do Meu Timão, entrevistou Alê, presidente da Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians, que viu com bons olhos o adiamento, olhando pela ótica do Fiel Torcedor.
“Esse projeto precisa ser ajustado, porque, do jeito que foi apresentado, não nos representa. A proposta de cobrar R$ 90 mensais para que o torcedor só possa votar em 2032 não é uma conquista. É algo pelo qual sempre lutamos, então não há motivo para comemorar. Se tivesse sido votado antes, provavelmente nada mudaria, e o modelo atual seria mantido. Sinceramente, duvido que o torcedor comum conseguiria pagar R$ 90 até 2032 apenas para escolher um presidente. Isso, na prática, manteria o mesmo curral eleitoral de sempre”, explicou Alê.
A proposta de Romeu Tuma Júnior incluía criar uma modalidade do Fiel Torcedor que, após quatro anos de adimplência, concederia direito a voto no Parque São Jorge . Passados seis anos, esse torcedor poderia se associar ao clube social. Se fosse aprovado, a torcida poderia ter participação a partir da eleição de 2030.
Para o presidente da Gaviões, existem outras alternativas até para torcedores participarem das eleições para presidente de 2026. “Ainda vamos discutir bastante esse tema. Já existe um projeto e ouvimos uma proposta interessante, se não me engano, do Alva. Por isso eu sempre digo: é preciso participar do debate por dentro, não adianta criticar sem conhecer. A ideia dele era não retirar de imediato o poder de voto do associado, fazer uma transição gradual — e concordo com isso. O Fiel Torcedor existe desde 2008, então quem aderiu naquele período até hoje poderia votar na próxima eleição sem problema algum”, disse Alê.
“Também precisamos rever esse valor de R$ 90. Propusemos que fosse um percentual da mensalidade — algo como 50%, ou até os R$ 24,50 que sugerimos, o que permitiria a adesão de muito mais gente. Várias torcidas organizadas têm arrecadado valores significativos e querem ajudar minimamente, então faz sentido ajustar o modelo”, emendou.
Rodrigo Vessoni / Meu Timão
Fora a questão do Fiel Torcedor, Alê elogiou a proposta que diminui o tempo necessário para alguém se lançar para presidente do Corinthians . Atualmente, o possível candidato precisa ter dois mandatos como conselheiro para almejar virar o mandatário do clube - seis anos de contribuição, fora o tempo para entrar no Conselho Deliberativo. A ideia é diminuir para apenas um - reduziria para três anos.
“Existe um projeto, acho que dentro da reforma do Estatuto, que prevê que um conselheiro com mandato já possa se candidatar à presidência. Na minha opinião, é importante abrir esse leque, senão tudo fica concentrado nas mãos de poucos”, apontou o presidente da Gaviões. “Alguns podem achar que estou falando besteira, mas não vejo assim. Ampliar essa possibilidade permitiria mais opções, desde que haja um crivo rigoroso no Parque São Jorge — para avaliar se o candidato não tem um passado obscuro, quais são suas ligações políticas e outros pontos relevantes.”
Além de discutir ideias, o presidente da Gaviões fez um apelo à torcida do Corinthians: compareçam às audiências públicas para debater a reforma do estatuto.
“Quem acompanha pela internet e está discutindo fervorosamente o assunto, eu peço respeito, mas também faço um convite: serão realizadas dez audiências públicas no Parque São Jorge. Qualquer pessoa poderá se inscrever e acompanhar de perto como funciona o processo interno. Talvez você leve uma opinião que possa ser lapidada e contribua direta ou indiretamente para novos rumos do Corinthians. Só de demonstrar interesse, você já ajuda a construir algo diferente”, pediu o presidente da Gaviões.
“Essa aproximação entre a Gaviões da Fiel e o torcedor comum é muito importante. Então, se puder, vá até lá, faça sua inscrição, faça uma pergunta, participe. E, principalmente, no dia 4 de dezembro. Esse será o dia para debater o Fiel Torcedor e o voto direto, que são pautas fundamentais. Estaremos presentes de forma firme para apresentar nossas emendas e defender o que consideramos justo: que o corintiano tenha direito ao voto”, complementou.
Serão 11 dias de audiências públicas - veja detalhadamente o que será discutido em cada uma aqui -:
- Dia 1 (01/12/2025)
- Dia 2 (04/12/2025)
- Dia 3 (08/12/2025)
- Dia 4 (16/12/2025)
- Dia 5 (21/01/2026)
- Dia 6 (23/01/2026)
- Dia 7 (26/01/2026)
- Dia 8 (29/01/2026)
- Dia 9 (02/02/2026)
- Dia 10 (04/02/2026)
- Extra (09/02/2026)
Possibilidade de SAF no Corinthians
Victor Gomes / Meu Timão
Em um primeiro momento, Alê (e a própria Gaviões da Fiel) era contra a possibilidade do Corinthians se tornar SAF, mas agora tem se mostrado a favor do debate até pela situação crítica administrativamente do clube . Inclusive, a organizada recebeu a SAFiel, proposta que vem sendo mais debatida pela torcida, em sua sede recentemente .
“No Parque São Jorge, acho que hoje precisamos lapidar projetos. Se alguém é a favor da SAF, ótimo, mas é preciso discutir, aprimorar as propostas. Existem pessoas com projetos, como o Cascone, mas quando você menciona isso lá dentro, alguns já rejeitam só por causa da pessoa, não pela ideia. E ele mesmo fala: 'Não é o meu projeto, é um projeto para o Corinthians. Podem assumir para vocês'”, avaliou Alê.
“Queremos aprimorar o projeto, assim como esperamos que a própria SAF tenha oportunidade de ir ao Parque São Jorge, conversar com associados e conselheiros e ajustar o que for necessário. O que ouvi muito ontem foi gente rejeitando a proposta sem sequer conhecê-la, dizendo que era golpe ou manobra de bastidor. E existe muito bastidor mesmo”, seguiu.
“A mesma coisa acontece com a SAFiel. Eles querem caminhar juntos, mas há gente que sequer quer ouvir. Na minha visão, quem não está disposto a escutar é porque talvez tenha algum interesse político dentro do clube. A cabeça desses caras é: ‘Agora é minha vez de ser presidente, dirigente, conselheiro.’ E, para eles, seria uma vergonha ver uma solução vindo de fora, da torcida, de 35 milhões, e não deles”, concluiu.
Presidente da Gaviões pondera sobre o fim dos conselheiros vitalícios
Atualmente, o Conselho Deliberativo do Corinthians é integrado por 300 cadeiras: 200 de conselheiros eleitos trienalmente e 100 para os vitalícios, que só perderão os cargos quando morrerem. Para parte da torcida, o CD deveria ser composto apenas por membros votados. O presidente da Gaviões defende o debate acima de tudo.
“Percebi que há muitos associados e até conselheiros contrários à forma como funciona o modelo dos vitalícios. É muita gente contra, mas muitos falam apenas baixinho, com receio de se manifestar no Parque São Jorge, como se tivéssemos que ir lá tirar alguém à força”, apontou.
“A reforma do estatuto está em pauta, e este é o momento de fazer barulho. Se a maioria entende que não é mais viável manter essa quantidade enorme de vitalícios, vamos debater. O objetivo é justamente esse: discutir os dois lados. Qual é a importância dos vitalícios dentro do Parque São Jorge? Vamos ouvir. Por que alguns defendem que não deve mais existir esse modelo? Vamos ouvir também”, ponderou na sequência. “O importante é promover um debate amplo e transparente. O momento é agora, não dá mais para adiar. Estamos nem no fundo do poço, no volume morto.”