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Vinicius Cascone foi diretor do Corinthians entre 2024 e 2025

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'Grande desafio'

Conselheiro do Corinthians explica discussão em reunião e projeta sequência da reforma do Estatuto

Por Daniel Keppler, Felipe Sales, Fábio Marinho e Gustavo Lima

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Na noite desta segunda-feira, o teatro do Parque São Jorge recebeu a última audiência pública que debateu o anteprojeto da reforma do Estatuto do Corinthians. O encontro, que originalmente foi agendado como uma audiência extra para tratar de assuntos pouco debatidos nas reuniões anteriores, foi fechado aos membros do Conselho Deliberativo (CD), antecipando o debate sobre a votação do texto pelo órgão.

Um dos conselheiros presentes foi Vinicius Cascone, ex-secretário geral e ex-diretor jurídico do clube, que se envolveu em uma discussão ríspida durante a reunião, após ser interpelado pelo também conselheiro Rubens Gomes durante sua fala sobre as alternativas da reforma para os membros vitalícios do órgão. Cascone ponderou que certos assuntos geram bastidores mais acalorados e avaliou a reunião.

Eu acho que essa reunião aqui do Conselho culmina um processo democrático de audiências públicas, que foi fundamental para a gente tentar trazer propostas, abrir para os associados, para os torcedores que quisessem expor aqui. Acho que a gente vai ter um grande desafio de tentar aprimorar as propostas e fazer com que a gente transforme o Corinthians de fato, que amplie a participação, garanta, sim, o voto do Fiel Torcedor já agora. Acho que a gente precisa ter normas de governança muito mais profundas. Infelizmente, nós temos um Estatuto um pouco frágil nesse aspecto. Então, acho que é importante ter essas mudanças", explicou.

Cascone também pontuou que o texto a ser ajustado pela comissão de reforma estatutária deve dedicar atenção às normas eleitorais do Corinthians. "O modelo de campanha eleitoral aqui permite o abuso do poder econômico. São festas gratuitas, churrascos, distribuição de brindes e camisetas, coisas que são inaceitáveis num processo eleitoral democrático. E eu defendo que isso seja modificado imediatamente. A Comissão ouviu bastante coisa nessas audiências públicas, espero que ela tenha entendido o recado, que a torcida, grande parte dos associados, quer democratizar o clube e tornar as coisas cada vez mais transparentes", afirmou o conselheiro.

Questionado sobre seu posicionamento em relação ao projeto, Cascone evitou se colocar favorável ou contrário, preferindo dizer que quer aguardar a redação final do documento a ser entregue pela comissão, a fim de não fazer um juízo de valor prévio. Pontou, porém, que tem dúvidas sobre o voto do membro do Fiel Torcedor desde a eleição deste ano no clube. "A gente vai discutir os critérios, evidentemente, isso faz parte do processo democrático, mas infelizmente eu não consigo ainda ter a clareza de que esse vai ser o entendimento do Conselho e depois da Assembleia Geral”, lamentou.

Em outro momento, o ex-diretor opinou que as audiências públicas, que contaram com a participação da torcida comum e organizada, e também de coletivos, associados e especialistas, promoveram debates mais profundos do que o encontro desta segunda-feira, explicando em seguida: "Os conselheiros que vieram aqui (hoje), vieram para entender como ia ser o processo de votação. Ainda não está definido como vai ser de fato. O presidente do Conselho vai conversar com a comissão para tentar, justamente, organizar esse fluxo de votação”, detalhou.

Cascone evitou opinar sobre a baixa adesão dos conselheiros e na influência dessa baixa adesão na votação que ocorrerá posteriormente, lembrando que todos os materiais foram enviados aos membros do CD e que, baseados nisso, todos terão condições de deliberar sobre o tema. Já quando foi questionado sobre uma eventual pressão da torcida por algum posicionamento, ele foi claro, afirmando que esse tipo de pressão é inerente ao cargo de conselheiro.

“Eu fui eleito (conselheiro) para me posicionar. A gente não tem que ter medo de tomar posição. O grande problema aqui é que, às vezes, as pessoas pensam: ‘Ah, não quero me posicionar, não quero me expor’. Não. Acho que o cargo de conselheiro, de membro do Conselho Deliberativo, ele justamente prescinde uma exposição. O Conselho Deliberativo equivale, guardadas as devidas proporções, a uma Câmara dos Deputados. Então é natural que esses deputados, entre aspas, esses conselheiros, se exponham", afirmou.

Cascone prosseguiu, destacando que não se sente pressionado nas suas funções. "Eu não sinto nenhuma pressão da torcida organizada ou de torcida não organizada. Claro que na minha rede social recebi várias críticas, e as críticas são democráticas. Eu sempre falo: críticas respeitosas, pessoas que não xingam, que colocam os apontamentos, que discordam das minhas posições, eu estou aqui para ouvir e para aperfeiçoar minhas ideias, falando da verdade. Qualquer pessoa que se candidata a um cargo tem que estar disposta a sofrer a crítica e também se posicionar. Não dá para a gente ficar se escondendo. Então, minhas posições serão públicas, independente da forma que a votação ocorrerá", concluiu.

Com o fim das audiências públicas, a Comissão de Reforma do Estatuto vai consolidar os apontamentos para elaborar uma nova versão do anteprojeto, que deverá passar por votação no CD no dia 2 ou 9 de março, que pode ser realizada na Neo Química Arena. Em seguida, também deverá ser aprovada pela Assembleia Geral dos associados.

Veja mais em: Parque São Jorge, Conselho do Corinthians e Estatuto do Corinthians.

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