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Lucas Piccinato comentou sobre sua demissão do Corinthians, ocorrida em fevereiro de 2026

Lucas Piccinato comentou sobre sua demissão do Corinthians, ocorrida em fevereiro de 2026

Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

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'A sensação era essa'

Lucas Piccinato detalha saída do Corinthians e expõe desgaste com a diretoria

Por Meu Timão

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Lucas Piccinato comandou a equipe feminina do Corinthians entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2026. Sua saída ocorreu após o empate contra o Fluminense , por 2 a 2, na Neo Química Arena, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro Feminino.

O ex-comandante das Brabas afirmou que o resultado contra a equipe carioca não foi determinante para sua demissão e contou que a relação com a diretoria do clube já estava desgastada após o fim da temporada passada.

"Eu acho que a gente ia sair de qualquer forma, a sensação era essa. As semanas após a Supercopa mudaram um pouco a relação (com a diretoria), que sempre foi muito tranquila e muito aberta. O sentimento era palpável, só uma questão de quando e onde. A minha expectativa para o jogo do Atlético (Mineiro) era entrar e ganhar o jogo. Não vai ser a coisa mais linda do mundo porque as atletas não estão entrosadas o suficiente. Ganhamos o jogo e voltamos. A sensação era a mesma: o ambiente com a diretoria não era o mesmo olho no olho que era anteriormente. A sensação era de que (a demissão) ia acontecer a qualquer momento. Acho que a decisão estava tomada antes do jogo contra o Fluminense, o jogo foi só um detalhe. Mesmo se tivesse ganhado de 2 a 1, ou feito três, quatro, as coisas já estavam encaminhadas", disse, em entrevista ao Planeta Futebol Feminino, no Youtube.

O técnico ainda declarou que se manteve no cargo no início de 2026 por conta da Copa das Campeãs. O torneio foi disputado entre 28 de janeiro e 1 de fevereiro, na Inglaterra, e a equipe alvinegra terminou com o vice-campeonato, perdendo para o Arsenal, por 3 a 2, na grande decisão.

Após o fim da competição, Piccinato permaneceu por mais 19 dias no cargo. Ainda comandou a derrota para o Palmeiras , na Supercopa do Brasil, o triunfo contra o Atlético Mineiro e o empate com o Fluminense , ambos pelo Brasileirão.

"Eu sinto que, se tivesse perdido do jeito que perdeu o Paulista e não tivesse o Mundial, eu teria caído. Acho que ali foi um desgaste, uma sensação de ‘precisamos tomar um outro caminho’. O fator Mundial, no fim de janeiro, com uma pré-temporada e um Mundial organizados por quem estava (no comando); fazer uma troca ali, acho que o Corinthians sofreria muito no mundial. Seria uma troca muito abrupta para jogar uma competição que todo o planejamento, desde outubro, quando a gente ganhou a Libertadores, já estava sendo feito", compartilhou.

O treinador também comentou sobre a fatia de responsabilidade que a comissão técnica carrega em determinados momentos. Ele relembrou que teve pouca participação em seu primeiro título, a Supercopa de 2024, por conta do entrosamento da equipe e a permanência de muitas jogadoras, mas destacou sua importância na conquista do Brasileirão do ano seguinte.

"Eu acho que tem títulos em que a responsabilidade da comissão técnica é muito pequena e tem títulos em que nossa responsabilidade é maior. O título da Supercopa de 2024, a responsabilidade minha era só estar ali, porque era um time que tinha acabado de terminar o ano, poucas peças tinham saído e era um time muito bem orquestrado. Ao mesmo tempo, o Brasileiro de 2025 tem uma grande porcentagem, uns 30%, 40%, da gente começar muito mal e ir buscar ponto a ponto. Muitas partidas a gente teve que mudar o sistema tático no meio do jogo, atletas tiveram que se reinventar durante o ano. É o que eu mais tenho lembranças positivas", avaliou.

Piccinato não esqueceu de abordar os títulos em que saiu derrotado, sem fugir da responsabilidade. O comandante amargou dois vices consecutivos, entre o fim de 2024 e o início de 2025, e citou a situação de lidar com jogadoras que estavam de saída do Timão.

"O Paulista de 2024 e a Supercopa de 2025 eu coloco muita responsabilidade minha. No Paulista, por exemplo, oito ou nove atletas já estavam de saída e não queriam ficar. Eu deveria ter barrado as meninas, não barrei e me arrependo. Tinha que ter falado ‘vocês vão sair mesmo, vai jogar quem vai estar aqui’ e isso é muita responsabilidade do treinador. Em 2025, na Supercopa, pelo elenco que a gente tinha, eu planejo uma mudança de sistema. Acho que não deu tempo suficiente de ter uma resposta e aí eu acho que tem uma responsabilidade minha de a gente ter empatado no Morumbi e perdido nas penalidades. Ali eu consigo colocar que era responsabilidade minha", detalhou.

O treinador falou sobre a dinâmica de contratações na época em que foi anunciado, quando o Corinthians passava por uma mudança política. No ano em que chegou ao Parque São Jorge, Augusto Melo estava começando seu mandato como presidente e, três meses depois, a diretora da modalidade, Cris Gambaré, deixou o Timão para integrar a Seleção Brasileira Feminina.

Piccinato expôs que a atacante Priscila, que atuava no Internacional, quase foi para o Corinthians, mas o clube gaúcho endureceu a negociação e a transferência acabou não se concretizando. Meses depois, a jogadora foi vendida para o América, do México.

"Quando eu cheguei em 2023, o time estava aqui, essas jogadoras vão ficar e essas daqui são as possíveis contratações. Era a Cris Gambaré que tocava com o Duilio, virou o ano e teve uma troca. Quando eu chego, algumas atletas que tinham dado permanência desistem e vão para outras equipes. E algumas contratações que estavam escritas como certas, elas deram para trás. Inclusive, a menina da foto ali (Priscila) estava certa de que ela vai vir para o Corinthians. O Inter bateu o pé, exerceu a força ali na negociação e segurou", mencionou.

Por fim, o treinador revelou que já esteve do outro lado da situação. Em 2021, ainda no comando do São Paulo, Piccinato quase perdeu a atacante Gláucia para o Timão. A negociação não se oficializou pelo fato de a atacante ter sofrido uma lesão de ligamento cruzado anterior no joelho.

"O Corinthians fez isso em 2021 com a gente, no São Paulo. A gente tinha ido bem para caramba e o Corinthians foi lá e pegou a Jaque, tentou pegar a Gláucia. A Gláucia não foi porque rompeu a LCA, senão iria também. Era o nosso ataque titular", concluiu.

Para o lugar de Piccinato, o Corinthians contratou Emily Lima. A treinadora foi anunciada no dia 24 de fevereiro e, desde então, acumula seis vitórias em oito partidas. Nesta sexta-feira, as Brabas venceram a Ferroviária na Fazendinha , por 3 a 1, e se isolaram momentaneamente na liderança do Campeonato Brasileiro Feminino.

Veja mais em: Lucas Piccinato, Corinthians Feminino e Técnicos do Corinthians.

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